16 de novembro, de 2022 | 07:00

Fim da festa

Fernando Rocha

Terminou o Campeonato Brasileiro da 1ª Divisão, a mais importante competição do calendário nacional, que teve o Palmeiras campeão e rebaixados o Ceará, o Atlético(GO), o Avaí(SC) e o Juventude(RS).

O Atlético, com a vitória sobre o Corinthians por 1 x 0, fora de casa, terminou em 7º lugar, posição que ocupou por quase toda a disputa, conquistando uma vaga na fase pré-Libertadores, algo inimaginável no início desta temporada, sobretudo, pela bela campanha e pelas várias conquistas obtidas em 2022.

Será a nona participação do Galo na maior competição continental nos últimos 11 anos - ficou de fora apenas em 2018 e 2020 -, e mesmo que desta vez tenha de encarar dois adversários ainda desconhecidos, em disputas de mata a mata para chegar à fase de grupos, trata-se de um feito importante.

Precisa mudar
Não há dúvida de que o atual elenco do Atlético, além de ser um dos mais caros do futebol brasileiro, é um dos mais qualificados.

Mas é, também consensual, que precisa ser oxigenado com a saída de jogadores por envelhecimento ou acomodação, além da chegada de outros com “fome” de conquistas ou necessidade de alavancar suas carreiras.

O técnico com maior número de conquistas na história do clube, Cuca, não foi bem nessa última passagem e vai embora, desta vez, sem deixar saudade.

A reformulação dependerá muito do novo treinador, da capacidade de investimento, que hoje é limitada, e da chegada da SAF, algo que ainda está para se concretizar.

Para o atleticano, a sensação que ficou é de decepção, com apenas duas conquistas de menor expressão - o Mineiro, considerado uma obrigação, e a Supercopa da CBF, obtida nos pênaltis sobre o Flamengo.

Para 2023, com a expectativa da nova casa aberta e funcionando bem, a massa do Galo espera muito mais, sobretudo, um time vencedor que possa repetir ao menos o que fez em 2021, conquistando títulos importantes.

FIM DE PAPO

O resumo da ópera bufa do Galo no recém-terminado Campeonato Brasileiro: 58 pontos ganhos, 38 jogos, 15 vitórias, 13 empates, 10 derrotas, 45 gols marcados, 37 gols sofridos, saldo positivo de oito gols. Terminou a maior competição nacional em 7º lugar, o primeiro fora da zona de classificação à fase de grupos da Libertadores. Não é admissível, para quem paga em dia uma folha salarial de, aproximadamente, R$ 20 milhões mensais, uma campanha dessas, notadamente, pelo que deixou de fazer nos jogos em casa.

Não há, até agora, uma explicação convincente para os fracassos dentro do Mineirão, onde em 19 jogos dos 57 pontos possíveis só conquistou 29. Foram apenas oito vitórias, cinco empates vexatórios e seis derrotas vergonhosas para o América (1 x 2), Corinthians (1 x 2, de virada), Paranaense (2 x 3, tendo ficado duas vezes em vantagem no placar e tomou outra virada), Goiás (0 x 1), Palmeiras (0 x 1) e Botafogo (0 x 2). Se tivesse feito o dever de casa em apenas um jogo desses, não teria ficado de fora da fase de grupos da Libertadores.

Mesmo com esta campanha pífia, terminando em 7º lugar na tabela do Campeonato Brasileiro, o Atlético ainda vai botar a mão em uma boa grana de premiação estipulada pela CBF, algo em torno de R$ 31,5 milhões. Se, por exemplo, terminasse em 9º lugar e ficasse de fora da zona de classificação à Libertadores, o premio cairia cerca de R$ 4 milhões. Na próxima temporada vai ter direito à premiação da Conmebol, que também é muito significativa, por disputar a fase preliminar do torneio continental.

O América ficou no “quase” em relação à vaga na pré-Libertadores, mas está de parabéns por conseguir permanecer pelo segundo ano consecutivo na Série A e ainda garantir participação na Copa Sul-Americana. O time comandado por Vagner Mancini esteve muito nervoso e não saiu do empate de 1 x 1 contra o rebaixado Atlético-GO, no Independência. No último minuto, teve um gol no mínimo “discutível”, anulado pelo VAR, que poderia ter-lhe dado a classificação. Mais um lance para entrar no rosário de lamentações e chororôs da sua história centenária. (Fecha o pano!)
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