19 de janeiro, de 2024 | 07:05

Bacia hidrográfica do rio Piracicaba necessita cuidados

Matheus Valadares
O Piracicaba, no trecho onde tem a mata do Parque Estadual do rio Doce à esquerda e o bairro Cariru à direita, pouco antes de desaguar no rio Doce O Piracicaba, no trecho onde tem a mata do Parque Estadual do rio Doce à esquerda e o bairro Cariru à direita, pouco antes de desaguar no rio Doce
Matheus Valadares - Repórter Diário do Aço
A bacia hidrográfica do rio Piracicaba tem sofrido com as ações humanas e efeitos climáticos, e as consequências futuras podem afetar a cadeia produtiva do Vale do Aço, além de atingir a fauna e flora em volta de seu leito.
“A gente sabe que a bacia hoje está sofrendo. Em determinada época do ano, ele é um rio que está apresentando uma lâmina d'água de uma profundidade de 25 a 30 centímetros, e isso tem um impacto proveniente a todo esse tempo decorrente ao uso do solo inadequado em toda bacia”, afirma Alessandro de Sá, geógrafo, historiador e escritor ipatinguense.

A bacia hidrográfica do Piracicaba contempla 21 municípios, nasce em Ouro Preto e segue até a divisa das cidades de Ipatinga e Timóteo, onde se encontra com o rio Doce.

Ela possui 241 quilômetros de extensão, e cerca de 800 mil pessoas vivem nas proximidades de seu percurso. Além disso, a área do rio possui minerações, lavras de materiais preciosos e grandes siderúrgicas, evidenciando sua importância econômica, como destaca Alessandro.

“É importante a gente conhecer o nosso território, conhecer o território da bacia do rio Piracicaba, saber que o rio Piracicaba é importantíssimo para a história do município de Ipatinga. Foi através do rio Piracicaba, através dos grandes mananciais que estão próximos ao território de Ipatinga, que na década de 1950 resolveram instalar aqui as siderúrgicas e minas pela grande oferta hídrica de água”, aponta.

O rio Piracicaba é uma peça fundamental para diversas atividades econômicas que ocorrem ao seu redor.

“A bacia é superimportante nessa porção leste do território de Minas Gerais, é uma bacia que é o principal meio de abastecimento de grandes siderúrgicas, do setor de mineração, de uma população de 21 municípios integrados dentro da bacia”, afirma.

Estudo pode auxiliar políticas públicas
Conforme já divulgado pelo jornal Diário do Aço, Alessandro, juntamente com o Instituto Interagir, está produzindo um atlas sobre a bacia hidrográfica do Piracicaba. A iniciativa poderá fornecer informações consolidadas para a produção do material, que servirá como base de pesquisa para toda a sociedade.

“Com desse diagnóstico, nós vamos poder entender o comportamento dos principais cantos da bacia que abastece a calha principal do rio Piracicaba. Por que não está chegando água no rio Piracicaba de forma satisfatória para ele chegar até o rio Doce forte, com a lâmina d'água bem alta, bem significativa?”, indaga o geógrafo.

“A gente precisa ter, em grande parte dessas áreas mais altas da bacia, onde formam as suas nascentes, uma área de cobertura de vegetação”, explica Alessandro. “A bacia vem ao longo dos anos perdendo a sua mata ciliar, perdendo as suas áreas de recarga para outras atividades do uso do solo”, continua.

Desta forma, é possível que as águas da chuva, por exemplo, fiquem armazenadas próximo ao rio, nascentes e afluentes, endossando o seu corpo d’água.

A partir do estudo, Alessandro aponta que os gestores públicos nessa porção do estado de Minas Gerais poderão tomar decisões responsáveis e não se “omitirem dessa realidade”.

“A gente sabe que a bovinocultura está muito presente dentro da bacia, então precisa ser discutida a melhor forma de manter a produção da bovinocultura, de manter a produção das práticas de monoculturas, mas que precisa entender que as áreas de preservação são intocadas, elas não podem ser alteradas. Os gestores públicos terão um material em que eles vão poder compreender, e com disso, construir políticas públicas de conservação ambiental”, conclui.
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Comentários

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José Augusto

19 de janeiro, 2024 | 20:43

“Preocupante”

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