EXPO USIPA 2026

02 de abril, de 2023 | 06:00

Sem base

Fernando Rocha

Neste fim de semana, os quatro principais campeonatos estaduais do país - São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Rio Grande do Sul- realizam jogos decisivos que vão se prolongar pelos próximos dias entremeados com partidas dos torneios continentais.

Não à toa, dirigentes de Palmeiras, Flamengo, Fluminense, Internacional e Galo, que estiveram em Assunção, no Paraguai, para acompanhar o sorteio da fase de grupos da Libertadores e da Sul-Americana, lamentaram o fato de terem que dividir suas atenções com jogos menos importantes, mas decisivos dos estaduais.

Para piorar, ainda mais, aqui nos nossos grotões, como na maioria dos estados, por conta de um amistoso chinfrim da seleção da CBF com Marrocos, nossos times ficaram um fim de semana sem jogos, sobrecarregando ainda mais o calendário, o que vai obrigar times, como o Atlético, jogar nove vezes neste mês de abril.

Mesma coisa
Entra ano sai ano, é a mesma coisa. A temporada do futebol brasileiro avança e os efeitos colaterais com a duração exagerada dos Estaduais, combinado com amistosos ou jogos sem sentido da seleção, tumultuam o calendário do futebol brasileiro.

Não é novidade para ninguém que os Estaduais diminuíram de importância nas últimas décadas e deixaram de ser o foco principal dos nossos principais clubes.

Mas, por outro lado, se fixaram em um patamar no mínimo esquisito no tocante ao planejamento e avaliação da temporada, pois se, no fim das contas, o título regional tem pouco peso para os “grandes”, a sua perda transforma para pior o humor das torcidas, aumenta pressões, colabora na instabilidade dos times e afeta o planejamento como um todo.

Sem estes monstrengos chamados Estaduais, ou pelo menos com uma redução drástica de suas datas, passando das atuais 16 para quatro ou cinco, já teríamos o Campeonato Brasileiro em andamento, sem dividir espaço com a Libertadores e sujeito ao humor variável das torcidas.

FIM DE PAPO

Situação no mínimo curiosa é a do Botafogo, que vai ao Chile enfrentar o Magallanes pela Sul-Americana, entre as partidas decisivas da Taça Rio, equivalente ao nosso Troféu Inconfidência. O alvinegro carioca ficou de fora das finais do Estadual e se vê obrigado a levar a sério uma competição esdrúxula, que dá vaga na Copa do Brasil do ano seguinte, criada, exclusivamente, para atender ao poder político das federações.

A vitória de virada, por 3 x 2, sobre o Bragantino, deu um respiro ao técnico Pepa neste início de trabalho à frente do Cruzeiro. A pressão da torcida era muito grande sobre a diretoria e os jogadores, em função da má campanha no Campeonato Mineiro. O desempenho do time, sobretudo, no 2º tempo, deu esperanças de que o técnico português possa conseguir virar a chave e formar uma equipe competitiva, para não flertar com o rebaixamento no Campeonato Brasileiro.

O perfil de comportamento dos torcedores brasileiros e argentinos são parecidos. Lá, como cá, invasões de campo acontecem e são necessários milhares de seguranças postados de frente para as arquibancadas e de costas para o gramado, a fim de conter as invasões de torcedores, como vimos no último amistoso da seleção campeã do mundo em solo argentino. Tudo isso poderia ser evitado ou diminuído, consideravelmente, se tivéssemos, nos dois países, leis severas para combater este tipo de delito.

O ocorrido após a eliminação do Internacional pelo Caxias, no Beira Rio, é um bom exemplo disso. Neste caso, ainda houve facilitação e conivência dos seguranças do Inter, que permitiram um sujeito utilizar uma criança no colo como escudo e invadir o gramado para agredir um jogador do Caxias, além de um cinegrafista de TV. No máximo, o infrator foi ouvido pelo delegado e liberado, para se vangloriar do que fez com seu grupo de amigos igualmente desqualificados. Se fosse na Inglaterra, por exemplo, sairia do estádio direto para a prisão, onde ficaria um bom tempo, além de pagar multa equivalente a um apartamento de três quartos no bairro Cidade Nobre, o que desencorajaria novos atos semelhantes. (Fecha o pano!)
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