27 de outubro, de 2022 | 13:19

Da Amazônia para a universidade: Ayahuasca foi tema de roda de conversa no Unileste

Reportagem: Vinicius Rosa e Juliana Gonçalves, estudantes do 8º período de Jornalismo do Unileste
O Unileste promoveu essa semana uma roda de conversa para a divulgação de uma pesquisa sobre os efeitos da bebida Ayahuasca no tratamento da depressão.

Coordenada pelo professor de psicologia, Antônio Honório Ferreira, a pesquisa foi feita em cima de outros trabalhos acadêmicos que vem sendo realizados com o uso da bebida.

Desenvolvido pelos alunos do curso, Kátia dos Santos e Vitor Alencar, o trabalho abordou os benefícios do uso do chá no tratamento de pacientes com depressão e desmistificou alguns preconceitos.

Uma das pesquisas utilizadas no projeto foi realizada pelo Instituto do Cérebro, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, com 29 participantes, divididos em dois grupos. Uma parcela consumiu Ayahuasca e a outra, um placebo. Os resultados indicaram que 64% dos pacientes submetidos a utilização do chá tiveram redução nos sintomas da doença.
O professor Antônio Honório (à esq.) ao lado dos alunos Kátia dos Santos e Vitor Alencar, apresentando os resultados da pesquisa. Foto: Vinícius RosaO professor Antônio Honório (à esq.) ao lado dos alunos Kátia dos Santos e Vitor Alencar, apresentando os resultados da pesquisa. Foto: Vinícius Rosa

O evento na terça-feira (25/10) contou com a participação de alguns membros da União do Vegetal, vertente do espiritismo que utiliza a bebida em cerimônias religiosas, e de profissionais do Direito, da Psiquiatria e da Química, que explicaram aos alunos e à comunidade os benefícios e as ações da bebida no organismo.

Os dados obtidos pelos alunos também ressaltaram a importância de intensificar as pesquisas na área. “Hoje a Ayahuasca só tem permissão de uso dentro de rituais religiosos e para a pesquisa científica. Precisamos intensificar essas pesquisas para mostrar os benefícios que ela tem para a saúde mental”, ressaltou Kátia.

O que é a Ayahuasca?

A Ayahuasca – também conhecida como Daime ou simplesmente “Vegetal” – é uma mistura de duas plantas típicas da região amazônica, o cipó de Mariri e a Chacrona. Juntas, as plantas possuem o chamado efeito enteógeno, que altera a percepção da realidade e cria “uma conexão com o divino”.

Conforme os estudos feitos pelos estudantes de Psicologia, o chá possui uma grande vantagem em relação ao uso de medicamentos para tratar casos de depressão, pois não causa dependência.
Divulgação
Helson Drummond, advogado e membro da União do Vegetal, contou um pouco da história da bebida e dos preconceitos que ela enfrentou ao chegar nas áreas urbanas. Foto: Vinícius RosaHelson Drummond, advogado e membro da União do Vegetal, contou um pouco da história da bebida e dos preconceitos que ela enfrentou ao chegar nas áreas urbanas. Foto: Vinícius Rosa

O professor e coordenador do curso de Engenharia Química do Unileste, Leonardo Paes Lima, ressaltou aos alunos e demais participantes a importância de reconhecer os nomes científicos das plantas, pois a compra ilegal e o consumo da bebida fora de um ambiente controlado, pode oferecer alguns riscos à saúde. “Eu já vi pessoas que desenvolveram cirrose hepática e que não bebiam álcool regularmente, mas o consumo de chás em geral era tão grande que ela desenvolveu a doença”, destacou o professor.

Tratamento com o chá

Membro da União do Vegetal há 21 anos, Alexandre Wagner, conhecido como “Feijão”, contou um pouco da sua história na religião e os benefícios que a Ayahuasca trouxe para sua vida. “Esse chá só trouxe coisas boas na minha vida. Eu tomo há 21 anos e melhorei enquanto pessoa. Mas ainda tenho muito a melhorar”, disse.
A psicoterapeuta Claudia Moraes relata aos participantes como uma de suas pacientes evoluiu positivamente após o uso da Ayahuasca. Foto: Vinícius Rosa.A psicoterapeuta Claudia Moraes relata aos participantes como uma de suas pacientes evoluiu positivamente após o uso da Ayahuasca. Foto: Vinícius Rosa.

Para o psiquiatra João Vitor Moura, os medicamentos para o tratamento da depressão suprem algumas lacunas psíquicas e neurológicas, mas só isso não é o suficiente. “O consumo da Ayahuasca ajuda o paciente a encontrar o seu ‘eu interior’ e essa conexão auxilia no tratamento da depressão, sendo indispensável o acompanhamento de um profissional, tanto para a indicação dos medicamentos quanto a visão geral de cada quadro clínico”.

Ao fim, os participantes da conversa responderam dúvidas e questionamentos dos alunos e demais presentes. Ao serem questionados sobre os preconceitos envolvendo o uso medicinal da Ayahuasca – assim como ocorre com o canabidiol, derivado da maconha – a banca ressaltou outras pesquisas que ajudam a quebrar esse preconceito envolvendo a bebida. “Quando o preconceito encontra o conhecimento e a informação, ele se transforma em respeito”, pontuou a psicoterapeuta Claudia Moraes.

Ao fim, os participantes da conversa responderam dúvidas e questionamentos dos alunos e demais presentesAo fim, os participantes da conversa responderam dúvidas e questionamentos dos alunos e demais presentes
Encontrou um erro, ou quer sugerir uma notícia? Fale com o editor: [email protected]

Comentários

Aviso - Os comentários não representam a opinião do Portal Diário do Aço e são de responsabilidade de seus autores. Não serão aprovados comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes. O Diário do Aço modera todas as mensagens e resguarda o direito de reprovar textos ofensivos que não respeitem os critérios estabelecidos.

Wbirajara Caldeira Drumond

27 de outubro, 2022 | 19:25

“Beber o chá é uma experiência única e deve ser vivenciada por todos os seres humanos viventes na Terra, sendo esta experiência nunca mais esquecida. Fica marcada na alma de cada indivíduo e nunca mais será esquecida. Vale a pena vivenciar está esperiencia.”

Envie seu Comentário