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10 de setembro, de 2022 | 07:20

Psiquiatra acredita na necessidade de falar sobre o suicídio de forma humana e responsável

No Brasil, os dados também impressionam: os registros se aproximam de 14 mil casos por ano

Leca Novo
 ''É preciso entender que a depressão, assim como diversas outras patologias mentais, é uma doença'', destacou Jaqueline Bifano ''É preciso entender que a depressão, assim como diversas outras patologias mentais, é uma doença'', destacou Jaqueline Bifano

Falar sobre suicídio é abordar um tema que ainda é visto como tabu por parte da sociedade. Mas, por mais que o assunto pareça desconfortável ou até desagradável para alguns, é preciso ser pautado. A última pesquisa realizada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), em 2019, revelou que são registrados mais de 700 mil suicídios em todo o mundo. No Brasil, os dados também impressionam: os registros se aproximam de 14 mil casos por ano.

No Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio, o Jornal Diário do Aço, traz uma entrevista com a médica psiquiatra da infância e adolescência, Jaqueline Bifano. A profissional, que atua em Ipatinga, afirma que é preciso falar sobre o tema, mas adverte que é necessário cuidado ao ser a abordado. “É muito importante que saibamos falar sobre o suicídio, mas de forma humana e responsável”, defendeu.

Por que falar?
Jaqueline Bifano explica que o suicídio é a consequência extrema de uma doença que não foi curada. “O suicídio não é algo que acontece de uma hora para outra como muitas pessoas dizem. E é justamente por isso que é importante falarmos sobre o assunto”, esclareceu.

Procura por ajuda
Segundo a médica, antes de chegar ao ponto de tirar a própria vida, uma pessoa que está num momento de crise, seja por depressão ou outras doenças, vai dar diversos sinais, a ela mesma e aos que convivem com ela. Diante dos indícios, principalmente das mudanças de comportamento, a psiquiatra orienta a procurar ajuda.

“Muitas pessoas identificam alguns sinais e acham que precisam dar conta de sair daquela situação sozinhas, esse é o problema. É preciso entender que a depressão, assim como diversas outras patologias mentais, é uma doença”, observou Jaqueline Bifano.

A médica enfatiza que nem sempre a pessoa que sofre de depressão vai procurar por ajuda, mas que a sociedade tem a responsabilidade de ajudar na conscientização e de ficar atenta aos sinais.

Adolescentes
A psiquiatra faz um alerta em especial aos pais e pessoas próximas aos adolescentes. “É muito importante ressaltarmos também a alta prevalência entre crianças e adolescentes, pois, diferente do que muitos pensam, a adolescência é a faixa etária em que ocorre a maior parte dos suicídios”, informou. Jaqueline aconselha às famílias. “É muito importante que os pais ou responsáveis estejam atentos a quaisquer alterações de comportamento e variações de humor”.

Saúde emocional
Para mudar esse cenário preocupante, em que em média 38 pessoas cometem suicídio por dia no país, Jaqueline Bifano acredita que é preciso mais atenção à saúde emocional. “Isso envolve uma série de fatores. Não só o acompanhamento psicológico e com psiquiatra em casos mais difíceis, como também por meio do autocuidado no dia a dia. Manter hábitos de vida saudáveis, tirar um tempo todos os dias para nos cuidar e cuidar da nossa saúde mental”, sugeriu.

Setembro Amarelo
Além do dia 10 de setembro, o nono mês do calendário é marcado pelo Setembro Amarelo. A campanha criada em 2014 pela ABP (Associação Brasileira de Psiquiatria) em parceria com o Conselho Federal de Medicina (CFM) vem combatendo o estigma e lutando pela prevenção do suicídio em todo o país.

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Comentários

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Tião Aranha

11 de setembro, 2022 | 21:07

“Bom texto. Esta doença da depressão tem que ser tratada mesmo como sendo 'uma doença' que deve ser tratada e curada com a ajuda da família e de um psiquiatra, que nunca suspende por completo o uso de antidepressivos, mas que só tem eficácia com as caminhadas.”

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