19 de julho, de 2023 | 07:00

30% integral: novas embalagens mostram a verdade por trás dos alimentos

Mesmo diante da mudança na parte frontal das embalagens, nutricionista reforça que é preciso ler a lista de ingredientes

Stéphanie Lisboa
É obrigatória a declaração do percentual de ingredientes integrais presentes na composição dos alimentos à base de cereaisÉ obrigatória a declaração do percentual de ingredientes integrais presentes na composição dos alimentos à base de cereais
Stéphanie Lisboa - Repórter Diário do Aço
Quem é consumidor assíduo do pão integral deve ter percebido, nos últimos meses, que a embalagem do produto está diferente. Uma porcentagem tem acompanhado a palavra integral: 30%, 36%, 58,2%, 60%. O valor varia. A informação gerou surpresa aos clientes, e não somente isso, certa decepção, ao descobrirem o que realmente compravam.

Essa honestidade a mais das empresas no detalhamento de informações da embalagem não só do pão, mas também dos biscoitos e torradas tem motivo. Desde o dia 22 de abril deste ano, os alimentos contendo cereais devem ser fabricados conforme a nova regra para classificação e identificação de produtos integrais, estabelecida pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

De acordo com o órgão, a ideia é impedir que o consumidor seja enganado, ou como diz o ditado popular, “leve gato por lebre”. Para isso, foram estabelecidas algumas exigências. Na regra está previsto que o produto deve conter, no mínimo, 30% de ingredientes integrais. Além disso, a quantidade de ingredientes integrais deve ser superior à quantidade de ingredientes refinados.  

Também de acordo com a resolução, para ser considerado integral, o ingrediente deve ser obtido, exclusivamente, de um cereal ou pseudocereal e ser submetido a processo tecnológico que não altere a proporção esperada de seus componentes anatômicos. 

As exigências, conforme já observado por quem consome esses itens, se estendem para os escritos contidos no embrulho do produto. Foi definido que somente os alimentos que atenderem aos requisitos mínimos estabelecidos pela resolução poderão apresentar em sua embalagem a denominação “integral” e deverão apresentar a porcentagem de ingredientes integrais contidas no produto. 
Divulgação
Para a nutricionista Sara Cristina, as mudanças podem ser consideradas uma evolução Para a nutricionista Sara Cristina, as mudanças podem ser consideradas uma evolução

Evolução
A nutricionista Sara Cristina, especialista em Nutrição Comportamental e Esportiva, que atua na região do Vale do Aço, compreende a alteração nas embalagens como algo positivo. “Eu considero como uma evolução para nós profissionais que trabalhamos com esse processo de educação. Por quê? Vai fazendo com que o consumidor tenha mais clareza, veja como um alerta algumas informações”, observa.

De acordo com Sara, a leitura e interpretação de rótulos é um ponto importante no processo de educação nutricional, principalmente para que o consumidor faça boas escolhas. Apesar disso, há um grande desafio: a distribuição das informações mais importantes nas embalagens não facilita a compreensão da população, pois geralmente o conteúdo relevante está com letras pequenas, muitas das vezes ilegível e na parte posterior do produto.

Marketing
Sabendo que parte considerável dos consumidores são induzidos pelo conteúdo que está na parte frontal da embalagem, muitas empresas fazem questão de investir em expressões chamativas e atraentes, como 100% natural, 100% para você e 100% saudável. Sara lembra que o marketing é pesado. “Sempre vai ter uma estratégia para poder mascarar aquela informação que possa te levar a não consumir aquele produto”, alerta.

Lista de ingredientes
Para escapar das armadilhas, a dica da nutricionista é ler a lista de ingredientes. “O passo mais importante na leitura e interpretação de rótulos não é olhar a capa, é ir na lista de ingredientes. As informações da capa agora vão ficar ainda mais fidedignas, então vai ser um alerta, mas não é o suficiente para determinar de fato essa escolha”. A profissional explica como deve ser feita a leitura: “O primeiro ingrediente da lista é o que tem maior quantidade, o último é o que tem menor quantidade. Observe esses primeiros ingredientes da lista, eles vão determinar a base da composição daquele produto”.

Outras mudanças


Stéphanie Lisboa
Desde o ano passado, algumas embalagens trazem na parte da frente informações sobre o alto conteúdo de nutrientes críticos para a saúde, como o açúcarDesde o ano passado, algumas embalagens trazem na parte da frente informações sobre o alto conteúdo de nutrientes críticos para a saúde, como o açúcar

Desde outubro do ano passado são realizadas mudanças na rotulagem dos alimentos. A principal delas foi a adoção da rotulagem nutricional frontal. Trazendo na parte da frente de cada produto informações claras sobre o alto conteúdo de nutrientes críticos para a saúde. Assim, alimentos processados e ultraprocessados com alto teor de açúcar, sódio e gorduras saturadas contam com uma advertência na parte frontal da embalagem. A informação é apresentada com o símbolo de uma lupa.

Na avaliação da nutricionista, essas alterações também são benéficas. “Se eu tenho uma sinalização de que aquele produto é alto em sódio, alto em gordura, alto em açúcar, isso já traz para mim uma informação de que ele não deve ser consumido no meu dia a dia. Vai fazer com que aquela pessoa pense melhor em como vai encaixar aquilo. Se vai consumir ou não. Muitas das vezes ela não vai deixar de consumir, mas vai ter uma clareza de que aquele produto não deve ser consumido na base da alimentação".
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Comentários

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Raquel

19 de julho, 2023 | 17:47

“Com relação ao pão integral, qual o percentual mínimo é considerado adequado para comprar ? 35 % 50% 70% ?”

João Batista Trevenzoli

19 de julho, 2023 | 10:04

“Não conheço bem a nova legsisação, entretanto iniciativa como esta, promovidas pelas autoridades em saúde é, sem dúvida, útil à sociedade. Por outro lado, é medida urgente a implementação de conhecimentos sobre o tema nas escolas, desde a tenra infância.”

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