Silvia Miranda - Repórter Diário do Aço Um dos mais belos prédios da região, um importante cartão-postal de Coronel Fabriciano está com sua história ameaçada. A situação do prédio Colégio Angélica, situado na rua Maria Matos, preocupa e entristece que passa pelo Centro. Depois de muitos anos ameaçado de fechar, a tradicional instituição encerrou suas atividades em dezembro de 2022. E agora a situação do imóvel é de abandono.
Muito conhecido por sua influência religiosa na formação dos alunos, o Angélica sempre contou com o apoio das freiras carmelitas em sua administração e supervisão pedagógica. Mas em 2011 a revelação de uma crise financeira iniciava uma verdadeira novela sobre a possibilidade de fechar as portas.
Silvia Miranda
Em 2015 foi decretado o tombamento histórico municipal de todo o prédio
Depois de muito apelo, protestos e campanhas de pais e ex-alunos, o colégio continuou funcionando. Mas em 2015 uma nova crise voltava a assombrar o Angélica. E no ano de 2016, a escola passou a ter um novo responsável administrativo: o Instituto Católico de Minas Gerais (ICMG), para o gerenciar a educação infantil e os ensinos fundamental, médio e curso técnico.
AbandonoMas 2022 foi de fato o último ano de funcionamento da escola que atualmente se encontra fechada. E a situação do imóvel é de descaso. O gramado em frente ao prédio não tem recebido manutenção e parte dele tem se transformado em depósito de lixo e foco de dengue.
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Abandonado e sem manutenção, jardim do colégio vira depósito de lixo e foco de dengue
O prédio estava alugado para o ICMG, mas ainda pertence à Congregação das Irmãs Carmelitas da Divina Providência. A reportagem do Diário do Aço falou por telefone com a irmã Nair Cristina, que se limitou a dizer que até então o imóvel foi entregue recentemente e por isso ainda não há definição sobre o seu futuro.
Tristeza O empresário João Damasceno tem uma longa história com o Colégio Angélica, todas as suas irmãs estudaram na instituição e ele também foi professor na escola por 17 anos, tendo um convívio direto com as irmãs Carmelitas. Mas ver o prédio na atual situação tem sito motivo de preocupação e tristeza.
“O colégio é um patrimônio não só de Fabriciano, porque foi referência pra toda região. Ver a situação em que ele se encontra é lamentável, eu fico com o coração partido em ver o abandono e o descaso em que o prédio se encontra”, lastima.
EspeculaçãoAlém do edifício histórico, o colégio possui uma grande área externa que era usada como pátio de recreação pelos alunos. Sua localização na área central de Fabriciano torna o patrimônio ainda mais valorizado comercialmente. O risco de ser vendido e ter todo o seu passado demolido é um temor para muitos fabricianenses.
HistóriaA Escola Normal Nossa Senhora do Carmo e Ginásio Angélica, popularmente conhecida como Colégio Angélica, foi fundada em 1950 pelo arcebispo de Mariana, Dom Helvécio Gomes de Oliveira. O colégio foi criado para atender à demanda das famílias que vinham trabalhar na construção do parque siderúrgico e industrial do Vale do Aço.
O nome foi uma homenagem à mãe de Joaquim Gomes, então superintende da Companhia Siderúrgica Belgo-Mineira, empresa que doou o terreno para a construção do prédio. A estrutura atual foi inaugurada em 1956 e até 1968 teria funcionado em regime de internato, para hospedar as adolescentes das cidades vizinhas que vinham a Fabriciano concluir o antigo ginásio e magistério.
Patrimônio O prédio imponente foi inspirado no estilo colonial clássico, com janelas de madeira que cobrem quase todos os planos. A fachada foi tombada como patrimônio cultural fabricianense em 1997, mantendo todo o projeto original. Em dezembro de 2015, já com várias ameaças de fechamento da instituição, foi decretado o tombamento municipal de todo o prédio, proibindo qualquer alteração em sua estrutura física e retirada de bens materiais.
Conselho do Patrimônio Histórico busca soluções
Em nota publicada nesta quarta-feira (19), a administração municipal de Coronel Fabriciano reforçou que, como se trata de uma propriedade particular, a responsabilidade de manutenção e zeladoria do imóvel é de seus proprietários.
O Executivo disse ainda que o Conselho Municipal do Patrimônio Cultural agendou uma reunião em caráter de urgência para encontrar uma solução para a preservação do patrimônio. “Com as deliberações a serem dadas pelo referido Conselho, deverão ser apontados os caminhos administrativos e jurídicos a serem adotados”, concluiu a nota.