20 de novembro, de 2022 | 08:00
Dia da Consciência Negra é celebrado em Comunidade Remanescente Quilombola da região
Divulgação
A Comunidade Remanescente Quilombola tem em suas raízes diversos elementos da cultura afro-brasileira
A Comunidade Remanescente Quilombola tem em suas raízes diversos elementos da cultura afro-brasileira Com o intuito de promover uma reflexão sobre racismo e a necessidade de construir uma sociedade mais justa, o Dia da Consciência Negra é celebrado neste domingo (20). Essa data também faz uma homenagem a Zumbi, que foi líder do Quilombo dos Palmares, um local que se tornou um dos maiores símbolos da resistência e refúgio dos escravos durante o período escravocrata no Brasil. Para marcar essa data, em Santana do Paraíso haverá ações comemorativas na comunidade Achado de Cima ou Achado dos Pretos”, que é considerada uma Comunidade Remanescente Quilombola. O título foi conquistado depois da tramitação de documentos junto à Fundação Cultural Palmares.
O evento gratuito, que já é tradição no Achado de Cima, ocorrerá entre 8h30 e 13h30 deste domingo. É realmente um dia de conscientização sobre a importância do preto na sociedade, do reconhecimento, do valor, da cultura e da luta de pessoas que não se calaram e levantarem a cabeça contra o racismo”, afirmou o gerente de Turismo e Cultura de Santana do Paraíso, Tháysler Cruz.
Reconhecimento
Nesta data comemorativa também será entregue o título de reconhecimento quilombola da comunidade, uma conquista depois de 104 anos de existência, conforme documentos históricos. A Certidão de Autodefinição da Fundação Cultural Palmares, que certifica que a comunidade Achado dos Pretos se autodefine como remanescente dos quilombos, foi publicada em dezembro de 2021. Com isso, a comunidade passa a ter direitos sobre várias políticas públicas, por meio de uma instituição, de um conselho ou até mesmo uma associação”, ressaltou o gerente.
Comunidade
A Comunidade Remanescente Quilombola tem em suas raízes diversos elementos da cultura afro-brasileira e surgiu após vários refugiados de fazendas das proximidades se instalarem na localidade, uma região com solo fértil e rica em frutas. O evento de domingo surge também como uma oportunidade para conhecer a história e cultura dos moradores locais. Eu queria deixar o convite a todos os munícipes e pessoas de cidades vizinhas para que pudessem vir prestigiar esse evento, conhecer a comunidade, os líderes e ver o que tem sido feito”, finalizou Tháysler.
Afirmação da cultura
O professor de História e jornalista, Bruno Jackson, que acompanhou a reivindicação da comunidade do Achado desde 2007, afirma que o título concedido pela Fundação Cultural Palmares é o reconhecimento da luta por afirmação da cultura afrodescendente iniciada desde o século XVIII, quando a mineração foi responsável pela proliferação desses povos tradicionais em Minas Gerais.
No decorrer do século XVIII, aproximadamente 1,7 milhão de negros africanos foram trazidos para o Brasil para serem escravizados. Muitos deles foram enviados para trabalhar em Minas Gerais, que experimentava o surto de exploração do ouro. Inclusive, em 1742, esses africanos representavam cerca de 70% da população de Minas Gerais, estimada em 266 mil pessoas. E, entre 1710 e 1798, existiram cerca de 120 quilombos em Minas Gerais. Hoje, ainda há no estado comunidades remanescentes desses antigos quilombos. Uma delas é a comunidade do Achado, que mantém um importante legado da cultura afrodescendente em Santana do Paraíso”, pontua Bruno Jackson.
Valorização da comunidade
O professor ressalta, ainda, a importância de se valorizar a comunidade do Achado e aproximar as escolas desse importante núcleo afrodescendente. A atuação dos movimentos negros no século XX contribuiu para algumas conquistas no Brasil, como a Lei 10.639, que introduziu a obrigatoriedade do ensino de história e cultura africanas e afro-brasileira nas escolas. Nesse sentido, é fundamental um intercâmbio entre as escolas da região e a comunidade do Achado para explorar esse aprendizado para os alunos. Essa comunidade quilombola tem muito a ensinar, visto o belo trabalho que seus membros fazem na área do artesanato, da religiosidade e da culinária afro”, destacou Bruno.
Programação
O evento do Dia da Consciência Negra no Achado de Cima terá a seguinte programação: às 8h30 será realizado um café da manhã com comidas típicas da comunidade. Às 9h30 haverá apresentações culturais, palestras e entrega do título de reconhecimento da comunidade. O almoço com comidas típicas da comunidade está marcado para as 12h. Já o encerramento do evento será às 13h30.
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Carlos Antônio de Souza
21 de novembro, 2022 | 20:21Prezado senhor Daniel Florentino de Souza. Eu sou moreno (ou pardo, conforme classificação do IBGE). Lendo seu comentário, quando cheguei nessa parte "ja pensou dia da consciência branca" (sic), "dia da consciência do índio" - desconhecendo que existe o Dia dos Povos Indígenas, só posso entender que o senhor mente ao dizer que é preto, ou fugiu da escola, ou então não tem a menor noção do que escreve. Recomendo que leia "Escravidão", do escritor Laurentino Gomes. Quem sabem assim vai entender porque precisamos do "Dia da Consciência Negra"?”
Daniel Florentino de Souza
21 de novembro, 2022 | 15:26Sou negro e não concordo com está data,ácho que não agrega nada a não ser acentua ainda mais a divisões ética nesse pais.ja pensou dia da consciência branca dia da consciência do índio?acho que só mostra o quanto alguns próprios são racistas.chega dessas divisões idiotas somos todos iguais perante Deus .”