13 de julho, de 2022 | 07:42
Inflação impacta lucro dos donos de bares e restaurantes em Minas
Pesquisa realizada pela Abrasel-MG revelou que 67% dos empresários do segmento não conseguiram repassar o aumento de custos para o consumidor
Marcelo Camargo/Agência Brasil
A alta nos preços dos alimentos tem impactado o lucro dos donos de bares e restaurantes
(Stéphanie Lisboa - Repórter do Diário do Aço)
A alta nos preços dos alimentos tem impactado o lucro dos donos de bares e restaurantes Os donos de bares e restaurantes passaram por maus bocados durante a pandemia de covid-19. O abrandamento da crise sanitária trouxe de volta a chance de recuperação dos estabelecimentos de alimentação. Porém, alguns empresários têm esbarrado na alta dos custos dos insumos e no endividamento, o que tem impactado a lucratividade.
Para identificar a situação pela qual passa o setor, a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes em Minas Gerais (Abrasel-MG) realizou um levantamento.
Prejuízo
A pesquisa que ouviu 306 empresários, entre os dias 21 e 28 de junho, revelou que 46% dos entrevistados tiveram lucro em maio, 21% trabalharam com prejuízo e outros 33% ficaram em equilíbrio. Para o presidente da Abrasel-MG, Matheus Daniel, o dado é preocupante.
Isso é muito complicado porque não dá para uma empresa ficar no prejuízo por muito tempo. A gente viu que está melhorando, mas ainda tem muita gente no prejuízo”, declarou. O representante do setor apontou que dois fatores têm contribuído para o cenário de perdas dos estabelecimentos: a inflação e o alto endividamento.
Inflação
Matheus destacou que bares e restaurantes estão sofrendo com a alta nos valores dos insumos. E esclareceu que, apesar do aumento nos custos da produção dos pratos, os profissionais responsáveis pelos estabelecimentos têm segurado ao máximo o repasse para os clientes.
A gente está aí com a inflação de alimentos e bebidas na ordem de 16% ao ano, enquanto o setor só repassou 6,5%. A gente tem um gap aí de quase 10%, entre o que subiu nos supermercados, do que o bar conseguiu reajustar”, apontou.
O levantamento realizado pela associação mostrou que ao menos 67% dos empresários que foram ouvidos não conseguiram repassar o aumento de custos para o consumidor final durante o mês de maio.
Dívidas
Além de amargar os efeitos inflacionários, os bares e restaurantes também tem tido que lidar com as dívidas acumuladas com a pandemia. A pesquisa apontou que 14,2% do faturamento dos estabelecimentos está comprometido com a quitação de dívidas.
Equilíbrio
O presidente da Abrasel-MG usa uma expressão antiga para ilustrar a realidade do comerciante à frente de um estabelecimento de alimentação. O dono do bar fica entre a cruz e a caldeirinha, como diria os mais antigos. Se ele aumenta o preço, corre o risco de o cliente sumir. Se ele não aumenta o preço, o risco é certo dele trabalhar no prejuízo”, comparou.
Para Matheus, que também é dono de um restaurante em Belo Horizonte, a solução é encontrar um equilíbrio. O que o pessoal tem feito é melhorado os processos, tentado diminuir a mão de obra, trabalhar com mais eficiência, fazer mais com menos, para poder não repassar o preço ao consumidor”, concluiu.
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