18 de setembro, de 2022 | 06:00

Tudo errado

Fernando Rocha

Pep Guardiola, hoje treinador do Manchester City, nove vezes campeão nacional nas principais ligas do futebol europeu, tem uma tese ou uma “receita” para vencer campeonatos de pontos corridos, publicada no livro “Pep confidencial”, do jornalista Marti Perarnau: “Títulos de liga são ganhos nos últimos oito jogos, mas eles são perdidos nos primeiros oito”.

Olhando para esta tese do Guardiola, o Galo faz tudo ao contrário do ano passado. Senão vejamos: nas oito primeiras rodadas perdeu nove pontos ao empatar com times que não brigam pelo título, como Coritiba, Goiás, Bragantino, além de perder para o América.

Trocou o treinador, piorou seu desempenho ainda mais, ficou sem chances de título e agora tem de torcer para que tradicionais rivais, como o Flamengo, sejam campeões para aumentar o número de vagas do Brasil no maior torneio continental, para tentar ficar com uma delas.

Mas o que fazer para chegar à fase de grupos da Libertadores sem precisar de ajuda ou do acaso de terceiros, e não envergonhar ainda mais a sua torcida?

Segundo o departamento de matemática da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), o time vai precisar de duas vitórias a cada três jogos para terminar sem “sustos” no G-4. Abaixo disso, seria vaga apenas para a Sul-Americana.

Reta final
Faltando oito rodadas para o término da Série B do Campeonato Brasileiro, o Cruzeiro está virtualmente classificado para voltar à Série A, depois de campanhas pífias nos dois anos anteriores, desde que foi rebaixado, em 2019.
O sucesso atual é fruto de um trabalho muito bem planejado pela direção do clube, e prova disso é que o time entra na reta final da competição com o departamento médico vazio.

O número baixo de contusões, sobretudo, entre os musculares, faz com que o time tenha quase sempre seus principais jogadores à disposição, o que facilita o trabalho do técnico Paulo Pezzolano.

O Cruzeiro jogaria ontem, em Maceió, contra o CRB, mas a grande expectativa da torcida celeste está no jogo da próxima quarta-feira, contra o Vasco da Gama, que poderá representar a confirmação matemática do acesso à Série A.

FIM DE PAPO

Há duas semanas, o Boca Juniores liberou a imprensa para acompanhar os dois últimos treinos na véspera do “superclássico” contra seu arquirrival River Plate, pela Copa da Argentina. A medida, surpreendente, causou grande impacto na mídia do país vizinho, que transmitiu ao vivo as atividades dos “xeneizes” e comemorou bastante a “novidade” que não acontecia por lá desde o início deste século, quando os dirigentes resolveram adotar o protocolo europeu e limitar as entrevistas ao treinador, um ou dois jogadores, somente após as partidas. Coincidência, o Boca Juniores venceu o confronto de 1 x 0, gol de Benedetto.

Aqui nos nossos grotões, o Cruzeiro fez a mesma coisa após a vitória sobre o Operário-PR, que lhe garantiu a condição de virtual classificado para a Série A, em 2023. Assim como no país vizinho, houve muita comemoração da imprensa “azul” na capital, que cobre o dia a dia do clube celeste. Tudo aquilo que se dizia sobre a “intensidade” dos treinos da Raposa, sob o comando do uruguaio Pezzolano, pode ser visto e constatado ao vivo.

Muito bom. Tomara que outros gigantes do futebol nacional sigam na mesma toada, pois trará mais visibilidade e subsídios para análises dos times e do trabalho de seus respectivos profissionais. Só não acho que deva ser nos moldes do passado, quando a presença da imprensa era diária, criando um ambiente muitas vezes promíscuo entre personagens que deveriam se ater somente ao seu trabalho profissional.

Não tive oportunidade de frequentar uma faculdade, mas aprendi com vários mestres do jornalismo, com os quais tive o prazer, a honra e o privilégio de conviver nas redações ao longo de décadas, como Délio Rocha, Marcondes Tedesco, Parajara dos Santos e José Rodrigues “Carioca” do Amaral, que um dos ensinamentos e aprendizados basilares do jornalismo é desconfiar e, por consequência, questionar. Não há espaço, portanto, para amizades e intimidades com fontes ou entrevistados, que podem se estabelecer a partir do contato diário.

Assim, acho a presença da imprensa nos CTs benéfica, desde que não seja escancarada. Reportagens e boas histórias nascem da capacidade que o jornalista tem de não se conformar com o que parece óbvio aos olhos da maioria. Erros graves, perpetrados pela ausência da verificação de fonte e do inconformismo que deveria ser regra, também surgem e só são descobertos tempos depois. Assim, aparece a desconfiança em relação ao que é noticiado, o que pode gerar total descrédito ao profissional, mas, sobretudo, ao órgão de imprensa onde ele atua, ocasionando prejuízos irreparáveis para todos. “Se um cão está latindo para alertar, mas ninguém confia nele, de que adianta?”. Margaret Sullivan, colunista de mídia do The Washington Post. (Fecha o pano!)
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