08 de setembro, de 2022 | 15:06
Setembro Amarelo: 129 milhões de pessoas desenvolveram depressão ou ansiedade durante a pandemia
Divulgação
Transtornos mentais, como depressão e bipolaridade, são os principais fatores de risco para suicídios
Transtornos mentais, como depressão e bipolaridade, são os principais fatores de risco para suicídiosAs consequências da pandemia da covid-19 têm-se revelado preocupantes para a saúde mental da população. O Relatório Mundial de Saúde Mental de 2022, divulgado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), revelou que, apenas no primeiro ano da pandemia, 53 milhões de pessoas desenvolveram depressão e 76 milhões tiveram ansiedade, totalizando 129 milhões, alta de 28% e 26% de incidência desses transtornos.
No Brasil, mais de 12 milhões de pessoas sofrem com a depressão. O Setembro Amarelo, campanha de prevenção ao suicídio, organizada pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) e Associação Brasileira de Psiquiatria, é uma importante data para chamar a atenção para essa doença no país e no mundo.
De acordo com a OMS, o suicídio é a segunda principal causa de mortes entre indivíduos com idade entre 15 e 29 anos. O suicídio é um tema sensível e uma triste realidade em nossa sociedade. A campanha Setembro Amarelo tem fundamental importância na conscientização sobre o assunto e na promoção da informação correta. E, principalmente, incentivar as pessoas que estejam passando por momentos difíceis a buscarem ajuda”, comenta a psicóloga da Fundação São Francisco Xavier, Gabriela Pinheiro Reis.
Fatores de risco
As principais doenças mentais associadas ao suicídio são a depressão, a bipolaridade e a esquizofrenia. A depressão existe em vários níveis, desde a mais leve à mais grave. Entre os principais sintomas estão: tristeza profunda, desânimo (dificuldade em realizar tarefas cotidianas, como levantar da cama, tomar banho, trabalhar) desesperança e baixa autoestima.
O transtorno da bipolaridade é caracterizado pela alternância de dois estados emocionais opostos, caracterizado por períodos de extrema tristeza ou intensa euforia, conhecido como mania. Acredita-se que, se não fosse a fase depressiva da bipolaridade, uma pessoa não teria tendência suicida. Mas é ao contrário. Na fase depressiva ela não tem forças para isso. Já na mania, ela adquire essa força vital”, explica Gabriela Pinheiro.
A esquizofrenia é um distúrbio da mente dividida e é marcada por surtos em que o mundo real acaba substituído por delírios e alucinações. Ela é considerada um fator de risco para o autoextermínio justamente pela questão de alucinações, delírios, quando o indivíduo ouve vozes ou vê coisas que podem levá-lo a cometer um ato fatal”.
Alguns sinais de alerta devem ser monitorados e observados com atenção. Um dos principais é quem já passou por uma tentativa anterior, pois, quem já tentou uma vez, pode fazê-lo novamente.
Outro sinal importante são as pessoas com discurso que remete a um vazio existencial. São indivíduos que vivem dizendo frases como a vida não tem graça”, não vejo sentido na minha existência”, eu sou um peso para vocês”. Esse tipo de discurso não deve ser ignorado por amigos e familiares”, alerta a psicóloga.
Como ajudar
As doenças mentais precisam ser encaradas sem preconceito. Não é frescura. Depressão, bipolaridade e ansiedade são doenças que devem ser diagnosticadas e tratadas o quanto antes”, enfatiza a psicóloga Gabriela Pinheiro.
É importante sempre manter uma rede de apoio, formada por amigos e familiares, é a porta de entrada para outras medidas que devem ser tomadas. O próximo passo é procurar a ajuda de um especialista, o qual terá as ferramentas necessárias para ajudar as pessoas com transtornos mentais.
É preciso ter esse olhar diferenciado, essa percepção de quando alguém próximo não está bem, está isolado, triste por muitos dias ou mesmo alternando entre tristeza e alegria. É preciso ouvir sem julgamentos, se colocar à disposição de forma empática, não desqualificar o discurso de dor do outro. É importante falar que está do seu lado e que pode contar para o que precisar. São atitudes simples para ajudar quem precisa a buscar auxílio profissional”, explica a psicóloga.
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