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25 de junho, de 2023 | 06:00

Hora de reagir

Fernando Rocha

O futebol é apaixonante por conta de uma série de detalhes, entre eles a rapidez como seus atores vão do céu ao inferno; ou seja, nele o mundo não gira, mas capota.

Depois de um início surpreendente e promissor, quando chegou a liderar o Campeonato Brasileiro, o Cruzeiro entrou em processo de desconfiança da sua torcida, após sete jogos sem vencer, com a necessidade absoluta da vitória ontem diante do São Paulo, no Independência, para se afastar da zona de rebaixamento.

O técnico Pepa, até então elogiado pela organização tática do time celeste, passou a ser questionado, sobretudo, por não inovar no esquema de jogo e nas substituições, que são feitas sempre na base do mais do mesmo.

Lógico que as baixas de Richard e Ramiro, além de Mateus Vital, que voltou de contusão e ainda não encontrou seu melhor futebol, causaram um estrago no rendimento da equipe, mas também expôs as limitações do elenco.

O Cruzeiro de Pepa gosta da posse de bola, sem deixar de ser um time agudo, que cria muitas chances, mas, na hora da conclusão das jogadas, peca pela falta de efetividade dos seus atacantes, o que só será resolvido com a contratação de jogadores de melhor qualidade.

Não fugiu
Pelo que jogou no empate contra o Fluminense, na última quarta-feira, esperava-se outra boa atuação do Galo ontem contra o Fortaleza, no Castelão, pela 12ª rodada do Campeonato Brasileiro.

A estreia de Felipão, que não fugiu da responsabilidade e logo de cara ficou no banco de reservas orientando os jogadores, foi positiva mesmo sem ter comandado um treino.

Como era esperado, a motivação do time com a chegada do novo comandante foi ao máximo, e só não conseguiu a vitória por conta da atuação de um velho conhecido da torcida atleticana, o veterano goleiro Fábio, autor de algumas defesas milagrosas e escolhido o melhor em campo.

Aos poucos, Felipão irá fazer mudanças no esquema tático, sem alterar o DNA propositivo do time, com marcação alta na saída de bola do adversário, estilo agressivo que agrada a torcida do Galo.

FIM DE PAPO

Nas redes sociais, após a derrota para o Fortaleza, no Mineirão, torcedores do Cruzeiro deram sinais de desânimo com o time. Em vídeo que logo viralizou, um deles rasga e atira longe a camisa do clube. Outro escreveu: “Estávamos jogando bem e ganhando... Jogando bem e empatando... Jogando bem e perdendo... Depois... Jogando e empatando... Jogando mal e empatando... Agora... Jogando mal e perdendo... Estamos só descendo... Time inofensivo, inoperante, irritante… Ladeira abaixo e se chegar próximo da zona a pressão será grande!”.

Depois do jogou ontem contra o São Paulo, a Raposa vai enfrentar o desesperado Vasco da Gama, no Rio de Janeiro. Por enquanto, em razão do bom início na competição, tem gordura para queimar, mas, se não voltar logo a vencer, a “zona da degola” vai ficar nos calcanhares. A torcida cobra reforços de qualidade, mas para isso a SAF/Cruzeiro teria de meter a mão no bolso, o que não tem sido muito do feitio de seu dono, Ronaldo Fenômeno.

Ao longo de quatro décadas, tenho vivido o dia a dia na cobertura do futebol amador e profissional, jamais vi algo parecido com esse episódio das bombas atiradas pela torcida do Santos, no gramado da Vila Belmiro, que quase se transformou numa tragédia. Depois foi a vez da torcida do Vasco, que entrou em confronto com a polícia e transformou São Januário numa praça de guerra. Acho que a questão central vai além do futebol e reflete o comportamento atual e doente da nossa sociedade. São registrados estupros, chacinas, assassinatos pelos mais torpes e variados motivos, roubos, intolerâncias religiosa e política, sem que haja punições severas aos responsáveis. Nos dois casos envolvendo torcidas, se alguém foi preso não será punido, mas os clubes, sim, vão pagar a conta jogando em estádios com portões fechados.

De nada adiantou a “data Fifa” que fez o futebol brasileiro parar por 10 dias, algo comemorado por técnicos e jogadores que ansiavam por um descanso e um tempo de treinamento maior, algo impossível devido ao nosso calendário maluco com jogos a cada três dias. Os jogos da 11ª rodada, disputados no último meio de semana, foram de dar calo nas vistas. Alguns times, como o Palmeiras, foram prejudicados pelo atraso na chegada de jogadores servindo seleções, mas o que mais chamou a atenção foram os gramados ruins e as arbitragens péssimas, inclusive do VAR. No fim das contas, nada além do normal em se tratando de futebol brasileiro, onde o nível do amadorismo e do atraso só varia em escala. (Fecha o pano!)

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