Manifestantes políticos lotam trecho da avenida Paulista

Carregando bandeiras do Brasil e de Israel, apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro ocuparam o espaço da Faria Lima; Presidente defendeu anistia para os presos em 8 de janeiro

25/02/2024 às 16:17
Reprodução de vídeo
Ato estava agendado para as 15h, mas às 11h a avenida já recebia os manifestantes

A avenida Paulista, no centro financeiro de São Paulo foi palco de uma manifestação neste domingo (25), convocada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Os milhares de apoiadores de Bolsonaro, que se aglomeraram na região central da capital paulista atenderam ao pedido do ex-presidente e foram ao ato em defesa dele sem faixas e cartazes contra o Supremo Tribunal Federal (STF) e seus ministros.

Imagens mostram a avenida lotada de pessoas vestindo roupa nas cores verde-amarelo e com bandeiras do Brasil e de Israel. Conforme agendado, o ex-presidente chegou ao ato por volta de 15h, acompanhado da ex-primeira dama Michelle Bolsonaro, do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas e do prefeito da capital paulista, Ricardo Nunes, dentre outros políticos. Uma das primeiras a discursar, Michelle falou de injustiças contra Bolsonaro e chorou durante sua fala. O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, também fez um rápido discurso.

O intitulado “Ato pela democracia”, segundo seus organizadores tem o propósito de rebater acusações que o ex-presidente teria participado de um plano de golpe de Estado e “exaltar o estado democrático de direito”. A acusação pode resultar na prisão de Bolsonaro e demais envolvidos.
Reprodução Instagram
Gustavo Nunes: "Mais uma grandiosa manifestação firmada nos valores de pátria, liberdade e família"

O pastor Silas Malafaia, da Assembleia de Deus Vitória em Cristo, alugou dois trios elétricos para que Bolsonaro e outras figuras políticas discursem e acompanhem o ato. Coube a Mafalaia, ataques diretos ao STF, durante os discursos.

Entre os políticos presentes estava o prefeito de Ipatinga, Gustavo Nunes. Em seu perfil, no Instagram, Gustavo postou a mensagem: "Participei neste domingo (25), na avenida Paulista, do ato convocado pelo presidente Jair Bolsonaro (PL), nosso grande líder nacional, com o propósito maior de defender o Estado democrático de direito. Mais uma grandiosa manifestação firmada nos valores de pátria, liberdade e família. Juntos somos mais fortes. Brasil acima de tudo, Deus acima de todos!". Veja, abaixo, vídeo panorâmico da manifestação.



Demonstração de forças


Nos bastidores da política, o ato deste domingo é visto como uma demonstração de forças. O ex-presidente está no centro de uma investigação, de acusações de articular com militares um golpe de Estado. Além disso, Bolsonaro foi declarado inelegível pelo Tribunal Superior Eleitoral, que o condenou inelegível por 8 anos em função do abuso de poder econômico e ataques ao sistema de votação eletrônica, na eleição em que ele foi derrotado por Lula. Além de demonstrar força ao reunir seus apoiadores, o ato também serve para medir o índice de popularidade do ex-presidente no país.

Embora lideranças no interior tenham iniciado mobilização para atos também em outras cidades, o próprio ex-presidente determinou que a força fosse concentrada no ato na avenida Paulista, apenas. Centenas de ônibus do interior chegaram à capital levando os manifestantes.

Principais pontos do discurso de bolsonaro



Em seu discurso, o ex-presidente defendeu tratamento justo por parte da Justiça em relação às condenações dos envolvidos na invasão das sedes dos três poderes da República em 8 de janeiro do ano passado. As condenações superam 15 anos de cadeia.

"O que busco é a pacificação, é passar uma borracha no passado. É buscar maneira de viver em paz, não continuarmos sobressaltados", afirmou.

O político também pediu ajuda ao Congresso para anistia. "É por parte do parlamento brasileiro uma anistia para os pobres coitados que estão presos em Brasília. Nós já anistiamos no passado quem fez barbaridades no Brasil. Pedimos um projeto de anistia para que seja feita justiça no Brasil. Quem, por ventura, depredou, que pague. Mas essas penas fogem ao mínimo da razoabilidade", enfatizou.

Bolsonaro também reclamou do fato de estar inelegível. Evitou citar o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e tampouco citou o STF, mas disse que não se pode admitir que um poder tire pessoas do jogo das eleições.

Também afirmou que os presos no 8 de janeiro são perseguidos políticos, assim como ele, Bolsonaro. Em relação ao suposto plano de golpe de Estado com a ajuda dos militares, acusação que se comprovada pode resultar em sua prisão, ex-presidente enfatizou que não houve tanque na rua. Mencionou que, para isso, precisaria de apoio político e de empresários, o que não teria feito. A apuração da Polícia Federal mostra o contrário: Houve consulta sobre apoio aos chefes das Forças Armadas e envolvimento de grandes empresários na articulação.

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