13 de junho, de 2023 | 14:00

Opinião: Ouvindo...

Nena de Castro *

A manhã desabrochava sob o sol qual flor na primavera. A névoa fina batia em retirada com a chegada da luz solar. Aves despertavam de seus sonos e sonhos, sacudiam as asas preparando-se para o primevo voo do dia em busca de alimento. A brisa soprava mansa e cordata, despertando as árvores cujas raízes conversam entre si, na percepção das mudanças das estações e as danças, suaves ou não, dos mistérios advindos dos ciclos da Terra que aconteciam desde que o mundo é mundo.

O riacho corria sem pressa, levando águas claras para outras paragens, aconselhando aos peixes que ficassem seguros nas locas, preservando a vida. Nada fora do lugar na Natureza, bichos correndo, insetos voando, pássaros cantando o amor e a vida, e árvores dando seus frutos, que simbolizam a imagem primordial dos ciclos de florescimento, crescimento, maturação e fenecimento. Do fruto cai a semente na terra e morre, ensejando um novo nascimento... Ouvi então um sussurro cálido, envolvente e profundo dizendo ao meu coração:

“Amar cada manhã, agradecida pela vida, manter-se de pé quando sopram os ventos rudes ou encurvar-se para evitar a quebra, eis o segredo da existência. Irmanar-se com o solo fecundo, com a pujante floresta ou o simples campo, ser parte das águas doces e frescas, ouvir os ruídos dos animais, do cricrilar do grilo ao urro potente da onça, sentir os cheiros viajando pelas campinas e serras...

Unir-se com a mãe-natureza, chorar ou dançar com ela aos ritmos e ritos perenes do sol e lua, buscando ser fértil, ser parte, ser gente que cuida e não destrói, ser girassol vibrante de cores ou lobo que uiva de amores, em frenética busca! Pisar no pó prateado das estrelas vindas do infinito que embalam as noites num balé infindo com os raios de luar.

Homem infeliz que busca inutilmente a paz e tenta voar para outros planetas, “olhai os lírios do campo” e aprenda de uma vez por todas que o essencial para ser feliz é amar! E sumirão as guerras, o desamor, a miséria, a tristeza, as doenças, e virá a paz! Tudo isso me disse a manhã que se abria ao sol como floresce a flor na primavera, bela, fresca, perfumada e única, trazendo em suas pétalas uma radiante promessa de amor, ardente amor, belíssimo amor que transcende a vida”. Eu ouvi, e você? É tudo tão profundo mas ao mesmo tempo tão simples, basta despir-se dos preconceitos e sentimentos inúteis afins e envolver-se no que importa, no que alimente a alma, no que aquieta o espírito! Ouçamos! E nada mais digo...

* Escritora e encantadora de histórias

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Comentários

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Tião Aranha

13 de junho, 2023 | 15:47

“Bom texto. É só invocando a mãe Natureza afim de nos trazer de volta a paz; tá difícil, pois os leprosos dos poderosos já nos tiraram tudo. Risos.”

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