Alex Ferreira/Arquivo DA
A expectativa para este ano em relação a novas gerações de emprego nestes subsetores não é muito positiva
Isabelly Quintão - Repórter Diário do Aço A Região Metropolitana do Vale do Aço (RMVA) encerrou 2023 com uma fraca geração de vagas de emprego na indústria de alimentos e bebidas. Ao todo, o número de trabalhadores com carteira assinada nestes subsetores industriais selecionados é 1.858. Deste total, apenas 34 fazem parte da indústria de bebidas e o restante (1.824) é decorrente da indústria de alimentos.
As informações foram repassadas à reportagem do Diário do Aço pelo coordenador estatístico e de pesquisa do Observatório das Metropolizações Vale do Aço, geógrafo William Passos, conforme análise do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) e Ministério do Trabalho e Emprego.
Ipatinga fechou o ano com 23 trabalhadores com carteira assinada no subsetor industrial de bebidas e 958 no de produtos alimentícios.
Enquanto isso, em Coronel Fabriciano, seis empregos formais foram mantidos para a indústria de bebidas e 372 para a de alimentos. Em Timóteo, a quantidade é ainda menor, sendo cinco para o de bebidas e 264 para o de produtos alimentícios.
No município de Santana do Paraíso, a geração de empregos nestas indústrias foi ainda mais fraca, visto que somente a indústria de alimentos apresentou novos trabalhadores com carteira assinada, sendo 230.
Saldo de empregosNo ano passado, o déficit na geração de vagas com carteira assinada no subsetor industrial de produtos alimentícios foi puxado pelo município de Ipatinga (-139) e de Timóteo (-38). Ao contrário, Coronel Fabriciano (10) e Santana do Paraíso (48) apresentaram saldo positivo.
Já o subsetor industrial de bebidas fechou o ano com saldo positivo nos municípios de Ipatinga (+11), Fabriciano (+2) e Timóteo (+1). Em Paraíso, não houve nenhuma contratação formal.
Expectativas para 2024 Para este ano, as expectativas para o mercado de trabalho no Vale do Aço não são muito positivas, conforme aponta o pesquisador William Passos.
“A região é muito dependente do comportamento da indústria brasileira do aço, que vem sofrendo com a concorrência do aço chinês. Consequentemente, a indústria do aço, no Vale do Aço e no Brasil como um todo, vem registrando um acentuado número de demissões. Por ser muito dependente dessa indústria, toda a economia da região sofre e com a fraca indústria de alimentos e bebidas não é diferente. Os empregos gerados não são muito significativos”, enfatiza.
O geógrafo também destaca que se trata de um setor que poderia “contribuir para a diversificação econômica, mas para isso seria necessário mais investimento”.
Comparação com o paísA Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (Abia) estima que o ano de 2023 foi encerrado com 70 mil novos postos de trabalho diretos e formais. A Abia também divulgou que com 280 mil postos indiretos foi possível alcançar 350 mil novos trabalhadores ao longo da cadeia produtiva. Além disso, o número de trabalhadores diretos atingiu 1,97 milhão.
Portanto, percebe-se que embora a indústria de alimentos se destaque como um dos principais empregadores do Brasil, a situação da região do Vale do Aço se distingue, enfatiza o geógrafo.