16 de abril, de 2023 | 10:00

Pais devem conversar com os filhos sobre ataques nas escolas

Divulgação
Os ataques e ameaças de ataques em escolas têm levado pânico a alunos, funcionários e pais; nesse momento, instituições e profissionais da Psicologia orientam qual a melhor forma de agir Os ataques e ameaças de ataques em escolas têm levado pânico a alunos, funcionários e pais; nesse momento, instituições e profissionais da Psicologia orientam qual a melhor forma de agir

Os recentes episódios de violência em instituições de ensino em Santa Catarina, que deixou quatro crianças mortas, e em São Paulo, que tirou a vida de uma professora, chocaram e aterrorizaram o Brasil. Não bastasse isso, começaram a surgir inúmeras ameaças de novos ataques em escolas do país, inclusive em Ipatinga, em que um adolescente já identificado pela polícia publicou uma mensagem nas mídias sociais dizendo que realizaria um massacre na escola Carlos Drummond de Andrade, no bairro Ideal.

Depois de ser ouvido pela Polícia Civil, o adolescente, em companhia do pai, disse que se tratava apenas de uma brincadeira, e que não tinha intenção de atacar a escola.

Na semana que passou, no Estado do Ceará, foi registrada uma nova ocorrência de violência dentro de uma instituição de ensino. Duas estudantes de nove anos ficaram feridas após serem atacadas por um aluno da mesma escola. O suspeito da agressão, um adolescente de 14 anos, feriu as vítimas com um objeto cortante.

A sensação de insegurança e medo acabou tomando conta das famílias. Diante do cenário, foram anunciadas medidas de fortalecimento da segurança das instituições de ensino por parte do governo federal, governos estaduais e municipais. Mas para além de todas as medidas já implementadas, muitas famílias, especialmente os pais, não sabem bem de que forma lidar com a situação. Conversar ou não com o filho sobre a violência na escola? De que modo tratar o assunto?

Segundo a médica psiquiatra infantojuvenil, Jaqueline Bifano, os pais devem conversar com seus filhos sobre os episódios de violência no ambiente escolar. “É muito importante conversar para poder orientar a criança, que geralmente está com muito medo nesse período”, afirmou.

Acolhimento
A psiquiatra recomenda que os pais tenham uma abordagem bastante acolhedora ao tratar do assunto. “Sentar, conversar, chamar a criança para conversar, saber a opinião sobre os acontecimentos, se elas estão com medo, se elas estão apreensivas, para poder entender com elas o que está acontecendo”, detalhou Jaqueline.

Medo
Leca Novo
''É muito importante conversar para poder orientar a criança'', enfatizou a médica psiquiatra infantojuvenil Jaqueline Bifano''É muito importante conversar para poder orientar a criança'', enfatizou a médica psiquiatra infantojuvenil Jaqueline Bifano

Questionada sobre quais medidas adotar se o estudante estiver apreensivo e com medo de ir para escola, a médica pontuou algumas instruções. “Acolher esse sentimento, mostrar para elas que isso é só um sentimento do que aconteceu. Através dessa conversa, passar segurança para criança. Falar com elas que na escola os professores estão lá para poder criar um ambiente seguro, que os pais estão por perto”, orientou. De acordo com Jaqueline, é importante também que a criança seja instruída a relatar aos professores e aos pais as situações que a deixe com medo na escola.

Escuta
Outro ponto observado pela médica é a importância de os pais estarem disponíveis para ouvir seus filhos. “Eles devem escutar o que chegou até elas, quais são os medos, quais são as impressões dessas crianças. E a partir dessa escuta, os adultos, os pais, podem contribuir de alguma maneira para ampliação da compreensão do que está acontecendo”, disse.

Consequências
Jaqueline explica que cenários como este, de situações de ameaças, sensação de insegurança e medo, podem acabar trazendo problemas para a saúde mental dos estudantes. “O medo está muito relacionado à ansiedade. A criança pode começar a ter episódios de medo, de ansiedade de ir para escola. Elas podem começar a ter taquicardia, falta de ar, sudorese, tremores, tontura, todos são sintomas de ansiedade. Pode começar a ter episódios de esquiva, não querer enfrentar aquela situação. O medo pode levar à ansiedade, e a ansiedade com frequência, ficando generalizada, ficando intensa, pode levar a uma depressão”, descreveu a psiquiatra infantojuvenil.
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Comentários

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Jose

17 de abril, 2023 | 10:15

“Com todo respeito às recomendações da Dra. e ela está certa, mas diálogo entre familiares já não existe há muito tempo, pelo menos na maioria das famílias e é de norte a sul. Todos envolvidos o tempo todo com as redes sociais, portanto não sobra tempo pra conversar.”

Gildázio Garcia Vitor

16 de abril, 2023 | 11:25

“Excelentes as ponderações e dicas da Drª. Jaqueline, para aqueles pais que não perderam a vontade de serem pais; e nem "terceirizam" a Educação dos filhos.
Aprendi, há mais de 27 anos, com o meu amigo, Professor Sérgio Taniguchi, um dos maiorais da Física do Vale do Aço, que "filho é criação".”

Gildázio Garcia Vitor

16 de abril, 2023 | 10:41

“O maior problema, está nas famílias que não têm diálogo com os filhos, que, por alguma razão, pretendem praticar uma "barbaridade" contra alunos e professores de uma determinada instituição.
No momento, só confio nas medidas adotadas pela PMMG, MPMG e DPMG.”

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