08 de março, de 2023 | 07:20

Mulheres ainda lutam por respeito, voz e vez

Somente no 1º mês deste ano, em Minas Gerais, 12.534 mulheres foram vítimas de violência doméstica e familiar

Álbum Pessoal
A advogada criminalista Carla Silene falou sobre os desafios que as mulheres precisam enfrentar A advogada criminalista Carla Silene falou sobre os desafios que as mulheres precisam enfrentar

(Stéphanie Lisboa - Repórter do Diário do Aço)
Nesta quarta-feira, 8 de março, é celebrado o Dia Internacional da Mulher. A data reforça a luta pela igualdade de gênero e direitos da população feminina e também se tornou uma oportunidade significativa de debate e reflexão. Ao longo dos anos, o dia 8 de março também faz um lembrete: de que a mulher pode, merece e é capaz de ocupar qualquer lugar e espaço que ela almejar, devendo ser respeitada, contradizendo algumas teorias machistas que tendem a desdenhar, menosprezar e desacreditá-la.

Apesar das conquistas e avanços já registrados até aqui, ainda vivemos, na prática, em uma sociedade onde existe uma grande disparidade de oportunidades e tratamentos entre homens e mulheres. Em entrevista concedida ao Diário do Aço, a advogada criminalista e professora de Direito do Ibmec BH, Carla Silene, falou sobre os principais desafios a serem encarados pela população feminina em 2023. “Ser respeitada, ter voz e vez, conciliar múltiplas funções e, atualmente, não ser substituída por uma máquina”, declarou.

Igualdade de gênero
Doutora em Direito Penal e mestre em Ciências Jurídicas, Carla explicou que já existem muitas leis que asseguram a igualdade entre homens e mulheres, mas na prática a realidade é outra. “O que precisamos agora é ter mecanismos que façam essas leis se tornarem realidade, que a letra posta no papel se concretize”, observou a advogada.

Desigualdade salarial
Falar dos desafios que são enfrentados pelas mulheres é lembrar que ainda existem desigualdades salariais, baixa representatividade política e menor presença feminina em cargos de poder. Um levantamento do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), divulgado nesta semana, revela claramente uma dessas situações.

A pesquisa mostrou que o rendimento médio mensal das mulheres no mercado de trabalho brasileiro é 21% menor do que o dos homens – R$ 3.305 para eles e R$ 2.909 para elas. Mesmo nos setores de atividades em que as mulheres são maioria, em média, elas recebem menos.

Valorizar umas às outras
A advogada Carla Silene defende a necessidade de descontruir discursos que afirmam que as mulheres concorrem entre si, que naturalizam que uma não apoie a outra e que reforçam estereótipos.

“Se realmente almejamos alguma mudança, é necessário que nós, mulheres, saibamos valorizar umas às outras, comemorar as conquistas umas das outras e romper com discursos preconcebidos para manutenção do estado de coisas atuais”, argumentou. Assim também o homem deve ser visto pela mulher, defendeu a professora. “Do mesmo modo, não se deve enxergar no homem o inimigo e tratar a questão como uma guerra... A busca deve ser pautada na igualdade, não na dominação”.

Violência contra a mulher
Assunto recorrente dos noticiários, a violência contra a mulher, seja ela praticada por um companheiro, filho, irmão ou vizinho, é uma realidade encarada pela população feminina e reflete a desigualdade entre os gêneros.

Em Minas Gerais, somente no 1º mês deste ano, 12.534 mulheres foram vítimas de violência doméstica e familiar, uma alta de 6,1% em relação ao mesmo período do ano passado, quando 11.804 mulheres foram vítimas. Em relação aos casos de feminicídio, os números também apontam uma alta. No primeiro mês de 2022 foram registrados sete feminicídios consumados e 12 tentativas. Somente em janeiro de 2023, 11 mulheres foram vítimas de feminicídio e 14 sofreram alguma tentativa.

Para a doutora em Direito Penal, a violência é um fenômeno complexo que demanda vários olhares. “A meu ver, o grande problema da violência contra a mulher é a generalização. O direito tem sido incapaz de ‘ouvir’, de ‘alcançar’ a raiz do problema. E mais, por vezes, dada a incapacidade de seus profissionais, tem agravado o problema”, disse.

Carla acredita na necessidade de envolver mais setores na busca pela redução de casos. “A violência não pode nem deve ser enfrentada somente com leis e punições. Como fenômeno complexo que é, demanda o envolvido de vários setores para que os múltiplos saberes encontrem possibilidades diferenciadas de atuação no sentido de reduzi-la”, concluiu.
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Comentários

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Oliveira

08 de março, 2023 | 15:09

“A desigualdade salarial é fruto da entrada no mercado de trabalho mais tardio. Há de ressaltar que tanto as melheres e homens estão trabalhando mais e perdendo o poder de compra. Não poderemos igualar os gênero pois seria um desequilíbrio pois a mulher tem um papel um par na família. A mulher deveria ser tratada de forma a reconhecer este papel. Quanto às crimes, tanto as mulheres quanto os idosos, bem como as crianças, são frutos de uma violência contra todos e contra tudo. O poder legislativo editam leis esdrúxulas que tem o cunho eleitoreiro apenas e o poder público cobra cada vez mais impostos e justificam a sua inoperencia em suas responsabilidades. Gostaria que acabassem com o famigerado flagrante delito, onde o meliante goza da prerrogativa de responder em liberdade pelo delito cometido. É o mesmo Estado que paga verbas idnizatorios aos parlamentares que não mudam de moradia e recebem cerca de R$ 39.000,00 para tal. Para finalizar vejo algumas aberrações modais onde há palavras bizarras como feminicidio, gordofobia, homofobia como se tudo isso não fosse representando pela tolerância a violência e a intolerância! Não saímos do lugar.”

P Saints

08 de março, 2023 | 12:27

“Seguindo tal raciocínio: "O contrário do feminismo é a sanidade mental".”

Amanda

08 de março, 2023 | 08:27

“Como diria Cortela: "o contrário do machismo é a inteligência ".”

Viewer

08 de março, 2023 | 08:16

“Que tal criticar a agenda LGBT que está destruindo as conquistas femininas através da loucura trans ?”

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