'As pessoas querem um Brasil que distribua livros em vez de armas', afirma Lula
Lula iniciou a entrevista dizendo que era uma satisfação voltar a Ipatinga, onde já esteve outras vezes em visita e para participar de atos políticos
23/09/2022 às 18:50
Ricardo Stuckert
Apoiadores do ex-presidente Lula se reuniram no Parque Ipanema para assistirem ao comício
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva desembarcou em Ipatinga por volta de 17h45 desta sexta-feira (23), para participar de um comício no Parque Ipanema, no começo da noite. Antes, atendeu a imprensa em um hotel no bairro Horto. No local, desde o começo da tarde, apoiadores aguardavam a chegada do candidato, conforme noticiou o Diário do Aço.
Lula, que estava acompanhado pela ex-presidente Dilma Rousseff, iniciou a entrevista dizendo que era uma satisfação voltar a Ipatinga, onde já esteve outras vezes em visita para participar de atos políticos.
Débora Anício
Ao lado de Alexandre Kalil, candidato ao governo de Minas, Lula fala a apoiadores concentrados no Parque Ipanema
O candidato afirmou que é de seu conhecimento a necessidade de o Brasil voltar a investir na industrialização e os números demonstram que o país perdeu em torno de 11% de sua indústria.
“Precisamos de uma indústria forte, que gere produtos com maior valor agregado. Por isso, consta no nosso programa de governo, um olhar para a reindustrialização, para a recuperação da economia brasileira. Sabemos o quanto a indústria é importante para Minas Gerais, sabemos a importância que a Usiminas já teve na região, em Minas e no país”, detalhou.
Lula também lembrou que o Partido dos Trabalhadores já foi forte na região, citando o tempo em que fez prefeitos em Timóteo, Coronel Fabriciano, Ipatinga e Governador Valadares. “Então, a uma semana da eleição e a campanha foi curta, de 45 dias, estou muito otimista com a vitória, em Minas Gerais. Percebo um clima importante no Brasil, de pessoas se dando conta que precisam participar ativamente da vida política para ajudar a reconstruir o Brasil, cuidar do país. Estou convencido que se Kalil cuidar do povo mineiro, como cuidou do Atlético, vai ser tudo maravilhoso”, enfatizou.
Bruna Lage
Lula lembrou o tempo em que o PT foi forte na região
Pediu votos também para o candidato a senador, Alexandre Silveira, pessoa que, conforme Lula, vai ajudar o seu governo no senado a aprovar o que precisa ser aprovado para melhorar a vida do povo. “Temos condições de ganhar a eleição, se não no primeiro, será no segundo turno. Se não der no primeiro, paciência. Já disputei eleições em que fui para o segundo turno e saímos vitoriosos”, afirmou.
Lula acrescentou que acredita na vitória por perceber na sociedade a vontade das pessoas para que o país volte a distribuir livros em vez de armas. “As pessoas querem voltar a almoçar e a jantar. Temos milhões de pessoas passando fome, precisando de emprego de qualidade e querendo participar democraticamente das decisões. São pessoas que querem a reconstrução do país”, disse Lula.
Debora Anício
Lula destacou que o modelo brasileiro de urna eletrônica deveria ser vendido para outros países
Lula defende urna eletrônica
Na entrevista Lula da Silva manifestou confiança na urna eletrônica usada no processo eleitoral. Questionado sobre os frequentes ataques do presidente Bolsonaro e aliados às urnas eletrônicas, Lula destacou que os equipamentos são confiáveis e que até hoje não houve fraudes. “Se a Justiça Eleitoral e a urna eletrônica tivessem possibilidade de fazer o que o atual o presidente fala, jamais um metalúrgico teria sido eleito presidente do Brasil, e jamais uma ex-prisioneira política teria sido eleita presidenta da República. Quero dizer para vocês que respeito a urna e a sua seriedade. E falo mais ainda, deveria ser modelo para o mundo todo, porque tem países avançados em que a eleição ocorre num domingo e vai saber o resultado dias depois”, disse.
Lula também destacou que o modelo brasileiro de urna eletrônica deveria ser vendido para outros países. “A urna eletrônica é uma coisa extraordinária. A eleição no Brasil termina às 17h e às 19h vamos saber quem é o presidente, governadores, deputados, senadores. Essa é uma coisa que o Brasil poderia vender. Essa tecnologia é muito importante, mas tudo pode falhar na vida. Pode ser que uma urna ou duas apresentem problemas, mas até agora, não há nenhuma denúncia de qualquer processo de fraude”, afirmou.
O candidato petista ainda criticou as falas do atual presidente, Jair Bolsonaro, contra as urnas eletrônicas. “O que está acontecendo é que nosso atual e, logo, ex-presidente sabe que vai perder. Então ele está fazendo assim como Donald Trump fez nos Estados Unidos, arrumando uma desculpa. Ele ganhou a eleição (em 2018) e continua dizendo que deveria ter ganhado no primeiro turno, porque roubaram”, destacou.
Lula também afirmou que o Exército brasileiro não deveria ter o papel de cuidar das urnas eletrônicas. “A Justiça, os partidos políticos e o Congresso têm muita expertise para cuidar das urnas. Não são as Forças Armadas que têm que cuidar das urnas. As Forças Armadas têm que cuidar da soberania nacional. Tomar conta das fronteiras e não ficar preocupado com urna, quem deve preocupar com isso é a sociedade civil”, disse.
Em relação ao resultado da eleição, Lula afirmou que espera ganhar o pleito e que Bolsonaro aceite a derrota nesse cenário. “Acho importante dizer que eu já ganhei eleição pelo voto eletrônico e espero ganhar essa. Espero também que nosso adversário seja inteligente e aceite a derrota e vá para casa pensar no que fazer, porque no dia seguinte que a gente tomar posse, vamos abrir os sigilos que ele decretou durante seu governo. Quero saber porque ele decreta sigilo por qualquer coisa. A sociedade que saber o que o filho dele fez, o que o Eduardo Pazuello (ex-ministro da Saúde) fez, e o que gastou com cartão corporativo”, pontuou.
Débora Anício
Comício 'Todos juntos por Minas Gerais', realizado na avenida Roberto Burle Marx, à margem do Parque Ipanema
'Toda vez que venho a Minas a gente debate a BR-381; a rodovia foi licitada no governo Dilma', diz candidato
Questionado a respeito da demora na conclusão da BR-381 Norte, entre Belo Horizonte e Governador Valadares, Lula afirmou que toda vez que vem a Minas Gerais, discute-se a situação da rodovia, entre a capital e Valadares. “Mas quero lembrar que essa obra foi licitada pela presidente Dilma. A empresa que venceu, faliu, veio o golpe, e a obra não avançou. É preciso mandar pergunta para o Dnit e ao presidente, o que ele fez por Minas Gerais”, afirmou.
Segundo presidente o trecho da BR-381 entre São Paulo e Belo Horizonte teve a duplicação concluída em sua gestão, mas ficou o trecho Norte sem fazer. “Vamos fazer a duplicação, não queremos que a rodovia continue a ser chamada como rodovia da morte”, enfatizou.
Débora Anício
Comício na avenida Roberto Burle Marx, em Ipatinga, na noite desta sexta-feira 23/9
Anistia a Bolsonaro
Questionado se pretende atender ao pedido feito pelo ex-presidente Michel Temer, que ao defender a pacificação da política citou que o presidente Jair Bolsonaro deveria ser “anistiado”, de eventuais erros na atual gestão, Lula respondeu que sua primeira preocupação é ganhar as eleições, a segunda é montar o governo e a terceira começar a governar.
“Há alguns dias um jornalista me fez essa pergunta e eu indaguei se ele sabe que crime ele [Bolsonaro] cometeu. Estou em campanha sem espírito de vingança. Quero recuperar o país, precisamos gerar emprego, acabar com a fome, concluir estradas, o Brasil precisa voltar a ser respeitado no mundo. Ademais, tem o fato do presidente decretar sigilo de 100 anos em atos de seu governo. O que ele não quer responder? Lá na frente se eventualmente ele tiver que responder alguma coisa, pode ter certeza que ele terá a presunção de inocência, coisa que eu não tive”, concluiu Lula.