Crônica: Fruta que partiu!
Nena de Castro *
20/11/2023 às 14:40
Contam que certo gato conheceu um rato e sendo muito esperto, aplicou um 171 no ratinho, elogiou seu porte e esperteza, falou tanto da amizade e carinho que sentia por ele, convidando- o para viverem juntos. Certamente, disse o felino tudo daria certo, pois dois amigos tão leais e inteligentes levariam um vidão!
O ratinho, a princípio desconfiado, aquiesceu ao pedido e topou. Então o gato ponderou que precisavam fazer uma provisão para o inverno para não passar fome e depois, não seria bom que o pequeno amigo se aventurasse procurando comida. Afinal, decidiram comprar um pote de banha e escondê-lo e após refletir, o gato sugeriu a igreja, pois ninguém se atrevia a tirar qualquer coisa do local, principalmente se guardassem o pote debaixo do altar.
Ocorre que o gato depois de alguns dias, ficou doidim pela banha e avisou ao rato que sua prima tinha tido um filhote, era dia do batizado e ele seria o padrinho. O ratinho concordou em arranjar a casa sozinho e ficou cuidando de tudo. O gato então, foi à igreja, pegou o pote de banha e foi lambendo, deliciosamente, toda a parte de cima.
Depois, fez uma caminhada pelos telhados da cidade e se estirou sob o sol, lambendo os beiços a cada lembrança da deliciosa banha. Ao voltar para casa, o rato perguntou que nome o gatinho tinha recebido, e o felino respondeu: ah, ele se chama “Falta um Pouco”!
- Que nome esquisito, atípico, pensou o rato.
Dias depois, o gato deu outra crise de desejo e novamente informou ao amigo que haveria outro batismo e já estava partindo. Dessa vez, devorou metade do pote de banha. E informou ao rato que o nome do afilhado era “Pela Metade”. O rato estranhou novamente mas o gato filosofou que todas as coisas boas vêm em três parcelas e havia mais um sobrinho pagão e ele iria apadrinhar o pobrezinho. Foi, comeu o resto da banha, voltou e informou ao companheiro que o nome era “Acabou”.
Chegou o inverno e os dois foram à igreja onde encontraram o pote vazio. Ai, de mim! - exclamou o rato. Agora entendi! Você devorou tudo quando estava batizando seus afilhados! Primeiro deixou “faltando um pouco”, depois “pela metade” e por fim...
- Cale a boca! Mais uma única palavra e devoro você também!
“Acabou”, começou a dizer o ratinho, quando o gato saltou em cima dele e o devorou!
Escolhi essa intrigante história dos Irmãos Grimm para dizer aos meus preciosos cinco leitores, que estou abilolada, estupifidicada, abestada, com tanto non sense do ser humano por esse mundo afora: guerra na Ucrânia, no Oriente Médio, o Madurito ameaçando invadir e anexar a Guiana e tome terrorista querendo avacalhar nosso país, a sempre presente fome, a miséria e agora esse calorzito do cão que é nossa culpa, nossa máxima culpa e ao invés de levar a coisa a sério e usar a tecnologia para resolver os problemas, cada um se infla com infinitos arrogância e orgulho e nos levam pro beleléu! Afeeeeeeeeeee! E nada mais digo!
* Escritora e encantadora de histórias