Polícia suspeita que morte de travesti pode ser vingança, em Ipatinga

Cláudia teria se envolvido em um homicídio em 2019 ao dar fuga ao suspeito na época, autor que foi assassinado neste ano

19/07/2023 às 10:23
Reprodução
Cláudia, como era conhecida, morreu a tiros na noite de terça-feira em um bar no Jardim Panorama

O assassinato de uma travesti conhecida pelo nome social "Cláudia", pode ter ligação com dois homicídios ocorridos em Ipatinga anteriormente. José Ranulfo da Costa, de 52 anos, ou Cláudia, como também era conhecido, foi morto a tiros em um bar localizado na rua Serra do Mar, no bairro Jardim Panorama. No atentado praticado por dois criminosos em uma moto, saiu ferida também uma mulher de 58 anos, atingida por dois tiros.

O crime foi praticado por volta das 19h15 de terça-feira (18), quando os dois assassinos chegaram em uma motocicleta de cor cinza, possivelmente uma Honda Fan. Eles pararam o veículo no outro lado da rua, o passageiro desembarcou e foi em direção à Cláudia. A travesti conversava com M.S., de 58 anos, na calçada em frente ao bar, onde bebiam cerveja.

O assassino aproximou-se e abriu fogo contra a travesti, que morreu na hora. Dois tiros acertaram a outra vítima que saiu correndo para o interior bar na tentativa de buscar refúgio. O autor do crime aproximou-se de Cláudia, sentada em uma cadeira, e disparou um último tiro na cabeça para ter certeza que ela morreria.

Wellington Fred

Em seguida o marginal voltou correndo para o comparsa que o aguardava e os dois fugiram pela rua Passo Fundo sentido à avenida JK e depois desapareceram, possivelmente rumo ao bairro Caravelas. Uma equipe do SAMU chegou para socorrer as vítimas, porém Cláudia já se encontrava em óbito sentada em uma cadeira.

A mulher que sobreviveu foi socorrida e encaminhada ao Hospital Márcio Cunha. Ela foi atingida na perna direita e no tórax e foi submetida a uma cirurgia para a retirada dos projéteis. A Polícia Militar apurou que a vítima encontra-se bem e, a princípio, sem risco de morte.

Imagens de câmeras confirmam a dinâmica do crime

As equipes da PM conseguiram imagens de câmeras de segurança nas proximidades, que confirmaram a dinâmica do crime mediante as informações repassadas pelas testemunhas. No local, além da perícia da Polícia Civil, compareceu uma equipe da Delegacia de Homicídios de Ipatinga.

Os trabalhos da perícia constataram seis perfurações de entrada e saída de projéteis no corpo de Cláudia, os tiros o tórax e a cabeça. O cadáver da trans foi removido pela Funerária Paraíso para o Instituto Médico-Legal (IML) de Ipatinga.

O Diário do Aço apurou que Cláudia morava no distrito de Cachoeira do Vale, em Timóteo. Ela constantemente ia para a Itália e, segundo um irmão que conversou com a reportagem no local do crime, ultimamente não teria relatado qualquer situação de ameaça sofrida. “Não tinha muito contato, mas estive com ela no fim de semana e estava tranquila”, comentou.

Cláudia deu fuga a um suspeito de homicídio em 2019

Apesar desta tranquilidade, a reportagem apurou com fontes da polícia que José Ranulfo, a Cláudia, teria se envolvido em um homicídio em 2019. O crime teria ocorrido em 4 de maio na rua da Comunidade, no Morro do Sossego, no bairro Veneza II, tendo como vítima
vítima foi executada por dois homens na rua Passos Dourados, no Morro do Sossego, ao lado de uma motocicleta.

O assassinato de Cláudia na noite de terça-feira, no Jardim Panorama, conforme suspeita a polícia, seria desdobramentos destas duas situações. Dois suspeitos de cometerem o homicídio da travesti foram identificados. Informações indicaram que eles iriam vingar a morte de Douglas, pois ficaram sabendo que a travesti havia chegado da Itália havia poucos dias.

Um destes suspeitos, de 28 anos, teria furtado uma motocicleta do sogro, uma Honda Fan de cor escura, e possivelmente essa moto foi utilizada na fuga após a execução de Cláudia. Um outro suspeito, de 36 anos, chegou a ser localizado e encaminhado para prestar esclarecimentos à Polícia Civil. Ele nega ter qualquer envolvimento no crime, que ainda é apurado pela polícia.

[video98586" target="_blank"> https://www.diariodoaco.com.br/noticia/0067936-homicidio-no-morro-do-sossego-em-ipatinga|Diogo de Melo Alves, de 30 anos, conhecido como Carioca.

Cláudia teria ajudado a um dos suspeitos do homicídio, Douglas de Jesus, de 29 anos, a fugir do local do crime, acionando um táxi logo depois do homicídio e ambos foram para o distrito de Revés do Belém, em Bom Jesus do Galho. Neste local a PM conseguiu localizar e prender o suspeito.

Porém, Douglas acabou assassinado a tiros no fim da noite de 18 de março deste ano, conforme divulgou o Diário do Aço na época. A vítima foi executada por dois homens na rua Passos Dourados, no Morro do Sossego, ao lado de uma motocicleta.

O assassinato de Cláudia na noite de terça-feira, no Jardim Panorama, conforme suspeita a polícia, seria desdobramentos destas duas situações. Dois suspeitos de cometerem o homicídio da travesti foram identificados. Informações indicaram que eles iriam vingar a morte de Douglas, pois ficaram sabendo que a travesti havia chegado da Itália havia poucos dias.

Um destes suspeitos, de 28 anos, teria furtado uma motocicleta do sogro, uma Honda Fan de cor escura, e possivelmente essa moto foi utilizada na fuga após a execução de Cláudia. Um outro suspeito, de 36 anos, chegou a ser localizado e encaminhado para prestar esclarecimentos à Polícia Civil. Ele nega ter qualquer envolvimento no crime, que ainda é apurado pela polícia.

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