30 de julho, de 2023 | 08:00
Dores da chikungunya: gravidade dos sintomas varia de pessoa para pessoa, explica ortopedista
Doença pode evoluir em três fases, uma delas é a crônica, quando as dores persistem por um período mais longo
Arquivo pessoal
O médico ortopedista Daniel Oliveira falou sobre a doença e as medidas que podem ser adotadas para amenizar as dores
Stéphanie Lisboa - Repórter Diário do Aço
O médico ortopedista Daniel Oliveira falou sobre a doença e as medidas que podem ser adotadas para amenizar as dores Neste ano, o número acentuado de casos de febre chikungunya chamou atenção das pessoas. Em Minas Gerais, até o dia 24 de julho, segundo Painel Arboviroses, ferramenta da Secretaria de Estado de Saúde (SES-MG), foram registrados, em relação à febre chikungunya, 84.266 casos prováveis da doença, dos quais 61.374 foram confirmados. Ainda conforme os dados disponibilizados pela pasta, 32 óbitos foram confirmados e outros 15 estão em investigação no estado.
Na Região Metropolitana do Vale Aço (RMVA), foram catalogados 5.934 casos prováveis de chikungunya, sendo que 5.683 foram confirmados, distribuídos da seguinte forma: Coronel Fabriciano (126), Ipatinga (5.077), Santana do Paraíso (257) e Timóteo (223). Das quatro cidades que compõem a RMVA, apenas uma registrou óbito. Em Ipatinga, uma pessoa faleceu por causa da arbovirose.
Relatos são recorrentes
A chikungunya, doença infecciosa febril cujo agente etiológico é transmitido pela picada de fêmeas infectadas do mosquito do gênero Aedes, se tornou assunto em muitas rodas de conversa, especialmente pelo relato de pessoas que convivem com as dores intensas nas articulações. Situação vivida pela Eléia Alves de Souza, moradora do bairro Iguaçu, em Ipatinga. A manicure descobriu que estava com a arbovirose no dia 8 de julho, e desde então as dores a acompanham. O início foi mais difícil. Dores no corpo, nos dedos, nas mãos ao ponto de não conseguir segurar um copo e nem fechar as mãos, dores nos pés, dores de cabeça, febre”.
Eléia ainda continua a sentir dores e, para tentar aliviar o desconforto, recorreu a algumas medidas. Consultas médicas, injeções, remédios naturais”, detalhou. Mesmo assim, o problema perdura e o temor é que continue por mais tempo. Tenho medo sim de persistirem e virar um reumatismo”, confidenciou. Para além do desconforto, segundo Eléia, as dores atrapalham sua rotina, inclusive seu ofício. Atrapalha e muito no meu trabalho. Perco as forças”.
Ministério da Saúde
Além das dores intensas nas articulações, são sintomas da chikungunya: febre, dor nas costas, pelo corpo, erupção avermelhada na pele
Além das dores intensas nas articulações, são sintomas da chikungunya: febre, dor nas costas, pelo corpo, erupção avermelhada na peleArtralgia
Segundo Ministério da Saúde, em mais de 50% dos casos, a artralgia (dor nas articulações) torna-se crônica, podendo persistir por anos. Mas, como amenizar essas dores? Existe algum tratamento? Métodos alternativos podem ser uma saída? Para responder a essas perguntas, a reportagem do Diário do Aço conversou com o médico ortopedista especializado em coluna vertebral e diretor do Núcleo de Ortopedia e Traumatologia (NOT), Daniel Oliveira.
Questionado se é comum que a dor persista por um longo período de tempo, o ortopedista explicou que a gravidade dos sintomas varia de pessoa para pessoa. Existem aqueles que apresentam casos leves ou assintomáticos da doença, enquanto outras podem desenvolver sintomas mais graves”, esclareceu.
De acordo com o médico, a doença pode evoluir em três fases: Em um período curto, conhecido como fase aguda e que tem duração de até 14 dias. Outros evoluem para a fase subaguda, que é até três meses, e existem aqueles que vão para a fase crônica, com dores que podem persistir entre cinco a dez anos”, relatou Daniel.
Alívio das dores
O ortopedista afirmou que os profissionais de saúde podem oferecer tratamentos adequados, terapias de suporte e medidas para aliviar a dor crônica, além de fornecer orientações sobre como gerenciar a condição a longo prazo. Ou seja, existem recursos para amenizar as dores, mas o profissional faz um alerta.
Vale lembrar que o tratamento varia de pessoa para pessoa e pode incluir medicamentos analgésicos de venda livre, como paracetamol e ibuprofeno, que podem ajudar a reduzir a dor e a inflamação nas articulações, ou em casos mais graves, o médico pode prescrever analgesias mais potentes ou outros medicamentos anti-inflamatórios”.
Além da medicação, outras ferramentas disponíveis podem auxiliar, como a fisioterapia e os exercícios leves e de baixo impacto. Outra opção é o uso de compressas (quente e fria) e géis de massagem para amenizar as dores, gerando conforto. Para além de tudo que foi mencionado, o médico destacou a importância de manter acompanhamento médico.
É essencial que a pessoa se mantenha em acompanhamento com profissionais de saúde para monitorar a evolução da dor e avaliar a necessidade de ajustes no tratamento”, observou Daniel.
Métodos alternativos
Diante do desconforto gerado pelas dores, há quem recorra a vários meios que possibilitem a redução do incômodo, como a utilização de métodos alternativos. Para o ortopedista, essa pode ser uma opção válida em algumas circunstâncias, desde que seja feita com cautela e sob orientação de profissionais de saúde.
Algumas alternativas terapêuticas, como acupuntura, massagem, yoga, meditação e fitoterapia, podem ser consideradas como complementares ao tratamento médico convencional para aliviar a dor e melhorar o bem-estar geral do paciente, mas precisam ter comprovação científica de eficácia e segurança”, salientou o médico.
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Emiliane Veiga Rodrigues
01 de agosto, 2023 | 07:38Sou fisioterapeuta e meus pacientes estão obtendo excelentes melhoras e devagar vamos vencendo!”
Franklin
30 de julho, 2023 | 13:10O diagnóstico rápido ajuda no tratamento. Mas o resultado demorado da rede pública não está ajudando. Tem dois meses que fiz o exame e até o presente momento ainda não chegou.”
Gildázio Garcia Vitor
30 de julho, 2023 | 12:10Esta tal de chikungunya é poderosa mesmo. Comecei com os primeiros sintomas em 1° de março, fui internado na madrugada do dia 2 e só tive alta dia 6 com um relatório para o reumatologista. Tomei um anti-inflamatório por 4 meses e continuo com o remédio do Bolsonaro, a Hidroxicloroquina, pelo menos por mais uns 40 dias.”