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21 de janeiro, de 2024 | 07:30

Janeiro Branco: os cuidados com a saúde mental em época de excesso nas mídias sociais

Estudos apontam que as mídias sociais mal utilizadas podem acarretar em ansiedade e outros problemas mentais

Arquivo pessoal
Eustáquio José de Souza Júnior, coordenador do curso de psicologia do Unileste, defende equilíbrio entre tempo dentro e fora das mídias sociaisEustáquio José de Souza Júnior, coordenador do curso de psicologia do Unileste, defende equilíbrio entre tempo dentro e fora das mídias sociais

No primeiro mês do ano ocorre o Janeiro Branco, campanha de conscientização pela saúde mental e emocional. O principal objetivo é chamar a atenção da humanidade para as questões e necessidades relacionadas à saúde mental das pessoas.

A relação entre as mídias sociais e a saúde mental está cada vez mais estreita. Diariamente, somos bombardeados por conteúdos que, estrategicamente, têm o objetivo de nos manter conectados, e aquilo que deveria ser uma distração se torna uma espécie de vício que, quando não há acesso por algum motivo, surgem sintomas de abstinência: irritabilidade, inquietação, ansiedade. Além disso, há as constantes comparações da vida e do corpo com o que você vê nos perfis de outras pessoas.

Eustáquio José de Souza Júnior, coordenador do curso de Psicologia do Unileste, explica como essa sensação de ansiedade, e até mesmo de frustração, pode ser influenciada pelas mídias sociais. O especialista afirma que, quanto mais uso, mais interessante para os gestores e administradores das mídias digitais, que fazem uso de conhecimentos até da própria psicologia e outras áreas das neurociências para que as pessoas fiquem o máximo de tempo possível envolvidas e interagindo com as próprias plataformas.

Para fazer isso, é trabalhado a sensação de satisfação e recompensa que, do ponto de vista neurofisiológico, são muito importantes, mas ao mesmo tempo, quando são utilizados dessa forma, simplesmente para a pessoa ficar o máximo de tempo possível navegando, acaba criando mecanismos nessas redes de recompensa praticamente ininterruptos, imediatos e com um espaço de tempo muito restrito.

“Quando a gente olha, por exemplo, uma rede como Tik Tok, que é a preferida dos jovens hoje em dia, são vídeos curtos e, a cada vídeo que é ‘rolado’ ali no feed, você tem uma sensação, uma pequena satisfação e, caso não seja algo que seja satisfatório, você pode simplesmente pular para o próximo vídeo”, aponta o psicólogo.
Essa sensação de que se algo incomoda ou não é de seu interesse pode simplesmente ser ignorado na internet, quando aplicada na “vida real”, pode trazer aspectos negativos.

“Você cria um padrão de funcionamento dentro dessas redes que não necessariamente é coerente com a forma com esse contexto exterior à rede social. O mundo é muito diferente do funcionamento de uma rede social, embora haja muitas semelhanças. Mas essa necessidade de manutenção da atenção pelo máximo de tempo possível, lançando mão de recursos de controle de comportamento, de manter a pessoa ali, quando não é satisfatório, pode ser simplesmente ignorado e deixado de lado, pode ser bastante impactante. Pode trazer quadros como a ansiedade, porque como ela está ali o tempo todo, gasta muito tempo fazendo coisas que absolutamente podem parecer para ela mesma inúteis, pode trazer um senso de insatisfação, de inutilidade, de mal-estar. A pessoa vai perdendo o controle de ir atrás daquilo que de fato tem relevância para ela, porque ela está sob controle da mídia social, que quer mantê-la o máximo possível, independentemente daquilo que acontece fora do meio digital”, afirma.
O especialista ainda aponta que há evidências de que o excesso de exposição às mídias sociais tem levado ao aumento do número de diagnósticos de transtornos mentais.

“A gente tem hoje um número de diagnósticos de transtornos mentais e de comportamento bem significativamente maior do que há alguns anos, algumas décadas, e o aumento de transtorno mental é sempre uma questão também social. São as formas de vida, de organização do trabalho, da nossa vida acadêmica, do estudo, das nossas relações familiares que vão sofrendo impactos das mudanças de costumes e eu acho que um dos impactos muito grandes foi o advento e a consolidação da nossa relação com o mundo mediada pelas mídias sociais”, declara o docente.

Cuidados dos pais
Naturalmente, crianças e adolescentes estão mais expostos às mídias sociais durante sua formação cognitiva por já estarem inseridos no contexto da tecnologia. Eustáquio defende uma relação de confiança entre pais e filhos, mas destaca que é primordial que haja algum tipo de monitoramento por parte dos responsáveis.

“Eles precisam monitorar crianças adolescentes, precisam monitorar quais as mídias sociais, quanto tempo com quem a pessoa está mantendo contato via mídia social. Os pais têm que procurar se colocar ali como referências importantes, isso não é fácil, muitas vezes é um processo que leva a vida inteira desse adolescente, dessa criança.

Mas quanto mais próximos eles estiverem, menos invasivos eles vão parecer quando trouxerem os perigos e os riscos das redes sociais”, aconselha.

Equilíbrio
Por outro lado, o acesso à internet e demais ferramentas e tecnologias hospedadas nela é um caminho sem volta, e não necessariamente tudo que se encontra é negativo. Tem os aspectos positivos, por exemplo, no que tange à acesso a materiais didáticos. Além disso, quem fica completamente ilhado do mundo tecnológico pode ficar prejudicado no mercado de trabalho, onde cada vez mais os processos são otimizados por meios tecnológicos. O docente de psicologia defende que precisa haver um equilíbrio.

“Não se trata aqui de um maniqueísmo. Das redes sociais versus a vida fora das redes sociais. Isso é uma realidade que não vai mudar tão cedo. A gente precisa aprender a lidar com isso de uma forma produtiva, é a gente conseguir estabelecer esse equilíbrio entre a vida fora das mídias sociais, para que a pessoa possa, dentro das mídias sociais, reconhecer aquilo que de fato faz sentido e é relevante e não se perder nelas, não perder tanto tempo nelas e não sentir tanta angústia depois de tanto navegar por elas”, aponta.
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Comentários

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Gildázio Garcia Vitor

21 de janeiro, 2024 | 16:30

“Sr. Illuminati.:., parabéns! Disse tudo! Mais que Humberto Eco, que disse: "As redes sociais deram voz a uma legião de imbecis".”

Illuminati.:.

21 de janeiro, 2024 | 12:33

“O papel das redes sociais é tornar as pessoas ainda mais vazias, infantilizadas, consumistas e fora do mundo real. E, claro, sujeitas à serem influenciadas facilmente ... ferramenta ideal de golpistas, manipuladores e gente má intencionada em geral. Quem pode deve manter distância desse troço ...”

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