04 de maio, de 2023 | 12:12

Aumento de casos de câncer de intestino pode estar associado à alimentação pobre em fibras e proteínas

Os casos de câncer de intestino, também conhecido como colorretal, têm crescido exponencialmente no Brasil e no mundo nos últimos anos. De acordo com estimativas do Instituto Nacional do Câncer (Inca), o país deve registrar 44 mil novos casos da doença ao ano no triênio 2023 e 2025.

A doença é a quarta de maior incidência no mundo, ficando atrás apenas do câncer de pele, mama e próstata. Considerado uma enfermidade de pessoas idosas, o câncer de intestino, no entanto, tem surpreendido a sociedade médico-científica por estar cada vez mais presente em indivíduos abaixo dos 50 anos. Segundo especialistas, essa confirmação pode estar associada diretamente ao estilo de vida.

“Há alguns anos os casos de câncer colorretal têm crescido muito devido aos hábitos comportamentais da população, que respondem por cerca de 90% das ocorrências. É sabido que sedentarismo, tabagismo, obesidade e dietas pobres e hipercalóricas estão entre os principais fatores de risco para o tumor. A rotina diária estressante tem levado muitos a não terem bons hábitos de vida”, ressalta Alberonne Aparecido Ramos Alecrim, oncologista da Fundação São Francisco Xavier.

Assim como os demais cânceres, ele pode ser prevenido com dieta balanceada e atividade física regular.
O especialista explica que os sintomas de câncer de intestino são pouco específicos e podem estar relacionados a outras doenças. Entre eles, os mais comuns são: mudanças no hábito intestinal (diarreia ou prisão de ventre), sangue nas fezes, dor ou desconforto abdominal como gases ou cólicas, perda de peso sem razão aparente e cansaço. O câncer de intestino tem tratamento, quando diagnosticado precocemente, e tem cura com intervenção cirúrgica e quimioterapia, quando indicada. A colonoscopia é o exame indicado para diagnóstico desse tipo de câncer e auxilia no diagnóstico e tratamento de lesões como pólipos intestinais com potencial de malignização.

Alimentos ultraprocessados

Os fatores de risco para o câncer de intestino são, em sua maior parte, associados ao estilo de vida, sobretudo, a má alimentação. Neste cenário, os alimentos ultraprocessados surgem como os grandes vilões.

O consumo de alimentos ultraprocessados aumentou 5,5% na última década no país, de acordo com um estudo sobre o perfil de consumidores produzido pelo Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde (Nupens/USP) e divulgado pela Revista de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP).

Mas o que são alimentos processados? A nutricionista da Usisaúde, Thayanara Martins Couto, explica que são aqueles alimentos que passaram por maior processamento industrial. No geral, possuem alta adição de açúcares, gorduras, sódio, substâncias sintetizadas, principalmente conservantes, corantes e aromatizantes. Eles têm como objetivo maior durabilidade e praticidade dos alimentos. Encabeçam a lista salsicha, presunto, macarrão e sopa instantânea, refrigerantes, batatas, sorvetes e guloseimas.

“Estes alimentos estão cada dia mais comuns na alimentação por serem considerados práticos e baratos. Mas são desbalanceados nutricionalmente e aumentam risco não só de câncer, mas também de hipertensão, diabetes, dislipidemia (doença caracterizada pela presença de níveis elevados de gorduras no sangue), entre outros”, pontua a nutricionista.

A nutricionista ressalta que uma alimentação saudável e bem equilibrada é a que fornece os macronutrientes, vitaminas e minerais nas proporções adequadas para o bom funcionamento do organismo. É importante além da variedade e do equilíbrio, também controlar a quantidade e a qualidade dos alimentos consumidos.
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