12 de setembro, de 2023 | 07:00

''Número de adolescentes em sofrimento mental vem aumentando devido ao estilo de vida da sociedade'', alerta psicóloga

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''A primeira forma de promover saúde para os adolescentes é garantir-lhes os direitos fundamentais'', sugeriu a psicóloga ''A primeira forma de promover saúde para os adolescentes é garantir-lhes os direitos fundamentais'', sugeriu a psicóloga
Stéphanie Lisboa - Repórter Diário do Aço
A ocorrência de autoextermínio é uma realidade que atinge o mundo todo. Falar desse tema que, para muitos ainda é considerado como um tabu, é fundamental. A última pesquisa realizada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), em 2019, revelou que são registrados mais de 700 mil suicídios em todo o mundo, sem contar os episódios subnotificados. No Brasil, os registros se aproximam de 14 mil casos por ano.

E engana-se quem pensa que os problemas emocionais e psicológicos se limitam apenas aos adultos. Os mais jovens não estão blindados. Dados divulgados pelo Ministério da Saúde, no ano passado, mostraram uma realidade preocupante: o número de suicídios entre os mais jovens vem crescendo no país. Entre 2016 e 2021 houve um aumento de 49,3% nas taxas de mortalidade de adolescentes de 15 a 19 anos, chegando a 6,6 por 100 mil, e de 45% entre adolescentes de 10 a 14 anos, chegando a 1,33 por 100 mil.

A psicóloga Roberta Bello, que atua em uma clínica especializada em atendimento para adolescentes em Ipatinga, explicou à reportagem do Diário do Aço que o número de adolescentes em sofrimento mental vem aumentando por causa do estilo de vida da sociedade. “Hábitos de vida poucos saudáveis e aí inclui-se alimentação, a falta da prática de atividade física, do acesso ao lazer estruturante, pouco contato com a natureza, pouco sol. Porém essa demanda está reprimida, pois muitos dos sinais e sintomas ainda são atribuídos à padrões da ‘difícil fase da adolescência’”, salientou.

Suicídio
A profissional explicou que para o autoextermínio ocorrer há de existir alguma disfunção orgânica e/ou mental e/ou espiritual (busca de significado e sentido para a vida) que pode se observar no comportamento, nas emoções e na forma de pensar do adolescente. “O limiar de sofrimento é individual e atrelado a isso tem a resiliência, capacidade do indivíduo de resolver os problemas. O suicídio é uma forma de resolver o problema pessoal quando a desesperança, o desespero e desamparo estão fortemente presentes e o adolescente não enxerga formas alternativas de acabar com tamanha dor”, esclareceu a profissional.

Prevenção
Para prevenir a ocorrência de casos de suicídio, Roberta defende que a primeira forma de assegurar a saúde aos adolescentes é garantir os direitos fundamentais estabelecidos no Estatuto da Criança e do Adolescente. “Direito à Vida e Saúde; Direito à Liberdade, respeito e dignidade; Direito à convivência familiar e comunitária; Direito à Educação, cultura, esporte e lazer e Direito à profissionalização e proteção no trabalho”, pontuou.

Mas conforme observou a psicóloga, não basta que esses direitos fiquem apenas no papel. “Colocar isso em prática que é difícil, né? Uma forma que nos ajuda a encontrar caminhos é entender que a adolescência é uma fase de vida com muita alteração hormonal, com o desafio de construir uma personalidade estável e constante e encontrar o meio social com o qual ele se identifica. Qualquer ser humano precisa de hábitos saudáveis para que o corpo humano funcione bem”, disse. Além dos hábitos saudáveis, é preciso que o adolescente receba apoio na experiência da vida. “Para aprender a lidar com os desafios que a existência nos impõe”.

Família
A psicóloga salientou que a família tem papel importante na garantia dos direitos do adolescente. “Geralmente, a família é fonte primária de apego, afeto, de princípios morais e éticos. É aquela coisa do beijo da mão que sara. De fato, não sara o estrago no corpo físico de imediato, mas o afeto ali envolvido é determinante como o sujeito lida com a experiência”, exemplificou.

Setembro Amarelo
Anualmente é realizada a campanha “Setembro Amarelo”, mês de prevenção ao suicídio. Em 2023, o lema da iniciativa é: “Se precisar, peça ajuda!”.
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