01 de outubro, de 2023 | 06:00

Clássico é atração

Fernando Rocha

O clássico Cruzeiro x América, pela 25ª rodada do Campeonato Brasileiro, é a grande atração deste domingo, 16h, no Mineirão que deverá receber um excelente público superior a 40 mil pessoas.

O último clássico entre os dois velhos rivais terminou com uma goleada surpreendente da Raposa, 4 x 0, gols de Dourado, Marlon e dois de Gilberto, que caiu muito de produção e hoje estará no banco de reservas.

Antes, o Cruzeiro havia derrotado o Coelho, no Mineirão, somente em abril de 2019, ou seja, há mais de quatro anos; um longo jejum mesmo considerando o hiato de três anos quando o time celeste figurou na Série B e o América, na Série A nacional.

O técnico Zé Ricardo tem uma dúvida no ataque para definir o time titular do Cruzeiro, com tendência a improvisar Nikão de falso 9, formando o trio ofensivo com Wesley e Arthur Gomes.

O América tem vários desfalques de titulares por suspensões e contusões, sendo os mais preocupantes do zagueiro Maidana, além dos atacantes Felipe Azevedo e Martinez.

Toca 3
A partir do clássico de hoje contra o América, o Cruzeiro passa a desfrutar na prática a condição de único “dono” do Mineirão, maior palco do futebol mineiro, que sua torcida chama de “Toca 3”.

Nesta temporada, a Raposa ainda não venceu como mandante no “Gigante da Pampulha”, mas é preciso considerar que jogou pouco devido à briga da SAF que administra o clube, reivindicando melhores condições no contrato de utilização com a empresa que administra o Mineirão.

Ficou claro que a briga não foi boa para a SAF/Cruzeiro, principalmente, porque a segunda opção é o Independência, que possui praticamente um terço da capacidade do Mineirão e não caiu nas graças da torcida.

Sem um plano B, Ronaldo e sua equipe tiveram de recuar e negociar, mas, enquanto isso, a administração do Mineirão adotou uma política agressiva no segmento de lazer e cultura, com uma agenda louca de shows que praticamente destruiu o gramado, a ponto de torna-lo impraticável à prática de futebol.

Fato é que após a inauguração da Arena MRV pelo rival Galo, já tendo o Coelho a sua própria casa há algum tempo, a China Azul vê agora, mais do que nunca, o “Gigante da Pampulha como a sua casa e, por isso, espera que aconteça o mais rápido possível um acordo pacífico que seja bom para todas as partes.

FIM DE PAPO

O zagueiro Jemerson foi o personagem negativo da última semana, ao bater o carro numa árvore, às 5h da madrugada, no condomínio onde mora em Lagoa Santa, região metropolitana da capital, a poucos quilômetros da Cidade do Galo. Inicialmente, como de costume, a assessoria de imprensa do jogador tentou blindá-lo, dizendo que um amigo seu estava dirigindo o veículo. Depois, teve de admitir que era o próprio zagueiro quem conduzia do veículo. Não vou fazer juízo de valor, até porque o Jemerson tem 31 anos e não é mais um garoto, mas é, no mínimo, estranho um jogador profissional às 5h da madrugada na rua, sendo que à tarde teria de treinar para defender o clube que paga seu salário. O Atlético o teria advertido e multado por isso.

Vacilos como este do zagueiro do Galo são, hoje, cada vez mais raros de vir a público no meio dos jogadores de grandes clubes. Os motivos para isso são vários, um deles é que hoje os atletas estão mais bem orientados, fiscalizados por seus empresários, assessores, que são muitos e ganham bem para isso. Com a internet, vieram as redes sociais e sempre há um celular para filmar e denunciar os excessos.

Mas é claro que as baladas continuam, de preferência em casas de amigos, onde o único item proibido é usar o celular. O jogador que entra nessa vida dúbia, na maioria das vezes, não consegue se manter em forma, cai de produção e põe sua carreira em risco. Nas últimas quatro décadas de vivência nesse meio, como jornalista, presenciei vários casos de jogadores que tinham tudo para ter sucesso e ganhar muito dinheiro, mas suas carreiras não decolaram por conta do extracampo. Um destes que me lembro, promissor atacante de 18 anos, fazia muitos gols pelo Ipatinga, que na época tinha recebido várias propostas para negociá-lo por uma boa grana.

Diante de boatos sobre mau-comportamento do atleta, o então presidente do Tigre, Itair Machado, mandou vigiá-lo 24 horas por dia. Recebeu, então, um aviso de que estaria em um forró no Bom Retiro, na véspera de jogo importante pelo campeonato estadual. Ao chegar ao local, Machado procurou sem êxito pelo seu pupilo, por todos os cantos, e já estava quase desistindo quando o avistou no palco, com um triangulo nas mãos, batucando junto ao conjunto musical que animava o baile. Apesar de todos os esforços feitos pela diretoria do Tigre, a carreira do jovem promissor artilheiro não foi adiante. (Fecha o pano!)
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