21 de agosto, de 2022 | 10:00

Família do Vale do Aço que vive na China reencontra familiares após período crítico da covid-19

(Bruna Lage - Repórter do Diário do Aço)
Arquivo pessoal
Os últimos dias têm sido de ?reencontros maravilhosos e abraços calorosos? para a família Os últimos dias têm sido de ?reencontros maravilhosos e abraços calorosos? para a família

Algum tempo após uma considerável estabilidade no enfrentamento à pandemia da covid-19, o mundo passou a girar quase que normalmente, dentro do possível. Daniele Assis e sua família, que são do Vale do Aço, residem em Guangzhou, na China, país onde foram registrados os primeiros casos da doença, no fim de 2019. Nos últimos dias, ela e suas duas filhas puderam rever seus familiares.

O Diário do Aço relatou a rotina da família em matéria publicada no mês de abril de 2020. Àquela época, eles já estavam na China há seis meses -após mudarem de Timóteo -, onde o marido de Daniele, Fernando Oliveira, trabalha. De lá para cá, a administradora explica que na China a pandemia foi controlada com considerável rapidez.

“Recordo-me que a notícia de que havia um vírus em circulação tornou-se pública às vésperas das comemorações do Ano Novo Chinês, e a primeira medida de controle tomada foi a implementação de restrições de viagens, pois estávamos num período em que ocorre a maior migração dentro do país, onde milhões de pessoas viajam para suas terras natais”, relembra.

Nos 15 dias de feriado que se seguiram, toda a população foi orientada a permanecer em casa. Fábricas, comércios e transportes públicos foram mantidos fechados. E, quando reabriram, medidas preventivas como uso de máscara e distanciamento social tornaram-se obrigatórias.

“As escolas foram mantidas fechadas por quatro meses, e, com a situação sob controle e praticamente com os casos zerados, a vida foi voltando ao ‘novo normal’ e podíamos viver com certa tranquilidade, enquanto, a esta altura, o vírus já havia se espalhado mundo afora”, pontua.

Covid Zero

A ipatinguense observa que enquanto o mundo aprendeu a conviver com o vírus, a China permanece com sua política de Covid Zero, realizando testes em massa quando surgem novos casos, colocando prédios ou até cidades inteiras em lockdown quando os números de casos começam a aumentar, isolando os contaminados e seus contatos próximos, e exigindo quarentena para quem entra no país.

Daniele relata que a vacinação na China começou priorizando grupos como professores, profissionais do transporte, portos, aeroportos e profissionais da saúde. O que foi feito lá e que contrariou a estratégia utilizada no restante do mundo, salienta, é que a população idosa e os grupos de portadores de doenças crônicas não foram priorizados.

Não houve obrigatoriedade para a população se vacinar e a vacina sempre esteve disponível nos hospitais para os que quisessem. “Como os casos estavam sob controle e o risco de infecção era baixo, não houve pressa por parte da população em procurar por imunização. Esta estratégia mostrou-se ineficiente, uma vez que o país continua com a Política de Covid Zero, mantendo controles rigorosos de quarentena e lockdown para evitar que o vírus se espalhe e atinja esta população que não se imunizou”, avalia.

Retorno ao Brasil

Tão logo surgiram as primeiras notícias sobre o coronavírus, muitas empresas multinacionais sugeriram a seus empregados estrangeiros que, por precaução, enviassem suas famílias a seus países de origem. Daniele e o marido conversaram sobre esta possibilidade e chegaram à conclusão de que deveriam aguardar e permanecer com a família unida naquele momento de incerteza, confiantes de que ficariam bem.

“Os meses e anos que se seguiram mostraram que tomamos a decisão certa de permanecer na China. Estávamos seguros do vírus, imunizados (já que optaram por tomar as vacinas), e com as atividades cotidianas seguindo normalmente. Porém, como o cenário da pandemia no Brasil e no restante do mundo era delicado, ficávamos apreensivos quanto à segurança dos familiares e amigos que vivem distante de nós”, relembra.

Uma das ações que a China tomou para manter os casos sob controle e evitar que novas variantes fossem importadas para o país foi fechar as fronteiras, o que ocorreu sem aviso prévio em março de 2020, evitando a entrada de estrangeiros no país. Assim, ficaram impossibilitados de viajar para visitar a família no Brasil, e nem os familiares poderiam ir à China. Atualmente, estas medidas estão flexibilizadas.

“O rigor da Política de Covid Zero do governo Chinês nos deixa apreensivos. Quando a variante ômicron chegou à China e os casos saíram do controle, Xangai, que é o maior centro financeiro da Ásia, enfrentou o maior lockdown da história, onde seus 25 milhões de habitantes ficaram trancados em casa e todas as empresas interromperam a produção, afetando a cadeia de suprimentos e impactando a economia global. O temor pelo rigor das medidas sob as quais estamos à mercê supera o temor de novas variantes”, revela.

Férias

Daniele e as filhas Luiza e Maria têm vivido dias de reencontros no Vale do Aço. “Visitamos familiares em Jaguaraçu, Timóteo e Coronel Fabriciano, mas temos parentes em toda a região. É a primeira vez que viemos ao Brasil desde que nos mudamos para a China - o que aconteceu apenas três meses antes do início da pandemia. Estamos vivendo momentos de reencontros maravilhosos e abraços calorosos. Os trâmites e exigências para retornar à China ainda são muitos, mas a saudade e a vontade de rever as pessoas queridas que vivem aqui superam os percalços da viagem”, celebra.

Segundo Daniele, sua família entende a decisão de permanecerem na China. “Tentamos mostrar um pouco das belezas e costumes daquele país e daquele povo que é tão diferente de nós, esquecendo um pouco do cenário de pandemia, e buscando o melhor desta experiência única que é viver por lá”, conclui.
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Comentários

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Flávio Barony

22 de agosto, 2022 | 16:48

“Excelente reportagem, com informações sobre o contexto da pandemia na China obtidas diretamente na fonte! Sem fake news!!!”

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