14 de fevereiro, de 2023 | 16:12

Humanização e técnicas pedagógicas são essenciais no tratamento de crianças com câncer

Divulgação
Na Unidade de Oncologia do Hospital Márcio Cunha, crianças e familiares são acolhidos pelos profissionais da saúdeNa Unidade de Oncologia do Hospital Márcio Cunha, crianças e familiares são acolhidos pelos profissionais da saúde

A dona de casa Raquel Clarindo Mendes, 26 anos, tem vivenciado um período delicado em sua vida. A filha mais nova, Eloise, de apenas cinco anos, foi diagnosticada no ano passado com um tumor no sistema nervoso central e iniciou em janeiro o tratamento na Unidade de Oncologia do Hospital Márcio Cunha, em Ipatinga. A Unidade é referência em tratamento do câncer para mais de 67 municípios mineiros, destaca a administradora da unidade, a Fundação São Francisco Xavier (FSFX).

Quando chegou ao hospital, a criança passou por uma cirurgia para a retirada do tumor, que estava localizado na nuca. O procedimento, que contou com uma equipe altamente especializada e equipamentos modernos, foi um sucesso. Atualmente, ela realiza sessões de radioterapia.

Para o tratamento, Eloise, assim como os pacientes adultos, precisou primeiro fazer um molde de uma máscara personalizada que fica bem justa à cabeça para depois dar início a indicação de 27 sessões de radioterapia.

Um artifício muito comum para manter as crianças imóveis durante o procedimento radioterápico é a sedação. O radioterapeuta da Fundação São Francisco Xavier, Gustavo Pereira Maciel, explica que a maioria das crianças com até cinco anos precisa de sedação, pois é necessário ficar imóvel durante o tratamento. “A sedação é importante neste processo de manter a criança tão pequena quietinha. À medida que vão crescendo, e existe alguma possibilidade de compreensão, é avaliado caso a caso, mas é um processo gradual. Mas existem casos em que a nossa equipe com o carinho e cuidado de sempre consegue conquistar a confiança da criança e realizar a sessão sem necessidade de sedação. A não sedação traz benefícios”, pontua.

Entre as vantagens de não sedar estão a rapidez, conforto e tranquilidade. Sem sedação, a sessão costuma ser três vezes mais rápida. Além disso, não necessita de jejum, o que é extremamente importante, principalmente para crianças que chegam de outras cidades, como é o caso de Eloise, que mora com a mãe em Piedade de Caratinga, a 100 km de Ipatinga.

Eloise tem feito as sessões sem precisar de sedação, graças ao sucesso do tratamento humanizado realizado pela equipe da Unidade. A enfermeira Yatiara Soares, que cuida da criança desde o primeiro dia da sessão de radioterapia, conta que a garotinha tem surpreendido a todos. “Temos um preparo específico para lidar com esses casos. Conversamos muito com a criança, com a família, explicamos como será feito, que é preciso ficar quietinha durante o procedimento. Não é fácil, mas é muito gratificante. Descobrimos que ela ama a boneca Barbie e demos uma para ela, que recebeu o nome carinhoso de Bibi. A boneca a acompanha durante todas as sessões”, conta.

Além disso, cada sessão possui um tema diferente, como dia da massinha, do salão, de colorir e de brincar com a boneca. Eloise ganha, ainda, um café especial com tudo que ela mais gosta e no fim de cada sessão, a menina assina um certificado de coragem, que ela levará para casa quando acabar todo o procedimento. É uma espécie de diploma.

Gratidão
A mãe de Eloise comenta que ficou surpreendida com a compreensão da filha. “No dia a dia, ela não para quieta. Fiquei impressionada com a forma que a equipe cuida da minha filha e ela obedece direitinho. A equipe passa segurança e confiança para ela e a boneca a deixa mais tranquila, pois não larga a Bibi. Ela também fica muito orgulhosa na hora de assinar o atestado de coragem”, ressalta a dona de casa.

“A preocupação ainda é grande, mas sei que estamos sendo atendidas em uma unidade com infraestrutura de ponta, que ela está nas mãos de uma equipe muito profissional, e, acima de tudo, um atendimento humano. O apoio e a dedicação de todas as pessoas do Hospital Márcio Cunha nos ajudam muito. A gente é recebido com sorrisos e muito amor. E isso faz toda a diferença. São anjos na nossa vida”, completa emocionada.
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