
08 de outubro, de 2023 | 08:00
20 anos do Bolsa Família: ''é pouco, mas mesmo assim ainda ajuda''
Maria Izabel, de 49 anos, mora em Coronel Fabriciano com seus três filhos e o Bolsa Família é a sua única fonte de renda
Matheus Valadares
Maria Izabel afirma que o dinheiro do Bolsa Família ajuda, mas não é o suficiente; Desempregada, ela aguarda uma oportunidade de trabalho
Matheus Valadares - Repórter Diário do Aço 
Para mim, que estou sozinha em casa, o Bolsa Família me ajuda, só que o dinheiro é pouco. Mas mesmo assim, ainda ajuda”, diz Maria Izabel, de 49 anos, beneficiária do programa de distribuição de renda do governo federal, que em outubro de 2023 completa 20 anos de existência.
Izabel se mudou para Coronel Fabriciano quando tinha apenas dois anos. No Vale do Aço, casou-se e constituiu uma família, morando na rua Tupinambás, no bairro Caladinho.
Em 2007, a mulher foi orientada a se inscrever no programa, e desde então participa dele. Na época, o marido trabalhava de carteira assinada em uma empresa da região, e ela tinha apenas um filho, o primogênito de três.
Eu comprava as coisas para casa, leite, alimentos, então posso dizer que ajudou bastante”, relembra Izabel. Ao longo do tempo, o Bolsa Família me ajudou bem”.
Hoje o Bolsa Família ainda é muito bem-vindo, mas não tem sido o suficiente para atender todas as necessidades básicas da família. Izabel conta que atualmente está desempregada e que enfrenta um processo de divórcio, em que o pai de seus filhos saiu de casa há cerca de três anos.
Arquivo pessoal
Júlia Restori, assistente social, comenta sobre os avanços proporcionados pelo Bolsa Família

O Bolsa Família é a única renda de Izabel, que recebe o valor mínimo de R$ 600,00, mais R$ 150,00, por receber R$ 50,00 por cada filho entre sete e 17 anos.
Júlia Restori, assistente Social e presidente do Conselho Regional de Serviço Social (CRESS/MG) por dois mandatos (2017-2020/2020-2023), afirma que se deve celebrar a existência do Bolsa Família, mas que em alguns casos, como o de Maria Izabel, ele tem um papel maior do que deveria.
Comemorar 20 anos deste programa significa que o Brasil reconhece que existem pessoas em situação de vulnerabilidade social que precisam de uma complementação de renda, que a priori, deveria ser apenas uma transferência de renda, mas nós sabemos que em algumas situações ele se torna a única renda de algumas famílias”, diz a especialista.
Para conseguir levar o básico para dentro de casa, Izabel conta com ajuda de terceiros, principalmente o de seu pai, que mora na casa ao lado e auxilia com a quitação das contas de energia e água. Ela relatou à reportagem do Diário do Aço que também recebe ajuda de amigos e membros da igreja.
Tratamento de saúde
Maria Izabel foi diagnosticada com humor crônico, com sintomas disfóricos e intenso conteúdo negativo e pensamentos intrusivos de difícil controle. Devido ao tratamento, ela precisa tomar uma grande carga de remédios, que como efeitos colaterais, causam sonolência. No mês de setembro, ficou a cargo do pai a compra dos medicamentos.
Sonho de voltar a trabalhar
Apesar da transferência de renda vinda do Bolsa Família, Izabel relata que tinha o sonho de não precisar mais do programa. Na verdade, a gente não quer ajuda do governo. A gente quer oportunidade de emprego, para receber um salário digno e comprar nossas coisas”, conta.
A importância do Bolsa Família
Para Júlia Restori, o programa tem sido uma importante ferramenta para romper os ciclos de pobreza das famílias e tem gerado impactos nas vidas dos brasileiros mais necessitados. Além disso, ele oferece um acompanhamento próximo das famílias, promovendo uma ação intersetorial, principalmente entre as políticas públicas de saúde, educação e assistência social, garantindo o direito do cidadão.
Significa um acompanhamento das condicionalidades da saúde, para que as famílias consigam ter as condições adequadas, que as crianças tenham o cartão de vacinação em dia”, argumenta a especialista.
Bolsa Família
O novo Bolsa Família, retomando neste ano, no lugar do Auxílio Brasil, paga a cada família o valor mínimo de R$ 600,00. Além disso, também são pagos R$ 150 a cada criança de até seis anos, e R$ 50 pagos a cada criança/adolescente de sete a 17 anos e gestantes.
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Tião Aranha
08 de outubro, 2023 | 20:14Esse sonho de não precisar mais desse dinheiro do bolsa esmola ainda vai durar por muitos anos. Mais triste ainda é saber que na região Norte tem cidades inteiras que a principal renda que movimenta essas cidades é esse dinheiro que essas famílias recebem - já que elas não têm outras rendas. Não é uma nem duas cidades não. São várias. A quem esses bolsões de miséria interessa?”
J
08 de outubro, 2023 | 11:23Muito bem empregado o bolsa família, porém tem que tomar cuidado pra não ficar passando de geração em geração, portanto é de extreama importancia as politicas públicas. Educação de qualidade, saúde, segurança etc. Mas isto faz perder votos!”