25 de junho, de 2023 | 10:30
Crianças vítimas de maus-tratos em escolas podem ter sérias consequências
(Silvia Miranda - Repórter do Diário do Aço)Reprodução
Em uma creche no interior de São Paulo, menino de dois anos ficou preso numa ''gaiola'' como castigo
Em uma creche no interior de São Paulo, menino de dois anos ficou preso numa ''gaiola'' como castigo Nesta semana, dois casos de maus-tratos a crianças dentro de unidades escolares, divulgados nas mídias sociais, chocaram pessoas de todo o país. As situações revelam o despreparo dos profissionais para lidar com situações de disciplina e podem acarretar sérios prejuízos à saúde social e emocional dos pequenos. A psicóloga Silvia Mafra, que atua em Ipatinga, explica como as situações podem trazer consequências negativas para a vida social e emocional das crianças.
No interior de São Paulo, um menino de apenas dois anos foi preso numa espécie de gaiola”, na área externa de uma creche. Uma vizinha incomodada pelo choro da criança resolveu gravar a cena. No vídeo é possível ver que a criança chora muito e chama o tempo todo pela mãe. A criança ficou presa por cerca de uma hora, e só depois uma funcionária foi tirá-la do local.
Em um segundo caso ocorrido em uma escola particular, também em São Paulo, a criança é amarrada com a própria blusa a um ferro por ter feito xixi na roupa. A situação foi gravada por uma outra professora que denunciou o caso. Os dois casos são investigados pela polícia e Ministério Público.
As situações geralmente são formas usadas para castigar as crianças, por causa de mau comportamento. Segundo a psicóloga Silvia Mafra, quando passa por esta situação, a criança pode desenvolver ansiedade, fobia social e depressão. A criança pode desenvolver medo de se expressar, por medo da punição e com isso vai se anulando para agradar e, ao se anular, ela vai perdendo a própria identidade, pois age para ser aceita e não como de fato é, por medo da rejeição”, alerta.
Correções
A psicóloga afirma que as correções são necessárias, mas devem ser feitas com diálogo e orientação, pois muitas crianças reproduzem comportamentos que são comuns em casa e se o educador corrige sem explicar ela não entende o porquê da repreensão. Além disso, é eficiente trazer essas crianças (cada semana uma) para ajudarem a distribuir tarefas, recolher atividades, ajudar o colega. Porque elas costumam ter a autoestima baixa, mas auxiliando o educador elas terão a oportunidade de se sentirem valorizadas e isso ajuda desenvolver empatia, respeito e sentimento de utilidade”, orienta.
Ainda conforme a psicóloga toda vez que somos úteis, indiferente da idade, nosso cérebro libera neurotransmissores responsáveis pelo sistema de recompensa, ou seja, nos sentimos capazes, bem resolvidos, produtivos, realizados e alegres.
Orientação
Perguntada sobre que tipo de preparo ou treinamento falta aos educadores para saber lidar com as crianças de forma respeitosa e eficiente, Silvia Mafra indica os tipos de profissionais que podem ajudar os educadores. Tem os psicopedagogos: que conhecem a realidade escolar e as demandas psíquicas dos alunos e por isso podem ajudar os educadores a entender as dificuldades educacionais vinculadas às questões ambientais sociais, familiares e a alguns problemas cognitivos”, argumenta.
Para a psicóloga, os neurocientistas comportamentais, especialistas em alteração neurológica associada às comportamentais, também é outro tipo de profissional indicado para capacitar os educadores. Eles conseguem analisar o desenvolvimento infantil e os traumas que muitas crianças e adolescentes apresentam no ambiente escolar, além de poder avaliar como esses traumas surgiram e como podem ser tratados. Uma capacitação com um destes profissionais amplia a visão do educador sobre os alunos e sobre as demandas por eles apresentadas”, detalha.
Silvia Mafra lembra que a participação da família é necessária, pois é a principal referência das crianças e adolescentes e sua principal rede de apoio. E ainda existem os programas governamentais de Assistência Social como Cras, Creas e outros.
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