Enviada por leitor
Segundo uma das vítimas, no escritório do estelionatário sempre havia muito dinheiro
A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) instaurou inquérito policial para a apuração do crime de estelionato que teria sido praticado por uma empresa de investimentos localizada no bairro Chácaras Oliveira, em Ipatinga. Oito vítimas já compareceram à delegacia e foram ouvidas, mas o número de vítimas enganadas pode ser ainda maior. Só em um grupo criado em um aplicativo de mensagens, com fim de reunir as pessoas prejudicadas, são mais de 90 participantes.
Os investidores eram atraídos por um discurso muito convincente para fazerem investimentos financeiros e que, em um espaço curto de tempo, teriam o retorno tão almejado: altos ganhos. Na fala do empresário responsável pelo negócio, uma promessa que deixava as vítimas ainda mais envolvidas, o investimento sem prejuízos.
No início, algumas pessoas, até chegaram a receber os lucros, e com isso acabaram atraindo amigos e parentes para a emboscada. Foi o que aconteceu com um consultor empresarial que mora no bairro Canaã. O homem de 30 anos informou ao jornal Diário do Aço que conheceu a empresa por meio de um amigo e fez o investimento em dezembro de 2021. “Eu investi R$ 4 mil. Em fevereiro de 2022 eu fiz o saque, o montante deu R$ 24 mil”.
A partir do resultado positivo, a irmã do consultor decidiu que também queria aplicar um dinheiro. Ela foi ao banco e fez um empréstimo no valor de R$17 mil. Só que dessa vez, o resultado não foi como o esperado. “Três meses depois ela foi procurar ele, para sacar pelo menos o lucro, ele começou a marcar e sempre desmarcava”, contou. A mulher, que deveria receber pelo menos R$ 100 mil, de acordo com o prometido, ficou sem o lucro e com o empréstimo para pagar. “Ela não recebeu nenhum centavo. Ele não responde mais ligações, não responde nada”, lamentou o irmão.
Mais pessoas conheceram a empresa por meio de indicação. É o caso de um vigilante, que tem 48 anos, e mora no Canaãzinho. Ele e um amigo pediram demissão do emprego para ir trabalhar como seguranças na empresa e do suposto empresário. “Pedi demissão para trabalhar com o ele, o ‘salarinho’ era melhor. No início a gente estava indo bem, a gente recebia até antes do dia cinco”.
Além de trabalhar para o jovem, o vigilante também resolveu fazer um investimento. “Eu tinha um carrinho que eu comprei na maior dificuldade, um ‘Corsinha’. Vendi o carro por R$ 9 mil e coloquei R$ 8 mil lá”, declarou arrependido. A vítima acredita que foi levada pela conversa da família do suspeito. “As irmãs dele falavam comigo, investe aí que é luco, você vai comprar um carro mais novo que esse aí, pode investir que é garantia”.
Novamente, mais uma promessa atraente, o vigilante foi informado que em agosto poderia retirar cerca de R$ 40 mil, mas infelizmente não recebeu o que foi acordado. “Eu estou a pé, sem carro, sem dinheiro e agora que eu consegui um emprego, mas fiquei sem pagamento”, lastimou.
Outra vítima também está amargando o golpe. Um mototaxista, de 44 anos, do bairro Canaãzinho, também foi enganada. “Entrei em janeiro com R$ 5 mil, em fevereiro coloquei o carro com o valor de R$ 33 mil, março eu coloquei a moto no valor de R$ 14 mil. Minha esposa entrou em fevereiro com R$ 5 mil”, detalhou.
O trabalhador não conseguiu retirar o valor investido e o lucro ele também não sacou. Recebeu apenas uma explicação do dono da empresa que não o convenceu muito. “Ele falou que o Banco Central tinha bloqueado o dinheiro dele, R$ 127 milhões”.
Bom de papo Algo em comum foi relatado pelas vítimas, em entrevista ao Jornal Diário do Aço: o jovem responsável pela empresa conseguia envolver os investidores por meio do discurso. “Ele é bom de papo. Falou para mim que até se ele ou a mulher dele morresse, nós íamos continuar trabalhando com essa empresa, que é a ‘Investimentos Rosa’, e que a empresa nunca ia acabar”, disse o vigilante. Eram muitas promessas. “Ele falava que não tinha erro, que não tinha como dar erro. Não prometia perda, só lucro. Ele falava: é garantido”, recordou o consultor empresarial.
Arrependimento e justiça Muitos dos investidores estão arrependidos, é o caso do vigilante que mora no Canaãzinho. “Agora estou melhorando um pouquinho, mas uns dias aí atrás eu estava ruim, estava em tempo até de fazer uma besteira contra a minha vida. Se eu pudesse voltar atrás”.
O desejo agora é para que o autor seja localizado, preso e que os valores investidos possam ser devolvidos. “Deus abençoe que eles o achem. Prender ele e a mulher dele”, disse o mototaxista.
Formalização da representação Em nota, a Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) destacou que, enquanto dá andamento a apuração dos fatos, aguarda pelo comparecimento de outras vítimas para formalizarem a representação quanto aos fatos. A instituição orientou que as vítimas compareçam à delegacia.
O suspeitoA reportagem do Jornal Diário do Aço tentou por diversos canais o contato com a empresa e o suspeito. Um deles foi o e-mail, enviado na tarde de quarta-feira (14), que não foi respondido até o fechamento dessa edição. Também foram enviadas mensagens para quatro números de WhatsApp fornecidos pelas vítimas. Ligamos para os números, mas não fomos atendidos.
Vítimas de seguidos golpes Em reportagem publicada em 4 de maio deste ano, sob o título
"Vítimas temem golpe em suposto investimento por aplicativo na região" o Diário do Aço relatou que pessoas estavam desconfiadas de mais um golpe, aplicado via plataforma online. No caso noticiado hoje, a modalidade era presencial e é mais um dos vários golpes aplicados para tomar as reservas financeiras das pessoas.