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25 de janeiro, de 2023 | 19:00

A tragédia da mineração em Brumadinho quatro anos depois

Luciano Laguna/Divulgação
  O rompimento da barragem da Mina do Córrego do Feijão, em Brumadinho, ocorreu no dia 25 de janeiro de 2019 e teve ipatinguenses entre as vítimas O rompimento da barragem da Mina do Córrego do Feijão, em Brumadinho, ocorreu no dia 25 de janeiro de 2019 e teve ipatinguenses entre as vítimas

O rompimento da barragem da Mina do Córrego do Feijão, localizada em Brumadinho, na Região Metropolitana de Belo Horizonte completou quatro anos nesta quarta-feira (25). Ao todo, 272 pessoas morreram nessa tragédia, a maioria funcionários da Vale e empresas terceirizadas, além de moradores da localidade rural. Os corpos de três vítimas ainda estão desaparecidos e são procurados pelo Corpo de Bombeiros.

Dentre as vítimas em Brumadinho, quatro eram de Ipatinga e trabalhavam nos setores da Mina do Córrego do Feijão no momento da tragédia. Os ipatiguenses que morreram são: Ninrode de Brito Nascimento, que faleceu aos 34 anos; Wanderson Paulo da Silva, de 38 anos; Ícaro Douglas Alves, de 33 anos; e Júlio César Teixeira Santiago, de 35. Havia mais pessoas de Ipatinga e outras cidades do Vale do Aço na área do acidente, que sobreviveram.

Ninrode
Conforme divulgado pelo Diário do Aço à época, a primeira vítima encontrada do Vale do Aço foi o ipatinguense Ninrode de Brito Nascimento. Ele foi sepultado no dia 29 de janeiro de 2019. Antes de sua morte, ele atuava havia pouco mais de sete meses na Vale e, dois anos antes da tragédia já morava em Brumadinho.

O ipatinguense era filho do falecido pastor Edson Nascimento, que foi vereador em Ipatinga na década de 1970 e também considerado um dos fundadores da Igreja Batista Nacional no Vale do Aço. A família acredita que no momento do rompimento Ninrode estava no interior do prédio administrativo, onde trabalhava.

Wanderson Paulo
O corpo de Wanderson Paulo da Silva foi sepultado no dia 4 de fevereiro de 2019, em Belo Horizonte. Ele era engenheiro geólogo e trabalhou na Vale por oito anos. Foi selecionado pela mineradora quando ainda era estudante, na Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP). No momento em que a barragem se rompeu, Wanderson estava em um setor administrativo da empresa e não conseguiu escapar.

Wanderson nasceu em Ipatinga e morou durante anos no bairro Caravelas, com o avô. Após conseguir um emprego na Vale, o engenheiro mudou-se para Belo Horizonte. Wanderson tinha um filho e ainda estava com casamento marcado para junho de 2019.

Ícaro Douglas
Conforme divulgado pelo Diário do Aço, o corpo do ipatinguense Ícaro Douglas Alves foi sepultado no Cemitério Parque Senhora da Paz, no dia 14 de março de 2019. No momento do rompimento da barragem de rejeitos, o eletricista trabalhava na Mina Córrego do Feijão. Ícaro deixou esposa e dois filhos.

Ícaro era morador do bairro Veneza II, em Ipatinga, e por seis meses prestou serviço para a Vale, em Brumadinho. Ele iria voltar para casa no dia do rompimento da barragem, conforme havia combinado com seus familiares.

Primeira notícia divulgada no começo da noite de 25/1/2019
Barragem da Vale se rompe em Brumadinho

Júlio César
Após meses de busca, as equipes de regaste conseguiram encontrar o corpo do morador de Ipatinga Júlio César Teixeira Santiago. Ele também foi uma das vítimas do rompimento da barragem de rejeitos. O corpo de Júlio César foi sepultado no dia 14 de abril de 2019, no Cemitério Parque Senhora da Paz, em Ipatinga. Júlio era casado e deixou a mulher e dois filhos.

Conforme já noticiado pelo Diário do Aço, Júlio César morou por mais de 20 anos em Ipatinga e atuou como supervisor de elétrica por seis meses em uma empresa terceirizada da Vale, em Brumadinho, até o dia da tragédia.

Tramitação
Até o mês passado, 16 pessoas eram rés na Justiça mineira, dentre as quais 11 ligadas à mineradora Vale e cinco à empresa alemã Tüv Süd, que assinou o laudo de estabilidade da barragem que se rompeu. O processo havia sido movido pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) em fevereiro de 2020 com base em investigações da Polícia Civil. Sua tramitação, no entanto, foi prejudicada por uma discussão sobre a competência, motivada por um habeas corpus apresentado pela defesa de um dos réus, o ex-presidente da mineradora Fábio Schvartsman.

Denúncia
No mês passado, o Supremo Tribunal Federal (STF) determinou que o caso fosse remetido à Justiça Federal. Como cabe ao Ministério Público Federal (MPF) atuar na esfera federal, a decisão afastou automaticamente o MPMG do processo. Há três dias, no entanto, o MPF tomou a decisão de reapresentar a denúncia do MPMG, que foi aceita na terça-feira (24) pela juíza Raquel Vasconcelos Alves de Lima, da 2ª Vara Criminal Federal.

16 réus
Dessa forma, os 16 denunciados que haviam deixado de ser réus perante a Justiça estadual assumem agora a condição de réus na Justiça Federal. Eles vão responder por diversos crimes ambientais e por homicídio doloso qualificado. Vale e Tüv Süd também foram denunciadas e, se condenadas, podem ser penalizadas com diversas sanções.

Já publicado:
Brumadinho: Justiça aceita denúncia após federalização do caso
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