04 de agosto, de 2022 | 08:35

De saída do Ipatinga, Jorge Castilho conta sua história, revela planos e agradece carinho da torcida

Castilho está de saída do Ipatinga em razão de um acordo firmado com o Maringá FC, equipe que treinava antes de vir para o Vale do Aço

O acesso do Ipatinga ao módulo A do Campeonato Mineiro pode ser creditado, em grande parte, ao treinador Jorge Castilho. Aos 40 anos, o “professor”, que trabalha com equipes profissionais há apenas três anos, celebra o projeto realizado no Tigre, agradece o apoio da torcida e vislumbra alçar novos voos na carreira.

Castilho está de saída do Ipatinga em razão de um acordo firmado com o Maringá FC, equipe que treinava antes de vir para o Vale do Aço. Casado com Lucimar, pai de Júlia e Laura (17 e 8 anos), Castilho é natural de Santos e mantém residência no Guarujá (SP). Tentou a sorte como jogador de futebol – não se firmou, pendurando as chuteiras aos 23 anos -, trabalhou em diversas áreas fora das quatro linhas. Nesse intervalo de mais de dez anos, trabalhou até mesmo como vigilante. Apesar dos caminhos percorridos por Jorge terem sido diversos, nunca se desligou do mundo da bola.

Trajetória
“Aos 16 anos tentei ser jogador no Villa Nova (de Nova lima), no sub-15 e 17 e um ano no sub-20; depois fui para o Real de Caeté e voltei para Santos. Tive também uma passagem rápida pelo América antes de ir para o Villa, disputei o profissional no Guarujá e estive também no VOCEM, de Assis-SP. Parei de jogar com 22, 23 anos. Fui trabalhar em outras áreas, com material de construção, fui encarregado de expedição, virei vigilante, comecei a conciliar vigilância noturna e treino de escolinha no Guarujá, fiz parceria com a prefeitura e disputava as categorias de base”, recorda.
Tiago Araújo
Jorge Castilho e o auxiliar Fábio Pantoja formaram uma dupla que trabalhou com afinco, juntamente com os não menos competentes Pedro Henrique Soares (preparador físico) e Michele Kanitz (auxiliar e analista de desempenho) Jorge Castilho e o auxiliar Fábio Pantoja formaram uma dupla que trabalhou com afinco, juntamente com os não menos competentes Pedro Henrique Soares (preparador físico) e Michele Kanitz (auxiliar e analista de desempenho)


“Em 2012, fui para o sub-17 da Portuguesa Santista, em 2013 fui para o São Vicente (sub-20), mas como auxiliar do Agnaldo Moreira. Em 2014, assumi brevemente como técnico profissional do AD Guarujá, o primeiro técnico ex-jogador do clube”, pontua. De 2014 até 2020 trabalhou com as categorias de base da prefeitura e com seu projeto social, intercalando com atividades como Uber.

“Eu me virava, pois não queria ficar fora do futebol. Fui técnico dos advogados cinco anos, num campeonato paulista da Ordem dos Advogados do Brasil. Em 2020, um dos advogados comprou o Maringá Futebol Clube e me disse que precisava que fosse trabalhar lá, porém com como auxiliar. Assumimos no meio da pandemia, fui como assistente técnico do Beto Portela. Na 7ª rodada do Parananense da 2ª Divisão, o Portela foi demitido; assumi o time e levei a equipe ao acesso, fomos vice-campeões. Retornei ao Maringá em 2021 como segundo auxiliar; na 4ª rodada mandaram o treinador embora e me disseram pra assumir, fiquei com medo, mas topei o desafio. Salvamos o ano do time, que não caiu e ainda chegou ao mata-mata. Em 2022, iniciei a pré-temporada e levei o Maringá ao vice-campeonato, perdemos para o Coritiba dentro do Couto Pereira”, conta.

Chegada ao Ipatinga
A chegada de Jorge ao Ipatinga ocorreu após uma ligação do presidente Nicanor Pires, a quem foi indicado por um empresário. "Chegamos no dia 18 de abril, o campeonato começaria no dia 27. Chegamos naquela confusão de joga, não joga. Graças a Deus, a gente conseguiu entrar na competição, num primeiro momento era para disputar e não cair, mas deixaram a gente sonhar, né? Classificamos no jogo contra o Uberaba no último minuto e aí o sonho começou a se tornar realidade, que foi o acesso”, destaca.

Segredo do sucesso
O técnico aponta que o principal motivo do sucesso desse elenco foram quatro pilares: a fé em Deus, união do grupo, a honestidade da comissão técnica com os atletas e o trabalho árduo. “A honestidade do presidente foi comprada pelos jogadores, que compraram também minha ideia. Eu não tinha porque em algum momento eu abandoná-los, mesmo diante das coisas que estavam acontecendo e das dificuldades que enfrentamos”, avalia.

Planos
Castilho espera que os jogadores do elenco atual possam ser aproveitados pelo Ipatinga na primeira divisão e lembra que retorna ao Maringá em razão de um acordo firmado antes de chegar ao Vale do Aço. “Desejo todo sucesso do mundo para o Ipatinga, que possa permanecer na primeira divisão e de repente buscar vaga na Copa do Brasil, assim como na Série D, que deve ser o objetivo do clube em 2023”, salienta.
Divulgação
Castilho chegou faltando poucos dias para a estreia, não fez pré-temporada e no jogo inicial só tinha 14 jogadores à disposiçãoCastilho chegou faltando poucos dias para a estreia, não fez pré-temporada e no jogo inicial só tinha 14 jogadores à disposição


Em sua carreira, Jorge tem como objetivo chegar a trabalhar nas séries A e B do Brasileiro. “Estou me preparando para isso, fazendo as licenças da escola de treinadores da CBF, estudando e tenho o sonho de trabalhar fora do país. Estou no início de carreira, acredito que até precoce pela minha idade, por tudo que tenho conquistado nesse pouco tempo. Sei que é difícil e estou me preparando para alçar voos mais altos e no tempo de Deus as coisas vão acontecer, quem sabe voltar ao Ipatinga numa série A, B. Esses são os meus planos para o futuro”, almeja.

Treinador quer dar sequência em parceria


Questionado se tem a intenção de levar algum jogador do elenco ipatinguense para o Maringá, Castilho revela que gostaria de contar com dois ou três deles, o que não depende apenas de sua vontade. “A gente acaba pegando um carinho por todos os jogadores, mas alguns atletas me chamam atenção, até pela idade. São jovens, gostaria muito de poder trabalhar com eles, mas não depende só de mim, depende da diretoria daqui e de lá. Um deles nem sabe do potencial que tem, que é o Manaus, ele é fora da curva, jovem de 23 anos, não havia jogado profissionalmente direito. Os outros dois são Ézio, lateral-direito e Pedrinho, lateral-esquerdo”, frisa.


Chamado em cima da hora


Jorge Castilho recebeu a ligação de Nicanor Pires numa sexta-feira Santa. O presidente relatou a situação ruim, foi sincero com Castilho, que aceitou vir para o Vale do Aço.

“Na mesma época surgiu uma proposta do Oeste de Barueri para treinar o sub-23, proposta maior que a do Ipatinga e a cidade fica uma hora e meia de casa. Decidi vir para o Ipatinga pela tradição do clube no cenário e pela honestidade do presidente Nicanor, que não me iludiu hora nenhuma. O presidente conseguiu inscrever 14 jogadores de última hora para o primeiro jogo contra o Tupi (vitória de 2 a 0) e assim começamos o Módulo B. Tivemos uma preleção e ali os jogadores entenderam onde eles poderiam chegar. Nesse dia eu disse que iriamos brigar pelo acesso, porque eles tinham vontade de vencer e foi isso o que aconteceu. Muitos acham que foi sorte, mas não foi só isso, teve muito, mas muito trabalho mesmo, num clube com pouca estrutura profissional. Abrimos mão de muita coisa para estarmos aqui”, garante.

Caso curioso
No período em que treinou o Ipatinga, Castilho recorda um fato engraçado envolvendo o zagueiro Lucas Sérgio. “O Alex começou como titular e depois coloquei o Lucas, eu quebrava o pau com ele porque achava que tinha que ter postura mais de adulto. Ele (Lucas) tomou o 3º cartão, entrei com o Jean Carlos e o Lucas seguiu na suplência. O Jean pegou uma suspensão e voltei com o Lucas novamente, que fez um gol e veio na minha direção me dizer ‘quero ver você me tirar do time agora’. Na semana seguinte, não o coloquei de titular e ele e passou a semana bicudo comigo. Foi um episódio que ficou marcado”, recorda aos risos.

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