Alex Ferreira
Preço do leite foi encontrado neste sábado (10), a preços entre R$ 4,78 e R$ 4,58 em um supermercado no Vale do Aço
Depois de acumular alta superior a 80%, o preço do leite finalmente caiu e é comercializado abaixo de R$ 5 em alguns supermercados. Pelo menos o “longa vida”, na caixinha, pois o leite de verdade, vendido em sacolinhas (pasteurizado), permanece acima de R$ 7.
O professor da Universidade dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (duas regiões com produção significativa de leite), Alexandre Sylvio, já havia informado em entrevista ao Portal Uai, no mês de agosto, que o leite não vai regredir ao preço do ano passado.
“Provavelmente não compraremos mais o litro a R$ 2,50 ou R$ 3 [o litro]. Porém, com certeza, a tendência é de queda dos valores nos próximos meses. Nós temos que colocar também o fator inflacionário”, detalhou.
Desde o começo do ano o litro do leite foi vendido a preços que subiam mês a mês e aproximou-se de R$ 10, acima do preço do litro da gasolina – algo incomum.
Com isso, o entendimento é que o consumidor decidiu dar uma freada nas compras, o que forçou a queda nos preços do laticínio, que neste sábado foi encontrado a R$ 4,78 em um supermercado em Ipatinga, conforme constatou a reportagem do Diário do Aço. “Realmente o consumo caiu, tanto, que reduzimos a área de exposição das caixas. A maioria desse produto aqui estava em estoque”, informou um repositor que pediu para não ser identificado.
Já os preços de outros derivados não tiveram redução. O queijo tipo muçarela, muito usado em receitas, chega a custar R$ 60 o quilo hoje. Custa em torno de R$ 30 em janeiro. O iogurte com polpa de frutas custa em média R$ 8 a bandeja com seis unidades. Custa em torno de R$ 4 no começo do ano.
A redução de preço associada à demanda, leva preocupação ao produtor rural, que teme uma baixa de preço no campo, o que pode provocar desequilíbrio entre o faturamento e os custos operacionais.
Alex Ferreira
Agora está nesse patamar, mas no mês de julho preço do litro de leite podia se encontrado acima de R$ 9, mais caro até que o preço do litro da gasolina
Motivos da alta de preços A disparada de preços nos produtos lácteo tem vários fatores envolvidos. Desde janeiro de 2019, quando se iniciou a escalada da desvalorização do real frente ao dólar, os pecuaristas enfrentam também a disparada nos preços dos insumos.
A situação foi agravada pela seca na última safra e, mais recentemente, a guerra na Ucrânia, que desestabilizou o fornecimento de matérias primas no setor.
Um dos exemplos é o custo do milho, principal prato bovino, que disparou, assim como suplementação mineral, fertilizantes e combustíveis.
Dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea-Esalq/Usp) mostram que em 2019 o pecuarista precisava produzir 28 litros de leite para comprar uma saca de 60kg de milho.
Em 2020, o valor médio anual subiu para 34 litros por saca e, em 2021, chegou a 43 litros por saca. Este ano começou com um pico de 45 litros/saca e atualmente está em 35.
No curso dessa alta, para evitar prejuízos, muitos produtores venderam vacas com menor produtividade para o abate, aproveitando o preço valorizado da arroba do boi.