24 de outubro, de 2023 | 06:00
Vitória merecida
Fernando Rocha
O jogo em si não foi bom e os jogadores de ambos os lados ficaram devendo um grande espetáculo aos 41.058 torcedores presentes neste primeiro clássico disputado na Arena MRV, a nova casa do Galo.Com dois minutos de bola rolando, o Cruzeiro quase marcou por intermédio de Filipe Machado, aproveitando um cruzamento de Bruno Rodrigues.
Mas, em matéria de lances de perigo, ficou nisso, e o time do Atlético, mesmo jogando em sua casa, com a maioria da torcida a seu favor, foi uma caricatura do time que derrotou o Palmeiras na rodada anterior.
De maneira geral, a vitória do Cruzeiro foi merecida, pois jogou de forma corajosa, buscou mais o ataque, sobretudo, no segundo tempo, soube se defender com garra, raça, levando-se em conta as limitações técnicas de seus jogadores.
Muita garra
As mexidas no time do Galo, feitas pelo técnico Felipão, desta vez, não surtiram efeito. No intervalo, ele colocou Battaglia no lugar de Alan Franco e Jemerson no de Bruno Fuchs, que tinha tomado cartão amarelo.
Aos 15 minutos, sacou Zaracho para a entrada de Pavón, e Pedrinho entrou no lugar de Igor Gomes. Aos 39 minutos, Kardec ocupou o lugar de Battaglia, pensando em mandar todo o time ao ataque, mas, logo depois, sofreu o gol que deu a vitória à Raposa.
Já o técnico Zé Ricardo só mexeu no time na etapa final, a partir dos 17 minutos: Japa entrou no lugar de Kaiki, Rafael no de Arthur Gomes, Nikão no de Matheus Pereira e Mateus Vital no lugar de Lucas Silva.
Os jogadores que entraram deram conta do recado, não faltando muita garra a todo o time celeste, vontade para superar suas limitações técnicas e alcançar a vitória que lhe deu um respiro e uma motivação importante para seguir na luta contra o rebaixamento.
FIM DE PAPO
Antes de a bola rolar no primeiro clássico da Arena MRV, foi registrado um grande desrespeito, provocação inaceitável e desnecessária, por parte da diretoria do Atlético ou de quem administra o estádio, em relação aos cerca de 4 mil torcedores do Cruzeiro presentes. Sob a alegação de evitar prejuízos ao patrimônio do clube, portas, espelhos e papel higiênico foram retirados dos banheiros da área em que ficou a torcida do Cruzeiro. Como se não bastasse, a diretoria do Galo também cortou a venda de cerveja com álcool aos cruzeirenses.
Sei que muitos leitores, principalmente atleticanos, vão discordar da minha opinião, e respeito quem pensa o contrário. Acho que não é dessa forma, com provocações e atitudes extremas, que se resolve problemas como atos de vandalismo, falta de educação etc. Existem leis e a polícia para coibirem os abusos, tirar de circulação os infratores. Medir todos com a mesma régua, como fez a direção do Atlético, é inadmissível.
Vivemos um momento em nosso país de extrema intolerância, divisão política. Portanto, atitudes como essa da diretoria do Atlético contra a torcida do rival só servem para piorar as coisas, pois incentiva ainda mais o ódio e o radicalismo. A rivalidade histórica e sadia entre cruzeirenses e atleticanos é que faz deste um dos maiores clássicos do futebol brasileiro. Se esta rivalidade sadia se transformar em ódio e for tratada com extremismo, por ambas as partes, daqui há pouco não haverá mais clima para se ter duas torcidas no estádio, novamente.
Quem vai perder com isso são os torcedores e o espetáculo, mas parece que a SAF do Galo não se importa com tais coisas. Até porque se tiver uma torcida só, a sua, poderá abrir mais espaço para vender mais ingressos e aumentar o faturamento. Nós, mineiros, que amamos o futebol e sabemos da importância de uma rivalidade sadia entre atleticanos e cruzeirenses, não queremos que acontecimentos como o registrado na Arena MRV nesse primeiro clássico se repita. Respeito e caldo de galinha não fazem mal a ninguém. (Fecha o pano!)
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