29 de julho, de 2023 | 08:31
Censo 2022 aponta que Vale do Aço possui cerca de 1.500 quilombolas
Hálesi Carvalho (Arquivo PMAD)
Igreja São Benedito da comunidade Quilombola Comunidade Indaiá, em Antônio Dias
Silvia Miranda Repórter Diário do Aço
Igreja São Benedito da comunidade Quilombola Comunidade Indaiá, em Antônio DiasO Censo demográfico 2022 aponta 1.531 moradores quilombolas na região do Colar Metropolitano do Vale do Aço. Belo Oriente, Açucena e Antônio Dias são os municípios que aparecem com maior população quilombola da região.
Estes são os primeiros resultados da pesquisa Censo 2022 Quilombolas, divulgados na quinta-feira (27) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Os números apontam que dos 5.568 municípios brasileiros, 1.696 possuem moradores quilombolas.
Ainda conforme dados divulgados pelo Censo, a população quilombola residente no Brasil é de 1.327.802 pessoas, correspondendo a 0,65% da população. Minas Gerais tem a terceira maior população quilombola do Brasil: 135.310 pessoas. O número representa 10,1% do total do país.
Quilombola
O termo é usado para identificar aqueles "remanescentes de comunidades dos quilombos". Entre os séculos XVI e XIX, os quilombos (comunidades) foram criados por escravizados que fugiam do regime de violência. Esses espaços de liberdade e resistência se espalharam por todo o país.
Cem anos depois da abolição da escravidão, a Constituição de 1988 criou a nomenclatura "remanescentes das comunidades dos quilombos" e definiu que a essas pessoas que estejam ocupando terras deve ser reconhecida a propriedade definitiva do espaço, "devendo o Estado emitir-lhes títulos respectivos". Ao longo do tempo, a expressão usada na Constituição foi sendo substituída pelo termo "quilombola".
Mais números
Dentre os 853 municípios mineiros, há quilombolas em 323 (37,8%). Em todo o Brasil foram registrados 1.696 municípios com população quilombola e 473.970 domicílios particulares permanentes com esses moradores.
O coordenador regional do IBGE no Vale do aço, Douglas Menezes, explica que a amostra foi feita a partir de uma pré-classificação de requisitos que se enquadram como quilombola, e partir disto o IBGE separou por regiões e nestas regiões as pessoas foram perguntadas se consideravam ser um quilombola. Assim a contagem é feita por meio desta autodeclaração.
Vale do Aço
Os resultados da pesquisa quilombola nos municípios do Colar Metropolitano do Vale do Aço apontam que Belo Oriente é o município com maior número de quilombolas, 897 pessoas; em Açucena existem 262; e em Antônio Dias são 234; Braúnas registrou 52 moradores quilombolas; Ipatinga 39; Periquito 16 e Santana do Paraíso 31.
Os números são de população fora de territórios quilombolas, que são aquelas áreas formalmente delimitadas e reconhecidas. Ainda conforme o coordenador regional do IBGE, em municípios que não apresentam números de quilombola, não significa que não existem, mas sim que podem ser números inferiores.
A pesquisa
O Censo 2022 investigou pela primeira vez o pertencimento étnico quilombola de pessoas residentes em localidades quilombolas. Este levantamento apresenta um conjunto inédito de informações básicas sobre pessoas quilombolas residentes no Brasil, sobre domicílios particulares permanentes ocupados com pelo menos um morador quilombola e, ainda, domicílios localizados em territórios quilombolas oficialmente delimitados. Os dados foram detalhados por unidades da federação, municípios, Amazônia Legal e territórios quilombolas oficialmente delimitados.
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