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Segundo a Copasa, atualmente não há esgoto a céu aberto nas vias públicas, devidamente regularizadas
(Bruna Lage - Repórter do Diário do Aço)A coleta e o tratamento de esgoto são assuntos de saúde pública que ainda não foram totalmente superados no Vale do Aço. Dados da Copasa apontam que em Ipatinga é onde a situação está mais avançada, mas ainda há muito o que ser feito na região. No fim do ano passado, Santana do Paraíso chegou a publicar um dado alarmante: somente no mês de novembro começaram as obras de retirada do esgoto à céu aberto no bairro Industrial. Na ocasião, o prefeito Bruno Morato (Avante) chegou a lamentar que em nenhum lugar da cidade as pessoas conviviam com tanta proximidade com o esgoto como naquele local.
Procurada pelo Diário do Aço essa semana, a Copasa informou que não há esgoto a céu aberto nas vias públicas, devidamente regularizadas da Região Metropolitana do Vale do Aço (RMVA). Em Ipatinga, o percentual de esgoto tratado é de 99,84%; em Timóteo, de 76,55% e em Coronel Fabriciano, de 66,27%. Em Santana do Paraíso, como as Estações de Tratamento de Esgoto (ETE) ainda não começaram a operar, não há esgoto tratado, mas a coleta do esgoto doméstico é realizada e atende 84,75% da população da cidade.
“Justamente em Santana do Paraíso há três ETEs em construção: em Ipaba do Paraíso, com conclusão e previsão de início de operação em maio deste ano; na sede, com previsão de conclusão e início de operação em outubro de 2023; e na bacia do Córrego da Garrafa, que contempla os bairros Águas Claras, Bom Pastor, Cidade Nova, Gran Royale, Industrial, Jardim Vitória, Parque Caravelas e Residencial Bethânia, com previsão de conclusão e início de operação para dezembro deste ano”, destaca a empresa.
Ainda segundo a Copasa, as obras de ampliação do sistema de esgotamento sanitário de Santana do Paraíso somam R$ 35 milhões, fazendo com que o município passe para o “seleto grupo” de cidades brasileiras que têm mais de 90% dos seus esgotos coletados e tratados.
Outras obrasA companhia informa que também há obras de ampliação da ETE do Sistema Integrado de Coronel Fabriciano e Timóteo, com duplicação da capacidade de tratamento de esgoto da unidade, além da implantação de redes coletoras e interceptores de esgoto, no valor de cerca de R$ 30 milhões, fazendo com que os municípios ultrapassem o percentual de 90% dos esgotos coletados e tratados até 2024.
Em 2021 e 2022, a principal Estação de Tratamento de Esgoto de Ipatinga, a ETE Ipanema, recebeu obras de reabilitação no valor de R$ 14,5 milhões. Para este ano, está prevista a entrega de novos equipamentos para modernização do Tratamento Preliminar do Esgoto que chega à unidade, com investimentos de mais de R$ 3,2 milhões.
Alex Ferreira
Ribeirão Ipanema visto da ponte da avenida Pedro Linhares Gomes (Veneza I). À direita, esgoto in natura é lançado na água que desde em direção à foz no rio Doce
A obra de reabilitação da ETE Ipanema possibilitou o alcance da eficiência do tratamento exigida pela legislação ambiental, visto que a unidade está em operação desde o ano de 2001 e necessitava de recuperação e modernização. “Vale ressaltar que o Novo Marco do Saneamento do Brasil, editado por meio da Lei Federal 14.026/2020, estabelece que até 2033 todos os municípios deverão ter pelo menos 90% dos seus esgotos coletados e tratados. Com os investimentos da Copasa e do Governo de Minas na RMVA, todos os quatro municípios atingirão esta meta até o ano de 2024, ou seja, nove anos de antecipação”, vislumbra a companhia.
Saúde públicaA química Industrial, especialista em Educação Ambiental e mestre em Mitigação de Impactos Ambientais, Viviane Macedo Reis Araújo, que atua em Ipatinga, lembra que se uma cidade não trata seu esgoto, consequentemente haverá mais vetores de mosquito, por exemplo.
“Assim como mais animais peçonhentos naquele ambiente. O que aumenta a demanda da saúde, com mais entradas nos hospitais por causa da proliferação de doenças. Se esse ambiente está poluído, precisamos dispensar mais recursos financeiros para que haja tratamento da água. Se há poluição, consequentemente vai haver mais problemas de saúde”, alerta.
A doutoranda em Ecologia Aplicada, Alice Arantes Carneiro, de Timóteo, avalia que o esgoto lançado nos corpos d’água, como rios, por exemplo, prejudica não somente os seres vivos que vivem no rio, mas impactam diretamente a saúde das pessoas. “O contato com água contaminada, de forma direta ou pelo consumo de verduras e legumes contaminados e mal higienizados, pode trazer uma série de doenças infecciosas e parasitárias. Em nossa região ainda é comum casos de esquistossomose, parasitose conhecida como xistose ou barriga d’água e ascaridíase, causada pelo verme chamado popularmente de lombriga. O consumo de água tratada é de extrema importância para a saúde das comunidades”, frisa.