02 de fevereiro, de 2023 | 09:00
Transtornos nas estradas, durante período chuvoso, refletem a falta de acompanhamento e manutenção nas rodovias
Avaliação é feita pelo professor e doutor em Engenharia de Transportes, Frederico Rodrigues, em entrevista ao Diário do Aço
Arquivo pessoal
''O certo é as rodovias serem constantemente monitoradas'', afirmou o doutor em Engenharia de Transportes, Frederico Rodrigues
''O certo é as rodovias serem constantemente monitoradas'', afirmou o doutor em Engenharia de Transportes, Frederico RodriguesDurante o mês de janeiro a chuva castigou muitas cidades do Vale do Aço. Em várias estradas estaduais e federais houve registro de interdição parcial ou total de pistas. As interrupções no tráfego foram provocadas, em alguns casos, pela queda de barreiras, por alagamento, presença de lama na pista e até erosões, gerando transtornos à população. Os questionamentos que pairam entre os usuários que precisam das estradas são: os problemas podem ser evitados? A chuva é a grande culpada? O que as autoridades podem fazer de forma preventiva?
Com o propósito de esclarecer o assunto, a reportagem do Diário do Aço conversou com o professor e doutor em Engenharia de Transportes, Frederico Rodrigues. Ao ser perguntado se as ocorrências frequentes de queda de barreira e erosão na pista são situações normais no período chuvoso, o engenheiro civil e mestre em Engenharia Urbana declarou que não e explicou o porquê. O certo é as rodovias serem constantemente monitoradas, uma vez por ano fazer uma inspeção nos morros, que são chamados aí de taludes, verificar as questões dos terraplenos”, esclareceu.
E se o monitoramento não é realizado, vem as consequências, conforme pontuou o professor. Quando esse monitoramento não é feito, em épocas de chuva, tende, aqueles que justamente estão mais críticos, sofrerem algum tipo de perda de estabilidade”.
Para Frederico Rodrigues, os problemas vivenciados pelos condutores que estão nas estradas refletem o fato de não haver o acompanhamento, o monitoramento e a manutenção adequada na rodovia”. De acordo com ele, o acompanhamento se faz necessário. O fato de ter a rodovia exige que sejam sempre verificados, periodicamente, como estão todos os morros, que é o nome popular de terrapleno ou talude, para prever uma eventual ruptura e intervir antes que ela aconteça”, detalhou.
Monitoramento
O doutor em Engenharia de Transportes destacou e enfatizou a importância do monitoramento dos taludes, que inclusive, é um processo obrigatório e é realizado em todas as rodovias concedidas. Não que lá não aconteça, mas acontece menos. Todo o ano, todas as estruturas são avaliadas e recebem notas. E as que tiverem notas ruins precisam passar pelo processo de intervenção preventiva”, exemplificou.
Pontos críticos
Dados divulgados pela Confederação Nacional do Transporte (CNT) mostraram que em 2022 foram registrados 2.610 pontos críticos (quedas de barreira, erosões na pista, buracos grandes, pontes caídas e pontes estreitas) nas rodovias brasileiras. Um quantitativo 50% maior do que o identificado no ano de 2021, quando foram apuradas 1.739 ocorrências. Minas Gerais acabou se destacando no ano passado quanto a quedas de barreira (123) e erosões na pista (182).
Os números revelaram ainda que encontrar pontos críticos nas estradas está cada vez mais frequente. Em 2012, o usuário encontrava, em média, um ponto crítico a cada 372,4 quilômetros percorridos. Já em 2022, passou a se deparar com uma ocorrência a cada 44 quilômetros.
Diante dos dados apresentados, o engenheiro avaliou que a situação de agravamento se deve principalmente à falta de investimento. As rodovias de gestão pública têm até muito bons profissionais, mas o recurso destinado para elas não é suficiente para manter a malha rodoviária brasileira decentemente. E a piora é justamente em função de redução em investimentos de conserva, manutenção, o que acaba piorando”, concluiu.
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