Arquivo pessoal Jorge Inácio
Caricatura de Adoniran Barbosa: músicas imortais
Uma das músicas mais famosas e queridas de Adoniran Barbosa (1910-1982), o célebre compositor, cantor e ator que é considerado “pai” do samba feito em São Paulo, se transformou em filme. Dirigido por Pedro Serrano e exibido na Mostra de Cinema Internacional de São Paulo, “Saudosa Maloca” estreia nos cinemas do país no próximo dia 21 de março.
“Se o sinhô não está lembrado / Dá licença de contar / Que aqui onde agora está / Esse adifício arto / Era uma casa velha / Um palacete abandonado”, assim começa a canção de 1951, que narra a história de Mato Grosso e Joca, contada pelo próprio artista na mesa de um bar. Adoniran é interpretado por Paulo Miklos, o cantor e compositor ex-integrante do grupo Titãs, e os outros dois personagens são vividos por Gero Camilo e Gustavo Machado, respectivamente.
Reprodução
Capa de divulgação do lançamento de ''Saudosa Maloca''
Numa mesa de bar, o velho Adoniran Barbosa conta a um jovem garçom histórias de uma São Paulo que já não existe. Lembra com carinho da maloca onde viveu com Joca e Mato Grosso, da paixão deles por Iracema e de outros personagens eternizados em seus sambas, crônicas de uma metrópole engolida pelo apetite voraz do “pogréssio”.
Adoniran Barbosa, nascido José Rubinato, começou a despontar interpretando diversos personagens em programas de rádio, nos anos 1930, entre eles o que lhe rendeu o nome de sucesso. Muito além de cantor e compositor, Adoniran foi um contador de histórias, observador sagaz da sociedade e cronista de seu tempo, que deixou a sua obra imortalizada em canções que se tornaram hinos do cancioneiro popular, como “Trem das Onze”, “Tiro ao Alvo” e “Samba do Arnesto”, além de “Saudosa Maloca”.