25 de agosto, de 2022 | 08:00

IPCA-15 aponta deflação, mas somente alguns preços pararam de subir

Arquivo DA
Transporte está na lista de queda, influenciada pelo recuo dos preços dos combustíveisTransporte está na lista de queda, influenciada pelo recuo dos preços dos combustíveis

Material divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quarta-feira (24) aponta que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), a prévia da inflação oficial, registrou deflação (queda de preços) de 0,73% em agosto deste ano. É a menor taxa da série histórica do IPCA-15, iniciada em 1991. Apesar de alguns valores terem caído, o geógrafo e especialista nas estatísticas do IBGE, William Passos, aponta que nem tudo está nessa lista.

Ele lembra que o IPCA-15 é uma prévia da inflação do mês, mas não é a inflação desse período e serve para indicar como os preços se comportaram nos 15 primeiros dias. A deflação de agosto significa que a inflação oficial, o IPCA, que em 2021 foi de 10,07% no ano, está desacelerando este ano, após a alta de preços provocada pelas consequências da pandemia no Brasil e no exterior.

“Significa que os preços estão parando de subir na velocidade do ano passado, o que assustou muita gente. Mas é importante destacar que só alguns preços se enquadram nesse caso. Os alimentos continuam subindo. O leite de caixinha, por exemplo, subiu 14,21% só nos 15 primeiros dias de agosto. O que diminuiu de preço, e foi o que puxou o resultado geral, foram os combustíveis, por causa da redução temporária do ICMS, só até o final do ano. Mas isso só interfere na vida de quem tem carro”, lembra.

Redução para alguns

William lembra que para quem usa transporte público, os preços continuaram subindo. “Na prática, quem sente, quando sente, é só a classe média, ou seja, estatisticamente, quem ganha mais de dois salários mínimos. Para as famílias mais pobres, pouco ou nada muda”, resume.

Percentuais
O IPCA-15 havia registrado taxas de inflação de 0,13% em julho deste ano e de 0,89% em agosto do ano passado. Com o resultado deste mês, o IPCA-15 acumula taxas de inflação de 5,02% no ano e de 9,60% em 12 meses.

A queda de preços observada na prévia de agosto foi puxada principalmente pelos transportes, que registraram deflação de 5,24%. O comportamento deste grupo de despesas foi influenciado pelo recuo dos preços dos combustíveis (-15,33%).

Entre os combustíveis, foram observadas quedas de 16,80% na gasolina, de 10,78% no etanol, de 5,40% no gás veicular e de 0,56% no óleo diesel.

Outros grupos de despesa com deflação foram habitação (-0,37%), com destaque para o recuo nos preços da energia elétrica residencial (-3,29%); e comunicação (-0,30%).

Alimentos
Por outro lado, os alimentos apresentaram a maior alta de preços do IPCA-15 no período (1,12%), taxa semelhante à observada no mês anterior (1,16%), devido a produtos como o leite longa vida (14,21%), frutas (2,99%), queijo (4,18%) e frango em pedaços (3,08%).

Também tiveram inflação os grupos de despesa saúde e cuidados pessoais (0,81%), despesas pessoais (0,81%), vestuário (0,76%), educação (0,61%) e artigos de residência (0,08%).
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