18 de abril, de 2023 | 15:39

De coisas dolorosas e outras engraçadas...

Nena de Castro *


Sentada na varanda, cercada pelo verde do meu jardim, penso nas esquesitices do ser humano. Saímos da Pedra Lascada para a Era das Armas sofisticadas, bombas A e H, drones, foguetes sofisticadíssimos, tudo isso para que nos matemos no menor espaço de tempo possível, ara pois!

Ou então para que os blocos formados pelos senhores do mundo fiquem se exibindo, como garotos em briga, na base “do meu é maior que o seu”.

Entonce saímos das locas de pedra, inventamos, inventamos e parece que voltaremos a elas, isso se sobrar alguém vivo depois das escaramuças. Somos maus, cruéis, imbecis e “otras cositas mas” e fiquei nessa tristeza toda ao levar a Bugrinha no sábado de manhã ao Centro Comercial do Bom Retiro e ver um gato branco todo ferido, no chão.

Felizmente minha menina não viu e o coração rasgou no meu peito ao lembrar que me contaram que não é o primeiro que aparece por ali exterminado à pauladas e outros que tais. Não sou muito fã de gatos, gosto de cachorros, mas não é por isso que vou matar os que encontrar. Queria cuidar dele, como meu pai fazia, Seu João Vieira recolhia animais feridos e pesteados na rua, levava pra casa e cuidava. No entanto, tive medo que o bichinho morresse aqui e minha filha visse, ela está numa fase ultra sensível, então desisti. Só penso que quem faz tamanha crueldade é capaz de qualquer coisa...

Posé, na roda da História, vemos que nós os “civilizados” criamos os países, adotamos convenções normas e leis que nos permitem invadir, destruir, roubar, matar e por aí vai. Bato palmas para os povos primitivos que em sua sabedoria, repartem o pão, não usam roupas e tiram das matas apenas o que precisam para viver cuidando da nossa Gaia, enquanto nós, os civilizados, tudo destruímos.

Pensando no item roupas, eu me lembrei de um causo da II Guerra Mundial onde exércitos se matavam, cada qual por suas crenças e bandeiras nessa pendenga sem fim.

Dizem que o general Eisenhower, durante o grande conflito, foi visitar suas tropas em Ruanda, África, governada pelos ingleses. O governador, súdito de sua Majestade, queria que todas as mulheres nativas se postassem ao longo da estrada de terra, para dar vivas e acenar em boas vindas ao general americano quando ele passasse em seu jipe.

Acontece que as sábias mulheres nativas nunca cobriam o corpo, usavam somente um colar de contas no pescoço, e às vezes um minúsculo cinto de couro como ornamento. Ora, isso seria totalmente inconveniente, de forma que o governador chamou o chefe da tribo e lhe falou do problema.

- Não se preocupe – disse o chefe. Se o governador conseguisse algumas dúzias de saias e blusas, ele se certificaria de que as mulheres se apresentariam vestidas nesse acontecimento especial.

Então o governador e os missionários da região se movimentaram e conseguiram as roupas.

Ocorre que, no dia do desfile e a poucos minutos da chegada de Eisenhower para descer a longa estrada em seu jipe, descobriu-se que apesar de todas as mulheres estarem obedientemente usando as saias, elas não haviam gostado das blusas e as tinham deixado em casa. Eita! Estavam todas enfileiradas nos dois lados da estrada, vestindo as saias sim, mas com o peito nu e sequer usavam roupa de baixo.

Ora, o governador ficou apoplético ao saber do fato e convocou, irado o chefe. Este lhe assegurou que sua mulher havia conversado com ele, dizendo que as mulheres tinham um plano para cobrir os seios quando o general estivesse passando.

- Você tem certeza? – berrou o governador.

- Tenho toda a certeza – respondeu o chefe.

Não havia tempo para discutir e quando o jipe do general Eisenhower passou, uma mulher de seios nus atrás da outra levantava graciosamente a frente da saia rodada e cobria o rosto com ela... E eu lá sou besta de dizer mais alguma coisa? Rs.

* Escritora e encantadora de histórias
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Comentários

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Priscila

01 de maio, 2025 | 15:07

“Boa parte do texto que relata o caso do Presidente foi retirada tal qual está narrada no livro "Mulheres que Correm Com os Lobos", da Clarissa Pinkola Estes (uma ótima contadora de histórias). Tendo a citação sido feita de modo tão literal, seria ético colocar a referência.”

Tião Aranha

18 de abril, 2023 | 23:25

“Bom texto. A rendição humana é mesmo copiosa. Fazem de tudo para agradar o chefe. Se esquecem que viemos do pó (da terra) e vamos voltar pro pó. Tudo se resume em pó. Risos.”

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