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27 de janeiro, de 2023 | 09:00

Trabalho de prevenção à violência doméstica é ampliado

Bruna Lage/Arquivo DA
A cada dois dias, uma mulher morre vítima de violência doméstica no estadoA cada dois dias, uma mulher morre vítima de violência doméstica no estado

Dados divulgados pelo governo de Minas Gerais apontam que, a cada dois dias, uma mulher morre vítima de violência doméstica no estado. Uma campanha lançada pelo Governo nesta quinta-feira (25) reforça que “em briga de marido e mulher” se mete a colher, sim. Além das peças publicitárias, o trabalho realizado pela Patrulha de Prevenção à Violência Doméstica (PPVD) tem sido essencial, como explica a 2º sargento Lindamar Andrade de Oliveira Costa, que atua na Patrulha no município de Timóteo há dois anos.

A policial detalha que o acompanhamento da PPVD é realizado a partir do boletim de ocorrência feito pela viatura diária. Quando a mulher solicita o acompanhamento, a patrulha vai ao local uma vez por semana. “Tanto para a mulher quanto para o autor, conversamos com os dois. Se o casal estiver junto, acompanhamos, se estiver separado, vamos aonde cada um está. Acompanhamos, encaminhamos essa mulher para o serviço de assistência psicológica se estiver precisando de assistência de saúde também. Acompanhamos todos os aspectos”, aponta.

Conforme explica a sargento, o autor é monitorado a todo o momento. "Sabemos onde encontrá-lo. Se houver necessidade durante esse acompanhamento de encaminhar a mulher para o Ministério Público, encaminhamos. Se for o caso de medida protetiva, acompanhamos e até levamos à Delegacia, esperamos ela ser ouvida e que seja solicitada a medida. Todo esse processo pode durar de quatro e seis meses”, revela.

Padrão
O trabalho da PPVD na região e no estado é padronizado, segundo a sargento. A viatura atende o chamado feito via 190, onde está ocorrendo a violência doméstica contra a mulher. Um BO é registrado e as primeiras orientações são passadas. Em outros casos, a mulher que vem sofrendo violência já há algum tempo resolve procurar uma unidade e faz esse registro. “A patrulha pega todos os boletins feitos na semana anterior. Algumas mulheres querem acompanhamento, outras não”, pontua.

A média de atendimento varia, segundo a policial, mas nunca houve uma semana sem registros. “Às vezes tem sete, oito, em algumas semanas tem três, dois. Varia muito, mas toda semana tem. Infelizmente a violência doméstica ainda é uma realidade na região. Mas as mulheres têm tido coragem de denunciar, de enfrentar o problema e por isso tem aumentado os registros”, avalia.

A orientação da sargento é que as mulheres não fiquem caladas. “Denunciem, temos ferramentas e parceria com o Ministério Público e Polícia Civil, com solicitação de medidas protetivas. Vocês não estão sozinhas, não deixem de fazer a denúncia por medo”, alerta. As denúncias podem ser realizadas via 190, numa unidade da PM, ou com a equipe da PPVD.

Mortes
Em Minas, em 50% dos casos, as mortes foram causadas por facas, tesouras ou canivetes. São crimes cometidos por maridos, namorados, ex-companheiros, entre outros. Em todo o Brasil, somente em 2021, 3.878 mulheres foram vítimas de homicídio. Os casos registrados como feminicídio, que é quando a vítima é assassinada pelo fato de ser mulher, chegaram a 1.341, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública.

De acordo com um relatório da Polícia Civil de Minas Gerais, 155 mulheres foram vítimas de feminicídio em 2021. Em 2022, foram 163, além de outras 195 tentativas de feminicídio. Para coibir a violência contra a mulher, impedir que essas mortes ocorram e garantir que os agressores sejam presos, a campanha do Governo de Minas reforça que é possível denunciar pelo telefone 181. O Disque Denúncia é coordenado pela Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) e completou 15 anos em 2022.
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Comentários

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Canhotinho

27 de janeiro, 2023 | 09:36

“Se a mulher teve a voz silenciada pelo medo, seja a voz dela. Denuncie!”

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