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Atualmente, Lene exerce o cargo de chefe de gabinete do Ministro do Trabalho e Emprego
Falta quase um ano para as eleições municipais, mas o xadrez político já está sendo jogado e os partidos estão escolhendo suas peças. Em Ipatinga, por unanimidade, Lene Teixeira foi definida como pré-candidata pelo PT.
Ao Diário do Aço, ela explicou que só ficou predisposta a concorrer à prefeitura quando foi comunicada pelo diretório da legenda que não haveria disputa interna. “Apresentei essa condição. Sou muito boa para brigar, para enfrentar qualquer disputa fora do PT, com projetos antagônicos ao projeto do PT, mas que internamente eu não tinha essa disposição de ir para uma disputa. Construímos essa unidade, hoje estou pronta enquanto pré-candidata, e poder, inclusive, buscar o diálogo mais amplo com outros partidos que venham agregar o nosso nome para a disputa no próximo ano”, continuou.
Atualmente, Lene exerce o cargo de chefe de gabinete do Ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho. Anteriormente, foi vereadora por quatro mandatos, secretária no governo do ex-prefeito João Magno e contribuiu para a estruturação do Consórcio Intermunicipal de Saúde do Vale do Aço (Consaúde). Ela afirma que a experiência adquirida irá contribuir na gestão do município, caso seja escolhida pelos ipatinguenses como prefeita.
“Não tem uma rua, não tem um canto desta cidade que eu não conheça os problemas vivenciados pelo povo. Conheço também, por ser gestora pública, como é que deve funcionar. Qual a concepção já da política da assistência social, do SUS, que a gente sabe que hoje tem tido um problema sério no atendimento, na área da educação, por ser pedagoga, a gente sabe da necessidade de fazer um trabalho para uma permanência do aluno na escola, em uma escola com qualidade, de um olhar especial para o funcionalismo público”, afirmou.
A pré-candidata acrescentou que pretende ter a “participação da sociedade na construção das políticas”.
Ascensão da direita no Vale do AçoA última vez que um petista venceu as eleições para prefeito no município foi em 2012, quando a atual vereadora, Cecília Ferramenta, foi eleita. O atual prefeito, Gustavo Nunes, foi eleito em 2018 se candidatando pelo PSL, mesma legenda em que Jair Bolsonaro (PL) foi eleito em 2018. Nas eleições gerais do ano passado, 59,40% dos eleitores de Ipatinga votaram em Bolsonaro, enquanto 33,88% optaram por Lula (PT). Para Lene, esse crescimento da direita ocorreu não só na região, como a nível nacional, pelos seguintes motivos: “A não aceitação da ascensão social e econômica daqueles que sempre estiveram à margem da sociedade. Usando o poder da mídia e o discurso hipócrita contra a corrupção, a classe social economicamente dominante iniciou o movimento antipetismo com o golpe do impeachment da Dilma [em 2016] e concluíram com a prisão injusta de Lula para tirá-lo da eleição de 2018, quando era favorito, para eleger um elemento questionável como Bolsonaro, usando e manipulando a fé daqueles que buscam amparo nas igrejas”, argumentou.
Contudo, ela afirma que a alternância de poder faz parte e é, inclusive, um elemento importante para a democracia. Lene acredita que assim como nas eleições para presidente, o PT tem chances concretas de voltar a ocupar a cadeira do Executivo ipatinguense.
“O que aconteceu foi uma alternância de poder, fato que considero importante para a democracia, e que permite à população avaliar o que é melhor para a cidade. O fato de Lula ter voltado à presidência é a prova disso. A população experimentou os governos de direita e extrema direita onde o capital sobrepõe ao social e optou pela volta do desenvolvimento com justiça social. Em Ipatinga, não acredito que será diferente”.
Programa de governo
Lene disse à reportagem que já está sendo feito um diagnóstico da cidade como um todo, e que seu plano de governo visa atacar os principais problemas do município, além de ser elaborado com a escuta popular. O setor da saúde e mobilidade urbana são enxergados pela pré-candidata como um dos principais problemas de Ipatinga.
“O formato para a elaboração desse programa de governo nós já temos traçado algumas linhas de ouvir mais a comunidade, de organizar dentro de eixos estruturantes, quais seriam as ações e intervenções políticas que nós podemos montar. Estamos na fase mais do diagnóstico da própria cidade, de como os atores sociais percebem que poderia ser um programa de governo com consistência, com qualidade, mas principalmente com viabilidade de execução”, ponderou.
Atual gestãoA petista afirmou que a administração atual tem pecado em termos de planejamento e aplicação dos recursos públicos e “está devendo muito ao povo de Ipatinga”.
No entendimento de Lene, trata-se de “um governo que está perdido em termos de planejamento, de organização, incapaz de gerir com competência as políticas públicas. Você procura, efetivamente, uma grande obra, uma grande ação política do atual governo no município e não vai encontrar. Você vai encontrar o desgaste, as denúncias de malversação de recursos públicos, dos espaços da saúde, que piorou demais na nossa cidade, da incapacidade mesmo de gestão”, declarou.
Ela ainda indagou qual seria a estratégia do atual gestor para o desenvolvimento econômico e para a inclusão social da cidade e criticou a falta de investimento no funcionalismo público. “É necessário entender a gravidade da falta de investimento em qualificação, em aperfeiçoamento, em capacitação, em valorização do servidor público, a ausência de uma previdência complementar, de um fundo complementar de previdência”, concluiu.