13 de janeiro, de 2024 | 08:28

A cada mil pessoas, 73 tiveram dengue ou chikungunya no Vale do Aço

Dos 458.846 moradores da Região Metropolitana, 33.493 foram diagnosticados com ao menos uma das arboviroses causadas pelo Aedes aegypti

Divulgação
Minas Gerais pode enfrentar um novo surto de dengue em 2024Minas Gerais pode enfrentar um novo surto de dengue em 2024
Matheus Valadares - Repórter Diário do Aço
O Vale do Aço tem enfrentado uma endemia de arboviroses, principalmente de dengue e chikungunya, doenças transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti. De acordo com dados apurados pelo Diário do Aço junto ao Painel de Monitoramento de Casos da Secretaria Estadual de Minas Gerais (SES-MG), 21.253 casos de dengue foram registrados em todo o ano de 2023 na Região Metropolitana do Vale do Aço (RMVA), que compreende os municípios de Coronel Fabriciano, Ipatinga, Santana do Paraíso e Timóteo.

Levando em consideração que os quatro municípios têm uma população estimada em 458.846, segundo os dados do Censo 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), a cada 1.000 habitantes, 46,92 tiveram dengue na região.

Em relação à chikungunya, os números são menores. A doença teve 12.240 casos confirmados no ano passado, configurando uma taxa de transmissão de 26,67 a cada 1.000 habitantes.

Juntas, as duas doenças têm 33.493 casos confirmados, assim, a cada 1.000 habitantes na RMVA, 72,99 tiveram dengue ou chikungunya no Vale do Aço.

Taxa de letalidade
Em relação à dengue, ainda de acordo com os números do painel de monitoramento da SES-MG, houve 56 casos graves ou com sinais de alarme e dois óbitos - Ipatinga e Santana do Paraíso - na RMVA, com uma taxa de letalidade de 3,57%.

Há ainda seis óbitos sob investigação da Fundação Ezequiel Dias (Funed), distribuídos pelos municípios de Ipatinga (4), Coronel Fabriciano (1) e Santana do Paraíso (1).

Incluindo o Colar Metropolitano, em 2023 há uma outra morte confirmada em Caratinga e outros três óbitos sendo investigados em Bugre, Bom Jesus do Galho e Ipaba, respectivamente.

Ipatinga
Com 20.812 casos de arboviroses, dos quais 9.220 de chikungunya e 11.592 de dengue, o prefeito Gustavo Nunes instituiu o Decreto nº 10.918, que declara situação de emergência no município por 90 dias.

A medida permite que o combate seja mais efetivo, sobretudo pela possibilidade de contratação de Agentes de Combate a Endemias em caráter temporário.

Dentre as medidas já adotadas em Ipatinga para intensificar o combate ao Aedes aegypti, estão a realização de mutirões de limpeza em áreas críticas, distribuição de material educativo e fiscalização para identificar e eliminar focos do mosquito transmissor.

Coronel Fabriciano
A administração pública informou por meio das mídias sociais que o Ultra Baixo Volume (UBV), popularmente conhecido como fumacê, está circulando no município, pela manhã e tarde.
Conforme a programação, a expectativa é que até dia 19, o carro com inseticida percorra toda a cidade.

Timóteo
No dia 9, a adolescente Maria Elisa Bicalho, de apenas 17 anos, morreu com suspeita de dengue, em Timóteo. Ela foi sepultada no mesmo dia, no cemitério Jardim da Saudade, no bairro Santa Maria.

Conforme a nota da administração municipal, a jovem foi atendida no dia 6 na UPA, medicada e liberada sob prescrição de medicações, além da orientação para procurar novo atendimento caso a situação se agravasse.

Comitê
Também no dia 9, o Comitê de Combate às Arboviroses de Timóteo se reuniu para definir novas estratégias e reforçar as ações de enfrentamento às doenças. Durante o encontro, foram reiteradas todas as ações que vêm sendo executadas ao longo dos últimos meses. Somente em dezembro de 2023, foram 380 caminhões de entulho recolhidos em todas as regionais da cidade. Também foram recolhidas 156 caçambas de restos de construção.

Outro problema enfrentado pelos Agentes de Endemias refere-se a negativa de alguns moradores em permitir o acesso às suas residências. Em face disso, a prefeitura solicitou apoio das forças de segurança nessa ação.
Questionada sobre a utilização do fumacê, o governo afirmou que já completou os ciclos recentemente e que já requisitou novamente ao Estado a destinação do veículo para a cidade.

Santana do Paraíso
Nesta sexta-feira (12), o fumacê começou a circular na cidade. A medida tem o objetivo de intensificar as ações de combate ao mosquito Aedes aegypti.

A ação será em dois horários, das 5h às 8h e das 17h às 20h. A rota inicial passará pelos bairros: Industrial, Jardim Vitória, Águas Claras, Cidade Verde, Bom Pastor, Residencial Bethânia, Residencial Paraíso, Centro Paraíso, Veraneio, São José, Chácaras Paraíso, Cidade Nova, Parques Caravelas, Parque Veneza, Chácaras do Vale, Ipaba do Paraíso e distrito Industrial.

Verão e cuidados especiais


Por se tratar de uma estação com altas temperaturas, combinadas com chuvas, o verão se torna a época mais propícia para a proliferação do Aedes aegypti, como explica Carmelinda Lobato de Souza, médica infectologista que atua em Ipatinga. No entanto, ela pondera que os equipamentos públicos de saúde precisam estar aptos para receber os pacientes, e que a população tem um papel importante no combate às doenças.

“A população toda deve ficar atenta para ajudar na prevenção. Evitando água parada, para que haja um melhor controle na proliferação dos focos do mosquito, também usando repelente, para evitar a picada que é o que transmite as arboviroses”, explica.

Carmelinda ainda afirma que há uma população que corre mais riscos, caso seja acometida por uma das doenças. “Pessoas idosas, crianças muito pequenas, gestantes, ou pessoas que têm alguma doença crônica como diabetes, hipertensão, uma nefropatia, uma imunodeficiência e outras comorbidades, de fato, são pessoas que fazem parte de um grupo de risco que podem evoluir com complicações com maior frequência. Essas pessoas certamente devem procurar algum atendimento médico, fazer exames mais específicos para avaliar essa gravidade e ficarem atentos para os sinais de alerta, porque essas pessoas devem ser melhor acompanhadas para evitar evoluir para formas graves e até mesmo evoluir para óbito”, conclui.
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Comentários

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Tião Marreta

13 de janeiro, 2024 | 23:48

“Com certeza é bem maior, como dito em outros comentários muitos não procuram assistência médica hospitalar, pois sabem que será medicada com analgésicos e tchau.
Recomendo, dipirona 1g de 8 em 8 horas, chá de melão de São Caetano misturado com chá de unha de gato também de 8 em 8 horas e muita,mas muita água sempre.
Na verdade tinham que disponibilizar um local para hidratação com soro também, mas ......”

Gildázio Garcia Vitor

13 de janeiro, 2024 | 16:28

“Uma correção ou um adendo ao meu comentário: segundo o meu querido sobrinho Sandro, as pessoas tomam também as pílulas de Copaíba do Ti Russo, compradas no Caravelas, e os óleos de Andiroba, de Copaíba e de Pracaxi da Tia Beth.”

Geraldo

13 de janeiro, 2024 | 14:18

“O Trem tá feio, no meu bairro, de 3 casas, 1 uma tem uma pessoa infectada, também ninguém quer limpar quintal, ou virar as tampinhas, deixa arder.”

Gildázio Garcia Vitor

13 de janeiro, 2024 | 09:08

“Estes números podem não representar a realidade, pois muitas pessoas não têm acesso e/ou não procuram a assistência médico-hospitalar, a não ser "em último caso". Mais de dez vizinhos próximos, aqui no final do Bethânia, tiveram dengue ou chikungunya e não procuraram médico. Ficaram só nos chás de melão-de-são-caetano e de folha de mamão e nos analgésicos.”

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