07 de dezembro, de 2022 | 17:15

Peru vive tensão política com tentativa de golpe de estado e prisão do presidente esquerdista Pedro Gastilho

Professor e líder sindicalista, Castilho foi eleito em 2021 ao vencer a ex-presidente peruana Keiko Fujimori

Reprodução Twitter Castillo
Votação da destituição no Congresso já estava marcada, Castillo tentou impedi-la com a dissolução do Congresso e a instauração de um governo de emergência; mas acabou destituído e presoVotação da destituição no Congresso já estava marcada, Castillo tentou impedi-la com a dissolução do Congresso e a instauração de um governo de emergência; mas acabou destituído e preso

O Congresso do Peru manteve uma votação agendada para esta quarta-feira (7), determinou a destituição do presidente de esquerda Pedro Castillo e o afastou do cargo nesta quarta-feira (7/12). Numa tentativa de evitar que fosse cassado, o presidente tentou dissolver o Parlamento e instaurar, sem sucesso, um golpe de Estado no país. Com a destituição, Castillo foi preso após deixar o Palácio Presidencial, acompanhado da primeira-dama. Com a decisão do Congresso, a vice-presidente Dina Boluarte assume o cargo.

A votação da destituição já estava marcada, mas Castillo tentou uma última cartada para impedi-la com a dissolução do Congresso e a instauração de um governo de emergência - o que não encontra respaldo na Constituição peruana.

A oposição, de aliados do próprio Castillo, bem como do Ministério Público, Judiciário, Legislativo e Forças Armadas, encurralaram politicamente o presidente. Assim que ele publicou o decreto dissolvendo o Congresso, ministros e aliados de Castillo renunciaram como forma de protesto e condenaram a medida. O advogado que defende Castillo, Benji Espizona, deixou o posto. Enfraquecido, Castilho não resistiu.

Entre outras autoridades que se posicionaram de forma contundente, a vice-presidente Dina Boluarte declarou que a instauração de um governo de emergência consiste numa ruptura da ordem democrática.

A Suprema Corte manteve o mesmo tom em relação ao decreto presidencial e pediu que as Forças Armadas e a população “defendam a ordem democrática” no país.

Em resposta, as Forças Armadas peruanas e a Polícia Nacional disseram que se manterão fiéis à Constituição e não acatarão nenhuma ordem contrárias à Carta Magna do país. (Com informações de Agências)

Histórico de Pedro Castilho

Pedro Castillo Terrones é mestre em psicologia educacional e até 2017, fez parte do partido Peru Possível, fundado pelo ex-presidente Alejandro Toledo, que está preso nos Estados Unidos, após o judiciário do Peru ordenar, em 2017, prisão preventiva por suposto envolvimento em subornos com a Construtora Odebrecht. As acusações foram negadas por Toledo.

Atualmente, Castillo é filiado do Peru Livre e, como sindicalista, foi um dos líderes em uma greve de professores durante o governo de Pedro Pablo Kuczynski.

O presidente foi acusado de ser aliado de membros da polêmica organização Movadef, indicada pela polícia como braço político do grupo de guerrilha peruano, algo que eles negam.

Castillo é definido como um lutador social e disse nas eleições que terminaria os conflitos sociais. Em julho de 2021, Castillo foi declarado presidente após uma apuração manual de votos que demorou vários dias. Ao fim da apuração, ele venceu a ex-presidente peruana Keiko Fujimori.
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