EXPO USIPA 2026

01 de novembro, de 2022 | 12:00

João pão...

Nena de Castro *

7.3, ontem. Bem veinha, rs. E animada como sempre. Tudo há de melhorar, espero ver os pobres longe da fome! Odeio ver pessoas desnutridas, criança então... Não creio que Deus fez alguém para a miséria, nós é que complicamos tudo; o egoísmo, a insensibilidade e o desamor é que trazem desgraça para o planeta Terra.

Eu ontem, esperando parar de chover para poder tirar minhas fotos de aniversário trepando em árvores, rio com gosto. É que acabei de ler uma das crônicas maravilhosas da professora Marta Godoi que lecionou Língua Portuguesa por muitos anos aqui no Vale do Aço na Unileste, morava em Timóteo e hoje vive em Portugal. Devoro seus escritos como quem se delicia com um pudim perfeito, nada sobra, nada falta, ela maneja a escrita com precisão de cozinheira que faz delícias sem pesar a mão, numa habilidade ancestral.

Então Marta nos conta dos seus medos de infância, e Assombração, Homem da mala, Saci, Lobisomem nada eram senão coadjuvantes de um personagem chamado João Pão.

Imagine num lugar sem luz elétrica, em que a escuridão e as sombras já metem medo, pai e mãe contando aos 7 filhos que o João Pão viria comer seus ”figos” se eles não dormissem.

As crianças, boquiabertas, coração pulando no peito, ouviam que João Pão vinha devagar, precedido pelo toque de tambor, cantando:

“Ó Maria, já estou no seu terreiro, Maria!
João Pão, vai comer seu figo
Tum! Tum! Tum!”


O malvado se aproximava, via as crianças dormindo – quem era besta de ficar acordado? - e ia direto pra debaixo da cama.
O jeito era dormir, pra não ficar sem o figo, rs. João Pão era o maior devorador de crianças acordadas do mundo da escritora, que envolvia lugares tantos e tão caros, tão bonitos...

Querida Marta,
Quanta inventividade de seus pais. Que maravilha!
“Cá, como lá, maus fados há” e tinha no nosso país um ser malvado tirando a comida das crianças, entre ” otras cositas” muito ruins.

Ocorre que dia 30 nós o exorcizamos nas urnas. Que ele volte para os “togós” de onde nunca devia ter saído.
E que João Pão, ao invés de comer os figos das crianças, traga para elas alimentos com fartura, empregos para os pais, moradias, alegria e paz. (E nada mais digo, a não ser: afeeee! Que alívio, Brasil!

* Historiadora e contadora de história

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Comentários

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Gildázio Garcia Vitor

02 de novembro, 2022 | 18:10

“Muito bom, Nena! "Afeeee! Que alívio, Brasil!". Obrigado!”

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