09 de março, de 2023 | 16:57
Cerca de 300 veículos podem ter passado por fraude na Ciretran de Ipatinga
Oito pessoas foram investigadas, dentre elas, um investigador da PC e dois despachantes presos na Operação Ponto Final
Wellington Fred
Membros da Polícia Civil e do Ministério Público de Minas Gerais detalharam nesta quinta-feira como funciona esquema mafioso de fraude na liberação de veículos com impedimentos
Membros da Polícia Civil e do Ministério Público de Minas Gerais detalharam nesta quinta-feira como funciona esquema mafioso de fraude na liberação de veículos com impedimentosHá uma estimativa, segundo a qual, 300 veículos podem ter sido beneficiados por um esquema que existia dentro da Circunscrição Regional de Trânsito (Ciretran), em Ipatinga, desarticulado esta semana pela operação Ponto Final. Essa é a revelação da Polícia Civil e do Ministério Público de Minas Gerais, feita à imprensa em entrevista coletiva na sede do 12º Departamento de Polícia Civil (DPC) nesta quinta-feira (9) quando foi apresentado o resultado da Operação Ponto Final realizada terça-feira (7/3), fato noticiado pelo Diário do Aço.
O esquema investigado envolvia policiais civis, despachantes, estampadores de placas de veículos, servidores públicos cedidos à Polícia Civil e até estagiários na Ciretran. Oito pessoas foram denunciadas à Justiça por diversos crimes. Destes acusados, três tiveram as prisões preventivas decretadas.
O delegado Gilmaro Alves, Chefe do 12º DPC, enalteceu o trabalho da delegada de Trânsito, Lívia Athayde, que desde o início não recuou diante de ameaças feitas pelos investigados. A Polícia Civil não compactua com atos ilícitos, sejam eles internos ou externos”, ressaltou Gilmaro que prometeu aprofundar as investigações.
Lívia Athayde revelou que, ao assumir a chefia da Delegacia de Trânsito, teve muita resistência por parte de despachantes, inclusive, alguns procuraram órgãos de imprensa, políticos e até fizeram denúncias de supostas irregularidades em entradas ao vivo na internet.
(Eles queriam) desmoralizar meu serviço. Eu sabia que não seria uma tarefa fácil. Até coação na presença de testemunhas eu sofri, mas segui em frente na minha missão no combate à criminalidade”, disse a delegada no início de sua fala.
A policial revelou que foram constatados pelo menos 300 veículos que estão com suspeita de alguma irregularidade e que podem ter sido beneficiados no esquema investigado na Ciretran. A delegada ressaltou que nem todos podem ser ilegais, mas por medida de precaução estão com impedimentos administrativos até serem averiguados.
Um dos veículos, que foi a ponta das investigações, é uma caminhonete Toyota Hilux. A picape foi furtada em Capitólio, Minas Gerais, mas foi emplacada com os dados de um veículo idêntico, registrado em São Paulo. A picape clonada foi depois parar no interior do estado do Maranhão, onde foi apreendida pela Polícia Rodoviária Federal.
Neste esquema, segundo o delegado titular da Corregedoria de Polícia Civil, Augusto Frade, pode-se constatar como funcionava o crime. O esquema contava com o apoio de policiais civis e funcionários na Ciretran para legalizar” os veículos com problemas ou até mesmo furtados, como foi o caso da caminhonete.
Ao todo, o esquema pode ter provocado prejuízo de quase R$ 900 mil somente neste veículo, já que ele foi financiado, tem a seguradora e o proprietário da picape, além do outro dono da Hilux que teve os dados usados na clonagem.
MPMG
O promotor Jonas Junio Linhares Costa indicou os crimes aos quais os denunciados poderão responder junto à Justiça, cada um por sua culpabilidade indicada na investigação. Peculato informático, que prevê pena de 2 a 12 anos de prisão; falsidade ideológica, de 1 a 5 anos de prisão; violação de sigilo profissional qualificado, 2 a 6 anos de cadeia; receptação qualificada, pena de 2 a 8 anos de prisão; associação criminosa, de 1 a 3 anos de prisão; e coação no curso do processo ou investigação, pena de 1 a 4 anos de cadeia.
Outros envolvidos são investigados
Outras pessoas ainda poderão ser processadas e presas no transcurso das investigações. Destes denunciados, o MPMG, segundo o promotor, ofereceu a oportunidade deles receberem uma pena adversa da prisão, caso colaborem com a Justiça. É o caso do estagiário e uma servidora municipal que foi cedida para trabalhar na Ciretran.
Prisões e buscas
A operação foi realizada, conforme divulgou o Diário do Aço, na terça-feira passada, com o cumprimento de 25 mandados judiciais de busca e apreensão e três mandados de prisão, entre os presos, a prisão preventiva de um ex-chefe da Ciretran e de dois despachantes documentalistas.
Outro policial civil é investigado, outros três Despachantes Documentalistas, o empregado de uma estampadora de placas veiculares, um Centro de Formação de Condutores, um proprietário de agência de veículo automotores e outros suspeitos já foram identificados.
Apreensões
Nas buscas residenciais e nos endereços profissionais dos investigados foram recolhidos equipamentos eletrônicos, aparelhos celulares, documentos e outros itens que serão objetos de análise em vista do prosseguimento das investigações.
Participaram desta operação, 42 policiais civis do 12º Departamento de Ipatinga (Regionais de Ipatinga, Caratinga e João Monlevade) e da Corregedoria geral da Polícia Civil de Belo Horizonte, bem como foi utilizado um total de 14 viaturas da PCMG, na referida Operação.
As fraudes envolvem a transferência de propriedade de veículos clonados e também procedimentos de alteração de dados, de obtenção de segunda via de recibo (CRV-Certificado de Registro de Veículos) e outros sem a observância dos trâmites legais exigidos, para tanto, por meio de falsificação de documentos públicos, inserção de dados falsos em sistemas de informática do Detran/MG.
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Jhonatan Elias
20 de março, 2023 | 02:22Deveriam olhar também nas outras das cidades vizinhas, e não só a corrupção a forma de tratamento também quando vamos fazer vistoria no veículo, uma ignorância fico achando que estou fazendo de graça serviço.”
Jakson
10 de março, 2023 | 16:11Meus parabéns doutor Jonas não canso de dizer o senhor e um homem sério e o pau que cai a cabeça do Chico, cai na cabeça do Francisco existe poucos homens igual ao senhor dentro da lei”
Geraldo
10 de março, 2023 | 08:40Parabéns ao Dr. Gilmaro e equipe.
É preciso fazer o que tem de sido feito, pela própria e honrosa Policia Civil, evitando que outra instituição o faça.”
Juliano Feitosa
10 de março, 2023 | 06:54Parabéns a Policia Civil do Vale do Aço, é preciso que os honestos ganhem força sobre essa pequena minoria na instituição, como disse o outro comentário. A maioria precisa expurgar essa minoria, se não apreenderam que polícia é polícia e bandido é bandido, cadeia neles. Nunca se viu tanto combate a corrupção na região como nesses últimos anos. Advogo na região e posso afirmar que essas operações não mancham o bom nome da instituição, pelo contrário, demonstra a seriedade ao se "investigar os seus", e passa credibilidade à sociedade.”
José Antônio
09 de março, 2023 | 21:20Se for investigar a fundo a polícia civil no Vale do Aço, há todo tipo de corrupção e bandidos infiltrados, em todos os três principais municípios. Não é a maioria, mas é uma banda podre que deveria ser estirada. Onde já se viu alguém ganhar 4 mil reais por mês e ter casa de luxo, carrão, gastar dinheiro pra todos os lados?? Como?? É bandidagem mesmo!!”
Marcio Nascimento
09 de março, 2023 | 18:48Isso é o q foi descoberto face ser um veículo clonado.
Deve haver muito mais sujeira aí!”