Expo Usipa 2024 02 - 728x90

16 de novembro, de 2023 | 13:30

99 municípios mineiros não registraram nenhum crime violento em 2023

Levantamento da Sejusp aponta cidades sem ocorrências até outubro deste ano; Serranos, no Sul de Minas, está há quase nove anos com índice zero de violência

Divulgação
Serranos: já são quase nove anos sem registro de nenhum crime violento na cidadeSerranos: já são quase nove anos sem registro de nenhum crime violento na cidade
Do alto da Paróquia de Nossa Senhora do Bom Sucesso, moradores contemplam mais um fim de tarde tranquilo na pequena e pacata Serranos, no Sul de Minas. Em meio às tradições e montanhas mineiras, o município vive uma verdadeira cultura de paz, que os números corroboram: já são quase nove anos sem registro de nenhum crime violento na cidade. Serranos é destaque entre os quase 100 municípios mineiros que não tiveram nenhuma ocorrência de criminalidade violenta em 2023.

Divulgado nesta quinta-feira (16/11), o levantamento do Observatório de Segurança Pública, da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), aponta as cidades que estão no topo do ranking quando o assunto é criminalidade zero. De janeiro a outubro deste ano, 99 municípios, espalhados por todo o Estado, não registraram nenhum roubo, homicídio, estupro ou qualquer outra ocorrência violenta. Quando o recorte é feito desde 2022, são 27 as cidades na lista.

Com uma população de aproximadamente 2.000 pessoas, Serranos é o município mineiro que está há mais tempo sem registro de crimes com o emprego de violência: o último caso foi uma tentativa de estupro em fevereiro de 2016. Desde então, já são 92 meses sem qualquer crime com uso de violência.
Divulgação
A Igreja de Nossa Senhora do Bonsucesso e avenida Afonso Pena, em SerranosA Igreja de Nossa Senhora do Bonsucesso e avenida Afonso Pena, em Serranos

Caminhar pelas ruas de Serranos e conversar com os moradores é fundamental para entender os zeros nas várias tabelas de ocorrências criminais. Rapidamente, dá para sentir como a paz, a solidariedade, o respeito e a religiosidade estão presentes na alma dos serranenses de nascimento e nos serranenses de coração. Os que saem de Serranos, seja para estudar ou trabalhar, costumam voltar, sempre movidos pela saudade e a intenção de fazer algo pelos que ficaram.

Luana Tamara Oliveira tem 28 anos e ficou seis anos fora, em Valença, um município do estado do Rio de Janeiro. Voltou de lá formada em Medicina Veterinária. "Estou realizando meu sonho de trabalhar aqui como veterinária. Tenho muitos pacientes em Serranos e em outros municípios da região. Tinha a vontade de ajudar os animais e a população como um todo", conta. "São vários os motivos para estar aqui: a minha família, essa tranquilidade, as pessoas se conhecem, se cumprimentam e conversam. Os problemas são resolvidos com uma boa conversa e temos, também, o apoio dos militares do Destacamento da Polícia Militar, sempre presente na área", relata a jovem serranense de coração.

A professora aposentada Zélia de Azevedo Carvalho é 49 anos mais velha do que Luana, tem 77 anos, e também saiu da cidade para estudar, mas voltou, para trabalhar como professora concursada do Estado. Ela abriu as portas de sua casa, na avenida Afonso Pena, a principal do município, para contar um pouco de sua história de vida e do seu amor pela cidade. Com apenas 11 anos de idade foi para Aiuruoca e depois continuou os estudos em Baependi, Passa Quatro e Belo Horizonte. Ela diz ter dedicado todos os seus anos nos bancos escolares sempre pensando em levar o melhor da Educação para Serranos. "Cultivamos o amor à terra. Meu avô foi o primeiro prefeito. Vem dos primórdios os valores morais e da família, o respeito e a religiosidade. Tudo isso explica a tranquilidade e segurança de Serranos. Aqui, a fé sempre foi predominante, nascemos e vivemos aos pés de Nossa Senhora do Bom Sucesso".

Monitoramento constante

A Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública monitora e publica mensalmente, na página Dados Abertos de seu site, os índices de criminalidade de Serranos e de todos os 853 municípios mineiros. O levantamento divulgado nesta quinta-feira mostra que, em todo o estado, a criminalidade violenta reduziu 14,6%, entre janeiro e outubro deste ano, na comparação com o mesmo período do ano passado. Minas registrou 26.251 ocorrências em 2023, contra 30.737 em 2022 (janeiro a outubro).

A metodologia da Sejusp considera criminalidade violenta a soma dos registros de 13 naturezas criminais: homicídio tentado e consumado, roubo tentado e consumado, estupro tentado e consumado, estupro de vulnerável tentado e consumado, extorsão tentada e consumada, extorsão mediante sequestro consumada e sequestro e cárcere privado tentado e consumado. Além dos 13 crimes violentos acompanhados, outros dados também são divulgados todos os meses, como os números de furto e lesão corporal, o Painel de Crimes com Causa Presumida LGBTQIA+Fobia, as estatísticas de violência doméstica e familiar contra a mulher e vítimas de feminicídio, entre outros.

O secretário de Estado de Justiça e Segurança Pública, Rogério Greco, explica que, em breve, novos bancos de dados também estarão disponíveis para consulta da população. "A transparência é uma premissa importantíssima para nossa gestão e estamos trabalhando para ampliar cada vez mais o leque de dados divulgados todos os meses. As estatísticas permitem uma análise mais clara da criminalidade em todo o Estado e com base nisso conseguimos traçar, de forma integrada com as demais forças de segurança, as melhores estratégias para aumentar a segurança de toda a nossa população", afirma. O secretário ressalta ainda que o índice zero de criminalidade nos 99 municípios é motivo de orgulho para a Sejusp. "Mas queremos, e vamos, melhorar ainda mais esse ranking".

Sem trancas ou acerto de contas

Serranense de nascimento não se encontra com facilidade em Serranos, pois não há hospital na cidade. Os nascidos no local tiveram ajuda de parteira, uma prática em desuso há muitos anos no município. O mais fácil é encontrar serranenses de coração, os nascidos em maternidades de Aiuruoca ou Cruzília, por exemplo, municípios próximos. "Sou serranense, apenas não nasci aqui. Minha mãe saiu para o parto e voltou", é a explicação de vários moradores apaixonados, os serranenses de coração. Há, ainda, os que chegaram adultos e são, também, serranenses de coração.
Divulgação
Luana Tamara Oliveira, 28 anos, formou-se em Veterinária e retoronou para Serranos, a professora aposentada Zélia de Azevedo Carvalho, de 77 anos, também no passado fez o mesmo caminho: Saiu para estudar e retornou para a terra natal Luana Tamara Oliveira, 28 anos, formou-se em Veterinária e retoronou para Serranos, a professora aposentada Zélia de Azevedo Carvalho, de 77 anos, também no passado fez o mesmo caminho: Saiu para estudar e retornou para a terra natal

Maria do Carmo Azevedo Carvalho, 59 anos, chamada carinhosamente de Kaká, faz parte deste grande grupo de moradores. “Sou uma serranense de coração. Conheço a cidade há 43 anos e moro aqui há 32. Serranos é acolhedora, solidária e tranquila. É um povo que tem Deus no coração, por isso, a paz reina sempre entre todos nós”, explica Kaká.

As taxas de criminalidade em Serranos vão sendo compreendidas a cada nova conversa, seja no banco da praça, no sofá de uma residência ou mesmo na porta de uma loja, dessas com quase tudo para a cozinha, jardim ou pequenos reparos.

Foi no conforto de uma outra residência serranense que veio mais uma explicação para as janelas abertas para as ruas e portas destrancadas, de um serranense experiente em segurança pública. Rogério Marques, 46 anos, mora há 23 anos em Serranos, e é sargento da Polícia Militar. Foi transferido para a cidade e não saiu mais de lá. Já trabalhou no destacamento local, mas hoje está lotado em Aiuruoca. "Aqui, um cuida do outro, todos se conhecem. Vivemos a cultura da paz". Rogério destaca a boa relação existente entre vizinhos, e a veterinária Luana reforça a análise: "Aqui, não existe esta coisa de vou matar para acertar contas. Todo mundo senta, conversa e resolve".

Um serranense de nascimento é José Pimenta Filho, 67 anos, cheio de um amor declarado pela cidade. "Não troco aqui por lugar nenhum nesse mundo. Já tentei, mas não deu certo, voltei pra cá. Tentei em Barra Mansa, Volta Redonda, São José e Jacareí. No fim das contas, lugar mesmo é aqui, muito bom de morar. Não tem grandes confortos, recursos, mas dá para buscar lá fora. Estamos perto de cidades que têm. Com a tranquilidade daqui tudo se torna fácil". (Com informações da Ascom / Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública)



Encontrou um erro, ou quer sugerir uma notícia? Fale com o editor: [email protected]

Comentários

Aviso - Os comentários não representam a opinião do Portal Diário do Aço e são de responsabilidade de seus autores. Não serão aprovados comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes. O Diário do Aço modera todas as mensagens e resguarda o direito de reprovar textos ofensivos que não respeitem os critérios estabelecidos.

Envie seu Comentário