30 de agosto, de 2023 | 14:00
Opinião: Neutralidade de carbono: agora todos podem contribuir e participar
Antônio Nahas Jr. *
A luta contra as mudanças climáticas e pela redução da emissão de Gases Efeito Estufa (GEEs) na atmosfera, agora poderá envolver clubes cujos sócios se interessem; edifícios; cidades e até mesmo ser organizada por organizadores de eventos. Isto porque a ABNT - Agencia Brasileira de Normas Técnicas - divulgou norma denominada ESPECIFICAÇÃO RECOMENDADA PARA NEUTRALIDADE DE CARBONO, que coloca todos os passos necessários para a prática recomendada. Os benefícios para sua aplicação previstos seriam, entre outros: maior defesa do consumidor; declarações precisas e verificáveis de neutralidade de carbono que não sejam enganosas; redução de desentendimentos entre parceiros comerciais. Para os organizadores, além de prestígio, poderá gerar receitas e abrir novos mercados.A norma pode ser aplicada a governo regional ou local; comunidades; organizações, empresas, clubes ou grupos sociais; famílias; indivíduos; edifícios; produtos; cidades ou eventos. Enfim: deixou de ser uma atividade e responsabilidade exclusiva das empresas. Agora será de todos nós; de toda a sociedade.
A cada Tonelada de carbono emitida, a entidade deverá adquirir
créditos de carbono equivalentes à mesma quantidade emitida”
A Especificação da ABNT centra seu foco nas atividades contínuas - aquelas que se repetem diariamente, como comércio, indústria, saúde, educação. Define preliminarmente três escopos: o Escopo 1, ou emissões diretas, quando a emissão é feita diretamente pela entidade; o Escopo 2, decorrente da emissão das fontes de energia utilizadas e o Escopo 3, quando a emissão é realizada por atividades correlatas à principal. Assim, as atividades de transporte de uma empresa - seja para entrega de matérias primas, seja para entrega das mercadorias - também entra na contabilização da emissão dos GEEs.
Definidos os escopos, passa à proposição de três estágios básicos de ação. O primeiro deles, é o inventário da emissão de carbono, ou seja, o marco inicial que dará origem às políticas de redução das emissões. Neste inventário, será necessário percorrer os três escopos de forma metódica, para que este seja preciso e verificável por auditoria externa.
O segundo estágio é o comprometimento da entidade com a neutralidade climática. Ou seja: não se trata de algo momentâneo, circunstancial, mas o estabelecimento de premissas que venham a servir de base para elaboração e implementação de medidas que a implantem de forma permanente.
A meta de médio e longo prazo será a redução
a níveis mínimos ou a eliminação das emissões”
O terceiro estágio é a redução comprovada da emissão dos GEEs, entre os quais o carbono. Em muitos casos, isto demandará tempo; modificações tecnológicas; investimentos. Em alguns setores da economia, poderá levar anos, até mesmo décadas.
Nem sempre será possível a eliminação completa das emissões. A Norma estabelece então que, no primeiro momento, a entidade poderá reduzi-la parcialmente e, ao mesmo tempo, praticar políticas compensatórias, que apresentem a mesma significação climática que a emissão de GEEs que ainda está sendo feita.
Ou seja: a cada Tonelada de carbono emitida, a entidade deverá adquirir créditos de carbono equivalentes à mesma quantidade emitida, que tenha sido sequestrada da atmosfera, ou compensar de outras formas definidas pela sociedade.
Esta compensação deverá ser feita por tempo definido. A meta de médio e longo prazo será a redução a níveis mínimos ou a eliminação das emissões.
Abrem-se então amplas possibilidades para a consolidação de um mercado de crédito de carbono. Florestas, parques, áreas reflorestadas passam a ganhar novo valor econômico na sociedade, podendo gerar receitas importantes por conseguirem contribuir para a limpeza da nossa atmosfera.
Parece complicado, mas é bem simples. O mais importante é começarmos a colocar a importância da neutralidade climática nas nossas ações cotidianas.
* Economista, especializado em gestão financeira. Fundador, Presidente e diretor de Sustentabilidade da NMC integrativa
Obs: Artigos assinados não reproduzem, necessariamente, a opinião do jornal Diário do Aço
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