''O Brasil precisa de muito comunismo'', afirma pré-candidata do PCB à Presidência
Questionada sobre sua motivação em participar do pleito, Sofia revela que uma série de fatores foram avaliados
29/07/2022 às 07:12
Bruna Lage
Sofia Manzano é professora e pré-candidata à Presidência da República pelo partido comunista
(Bruna Lage - Repórter do Diário do Aço) Sofia Manzano, a pré-candidata à Presidência da República pelo Partido Comunista Brasileiro (PCB), cumpriu agenda em Ipatinga nessa semana e, dentre os compromissos, concedeu entrevista ao Diário do Aço. Professora de economia, ela tem mestrado e doutorado na área e afirma ter propostas para melhorar a vida econômica e social do país. Questionada sobre sua motivação em participar do pleito, Sofia revela que uma série de fatores foram avaliados.
Analisando a conjuntura política brasileira e a necessidade de enfrentar a extrema direita, além de apresentar uma candidatura que desse voz à classe trabalhadora, o PCB avaliou a necessidade de ter uma pré-candidatura à Presidência da República. “Meu nome foi escolhido coletivamente. Nesse momento sou a pessoa que mais representava as propostas do PCB. E também por já ter sido candidata a vice-presidente em 2014 na chapa do Mauro Iasi”, explica Sofia.
Propostas A professora conta que tem propostas para todas as áreas que afetam a vida econômica e social do país. No caso do Vale do Aço, região com alto percentual de trabalhadores e “com uma jornada de trabalho extensa”, a principal proposta é a redução da jornada de trabalho semanal para 30 horas, sem redução salarial. “De forma que possamos aumentar o número de vagas de trabalho formal, principalmente para a juventude. Com a redução para seis horas diárias, a juventude, homens e mulheres, poderão ter mais tempo para se qualificar, para estudar, ter lazer e realizar atividades físicas, que fazem muita falta para nossa saúde física e mental”, avalia.
Comunismo Sobre lançar candidatura num momento em que o comunismo virou motivo de xingamento pelo país afora, Sofia reage. “Ele nunca existiu (na prática), o que existiu foram experiências socialistas. O comunismo é sempre muito difamado e isso já faz mais de um século, mas na verdade as pessoas não sabem o que é. Trata-se da proposta mais generosa que a humanidade já produziu, porque uma sociedade comunista é uma sociedade em que não há desigualdade social, onde as pessoas não exploram umas às outras, que não tenha miséria, que não tem fome, que não tenha trabalho escravo, é uma sociedade em que não haja depredação ambiental, como vemos hoje”, opina.
Para ela, falta informação da população brasileira, de forma a conhecer mais o comunismo e sua proposta. “Que é generosa, humana, socioambiental. Hoje vemos que o capitalismo não deu certo, porque todas as misérias que temos hoje no mundo são decorrência do capitalismo, então a gente precisa pensar um outro tipo de sociedade em que nós possamos viver de forma plena, que não tenha tanta violência e desgraça como estamos passando no atual momento”, frisa.
Ser humano em primeiro lugar
Para Sofia Manzano, o “Brasil precisa de muito comunismo”, precisa pensar em primeiro lugar no ser humano. E como a maior parte da população brasileira é formada por trabalhadores, aponta, é preciso ter pessoas comprometidas com a classe.
Pessoas que não façam nenhum tipo de acordo com empresário, donos de agronegócio, com setores do mercado financeiro e que só pensem na exploração da classe trabalhadora, enquanto ela está praticamente abandonada. Segundo a pré-candidata, a população está perdendo seus direitos, entrando em desespero por não conseguir sobreviver decentemente num país que produz tanta riqueza.
“O Brasil é o 10º país que mais produz riqueza no mundo, e por que temos uma população que está padecendo de fome, miséria, violência? Porque nosso país tem um dos piores modelos capitalistas que podemos imaginar. Precisamos pensar numa situação de substituição desse modelo que está aí e a proposta comunista é uma que acredito que a classe trabalhadora deve abraçar, compreender e vir lutar com a gente para construirmos o comunismo”.
Debate Por meio de seus perfis nas mídias sociais, Sofia tem defendido a participação do partido nos debates. “A legislação eleitoral brasileira é muito antidemocrática. Nosso partido completa esse ano seu centenário, sempre esteve na luta política no Brasil, mas sempre foi muito perseguido pelos poderosos, por estar sempre comprometido com os trabalhadores e por isso não somos convidados para os debates para as grandes redes televisão. Estamos fazendo uma campanha nas redes sociais @sofiamanzanopcb para que possam nos ajudar a pressionar as grandes redes a nos convidarem. Temos propostas concretas para tirar o Brasil da crise, para reduzir a inflação, melhorar a destruição de renda, melhorar a produção de alimentos saudáveis, reduzir o impacto ambiental, dentre outros pontos”, conclui.