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Produtores estão preocupados com a alta importação de leite em pó dos países vizinhos
Por Matheus Valadares - Repórter Diário do AçoNesta segunda-feira (18), os produtores de leite de Minas Gerais irão realizar uma manifestação em prol da valorização e proteção da pecuária leiteira. O Sindicato dos Produtores Rurais de Ipatinga, Coronel Fabriciano, Santana do Paraíso, Mesquita, Joanésia, Ipaba, Bugre e Iapu (Sindipri), capitaneado por Adauto Valamiel, realizará uma caravana saindo do Vale do Aço com destino a Belo Horizonte, onde terá o protesto.
O movimento “Minas Grita pelo Leite" é uma iniciativa da Federação da Agricultura e Pecuária de Minas Gerais (Faemg), que conta com a participação de produtores de todas as regiões do estado. O objetivo é pressionar o Governo Federal quanto “às importações desenfreadas de leite em pó de países do Mercosul, em especial da Argentina e do Uruguai”. A entidade argumenta que a situação está resultando em prejuízos severos e ameaçando a permanência dos produtores de leite na atividade, tendo em vista os altos custos produtivos.
“Estamos mobilizando os produtores de leite, juntamente com toda a comunidade, para mostrar às autoridades que têm a caneta na mão, que precisamos de políticas claras e objetivas, que venham contribuir e fortalecer a nossa classe. Hoje, o preço do leite está muito baixo, principalmente pelas importações que o governo federal tem feito de países como Argentina, Uruguai. Então, precisamos conscientizar as autoridades para que o produtor de leite brasileiro tenha maior ganho, tenha condições de se sustentar na atividade. Hoje, para honrar seus compromissos, o produtor de leite está precisando de vender, principalmente as vacas, para poder custear suas despesas”, explica Adauto Valamiel, presidente do Sindipri.
Disparada de preço As transações de leite e seus derivados com países estrangeiros são realizadas por empresas privadas para abastecer o setor, conforme a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), entidade é composta por federações e sindicatos do setor produtivo de todo o país. As importações cresceram a partir de 2022, quando o litro do leite chegou a ser vendido por até R$ 8 nos supermercados.
Em 2023, a importação de leite em pó foi equivalente a 2,2 bilhões de litros, registrando um crescimento de 68,8%, em comparação com 2022. Para Valamiel, o momento é preocupante não somente para quem trabalha na produção do leite, como também para os consumidores.
“Essa situação não só é muito preocupante para o produtor de leite, como também para toda a comunidade. Uma vez que a produção diminui, podemos ter até desabastecimento, o que vem prejudicar não só a nossa classe, como também toda a comunidade consumidora do produto, que todos nós sabemos que é o principal alimento da mesa do povo brasileiro”, afirma.
Presença no atoO presidente do Sindipri estima que cerca de 70 pessoas do Vale do Aço participarão do ato na capital mineira. Um ônibus foi alugado pelo sindicato, que levará os produtores de forma gratuita para o Expominas.
O “Minas Grita pelo Leite” alerta, ainda, para o risco de desabastecimento do mercado interno e consequente aumento do preço do leite ao consumidor final. O movimento pede a suspensão das importações subsidiadas da Argentina, a adoção de medidas compensatórias e imediatas para socorrer os produtores. Além dos produtores rurais, estarão presentes lideranças políticas e cooperativas.
Importância econômicaA pecuária leiteira está presente em 99% dos municípios mineiros, gerando emprego e renda para milhares de famílias. No país, são produzidos formalmente 24 bilhões de litros de leite por ano, e Minas Gerais é responsável por 27% dessa fatia. No estado, são 216 mil fazendas, entre pequenas e médias em sua maioria, e mais de mil indústrias de laticínios.
Reivindicações do setor leiteiroSuspensão com as importações subsidiadas da Argentina ou adoção de medidas compensatórias e salvaguardas imediatas; Plano Nacional de Renegociação de Dívidas de todos os produtores de leite; Inserção permanente do leite nos Programas Sociais do Governo Federal; Ampliação da fiscalização no âmbito do Decreto 11.732/2023